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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 14

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— Você pode simplesmente me deixar aqui, já estou perto do meu ponto — disse.

Senti um calafrio assim que saí do carro. Olhei ao redor, atônito, mas não vi nada suspeito.

Dom me observava pela janela.

— Algum problema? — perguntou.

Fiquei em silêncio por um momento e respondi que estava tudo bem.

— O que você quer comer? Vou comprar algo para você no meu caminho de volta para casa — ele ofereceu.

Paralisei por um instante, olhando para ele incrédulo. Mas não podia desperdiçar a chance de comer algo de graça.

— Quero pasteizinhos de carne. Mas… por que está fazendo isso? — meus olhos brilharam com a ideia da comida, mas não resisti à pergunta. Ele riu de mim, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Fiquei dias doente, e você cuidou de mim. Você não tinha obrigação, mas cuidou — disse, desviando o olhar. — No fim das contas, estou só retribuindo sua gentileza.

Certo, o homem que eu conhecia estava voltando aos poucos. Não falei nada, apenas concordei cantando baixinho.

Entrei feliz na pequena confeitaria, não por causa das atitudes de Dom, mas pela ideia de saborear várias sobremesas. Quase ri ao subir os degraus — adorava doces! No momento, só eles conseguiam melhorar meu humor. Bastou um pedaço de bolo de morango para me sentir feliz como uma criança.

A mulher na mesa ao lado me fitava com um olhar egocêntrico e arrogante, alternando entre mim e meu abdômen. Quando nossos olhos se cruzaram, lancei a ela um sorriso ousado.

Fiz um gesto obsceno só para que ela percebesse. Ao entender, levantou-se furiosa e saiu. Claramente, era uma pessoa antiquada e de mente fechada.

Anne chegou um pouco atrasada, dizendo que o trânsito já estava caótico às dez da manhã. Combinamos de nos encontrar porque ela entende de arquitetura e estava concluindo um curso. Trabalha durante o dia e estuda à noite. Achei que seria ótimo aproveitar seus conhecimentos para decorar meu apartamento.

Ela pediu uma sobremesa enquanto discutíamos detalhes sobre cores, móveis e orçamento para a decoração.

— Como já definimos o estilo por ligação, temos que escolher uma peça-chave para cada ambiente — comentou Anne. — É nela que você vai imprimir sua personalidade e dar identidade ao espaço.

Ouvir isso me fez perceber que fiz a escolha certa. Ela realmente entende do assunto. — Que cores você quer?

Não respondi de imediato, minha boca estava cheia de bolo. Mastiguei com calma e bebi um pouco de vitamina para ajudar a digestão.

— Estava pensando em amarelo. Gosto de cores claras — expliquei.

— O amarelo está em alta nos projetos atuais — disse ela, bebendo seu suco. — Ilumina o ambiente, traz vivacidade e combina bem com tons neutros e quentes.

— Mas quero algo mais casual — falei.

Concordamos nisso e continuamos comendo a cada pausa.

Passamos horas assim. Quando nosso encontro terminou, já era noite. Arrumamos nossas coisas, e eu estava pronto para ir para casa.

Lá fora, as luzes fracas da rua pareciam cobrir o mundo com uma rede invisível. Não conhecia bem o bairro, mas disse a Anne que conseguiria ir sozinho.

Depois de andar um pouco, cheguei a uma rua urbana desconhecida. Vazia, sem carros, sem casas por perto.

Cocei a cabeça, percebendo que estava cercado por árvores na beira da estrada. As folhas densas bloqueavam a luz, e alguns postes estavam apagados, deixando a escuridão me envolver.

O ar estava frio e silencioso. Estava perto de um cruzamento, mas não havia ponto de ônibus.

O som dos meus passos hesitantes no asfalto e o vento batendo nas folhas eram os únicos ruídos. As sombras dos galhos se moviam conforme o vento soprava.

O mundo parecia absorto no silêncio, e o vento soprando as folhas soava estranho.

Não gostei do ambiente, mas continuei. Precisava encontrar um ponto logo.

Tudo estava muito quieto. De repente, senti um calafrio.

Resolvi sair dali rápido, quando ouvi um som estridente ao fundo. Alguém pisava nas folhas, fazendo um barulho de esmagamento. Os passos eram lentos, e quando acelerei, o barulho atrás de mim também aumentou.

— Há alguém aí? — Parei, olhando em volta, atordoado. Não houve resposta e não vi ninguém atrás.

Ao longe, uma sombra deformada surgiu entre as árvores, obscura e sinistra. Não parecia humana, era assustadora demais.

Os fantasmas são imaginários, certo? Algo em que os humanos acreditavam nos tempos primitivos e supersticiosos…

Foi assustador ver aquela figura naquele lugar silencioso e isolado. Os ruídos se aproximavam, meu coração disparou, sentindo o sangue correr rápido pelas veias.

Decidi caminhar em direção à luz. Quando finalmente olhei para trás, percebi que meu perseguidor era peludo e feroz, com três patas velhas e desgastadas. Soltei o ar dos pulmões, suspirando exageradamente.

Era um pequeno felino de rua — um cão aleijado, ensanguentado, cuja sombra projetada parecia maior do que ele. Me observava com esperança.

Passei alguns segundos encarando-o, depois olhei ao redor, tentando me acalmar.

Decidi me aproximar daquela área de árvores e bancos de concreto para dar-lhe alguma coisa, se é que havia restado algo dentro das minhas coisas.

O sangue no animal parecia fresco, mas não havia sinais de atropelamento. Parecia não ser dele. Franzi a testa, curioso sobre a origem daquele líquido.

Quando voltei a andar para me aproximar, foi apenas para tropeçar em algo e cair no chão.

 

 

 

Capítulo 14
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A Década Depois Da Primavera

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“𝚀𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚟𝚘𝚌ê 𝚜𝚎 𝚊𝚙𝚊𝚒𝚡𝚘𝚗𝚊 𝚙𝚎𝚕𝚊 𝚙𝚎𝚜𝚜𝚘𝚊...

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  • Capítulo 11
  • Capítulo 10
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  • Capítulo 08
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  • Capítulo 06
  • Capítulo 05
  • Capítulo 04
  • Capítulo 03
  • Capítulo 02
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