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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 15

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A luz do poste se apagou quando eu estava perto dos arbustos. O cachorro se assustou e saiu correndo. Apesar de ter apenas três patas, ele ainda conseguia ser rápido.

Quando caí no chão, toquei em um líquido desconhecido. Minhas mãos estavam excepcionalmente pegajosas. Esfreguei meu tornozelo e verifiquei meu abdômen enquanto olhava para a coisa em que tropecei, com as sobrancelhas franzidas.

Parecia um tronco, mas era mais macio e maior do que um tronco. Não conseguia ver claramente com a escuridão ao meu redor.

Levantei-me com dificuldade e peguei meu celular, liguei o flash e afastei as folhas que bloqueavam a luz para ter uma visão mais clara.

Quando vi, dei alguns passos para trás, sobressaltado.

Era um corpo. Mais precisamente, um homem com cabelos quase grisalhos.

As roupas do homem estavam amarrotadas e desengonçadas. Ele estava em uma poça de água.

O seu sangue vermelho brilhante se misturava à água e tinha um cheiro metálico.

Demorou alguns instantes para perceber que minha mão estava suja daquela água ensanguentada. Meu tornozelo também.

Sabia que precisava manter a calma, mas não sabia se o homem ainda estava vivo.

Disquei o número da polícia e da ambulância. Depois de terminar a ligação, rapidamente recuei para a beira da estrada e me sentei perto de uma pedra.

Após alguns minutos pensando se deveria ou não averiguar se o homem estava morto, mesmo hesitante, fui até ele. Dando pequenos passos, sempre olhando ao redor, afinal, aquela situação me dava calafrios.

Antes de quebrar a curta distância entre mim e o homem inconsciente, avaliei rapidamente a situação para ver se podia me aproximar dele com segurança.

Sem mais delongas, peguei um pedaço de galho e o cutuquei para ver se havia algum tipo de reação, mas não houve.

— Está tudo bem? — perguntei, mas, como esperado, ele não reagiu aos meus estímulos externos. Portanto, o considerei inerte.

Não precisei verificar suas vias respiratórias; notei que o homem estava respirando normalmente, seu peito subia e descia conforme ele respirava.

Mas, por via das dúvidas, verifiquei seu pulso. E sim, havia pulso. Consegui sentir um latejamento rítmico sob os meus dedos e voltei a me afastar.

Quando soube disso, me senti mais calmo, colocando meus pensamentos em ordem por um tempo, até ouvir uma voz rouca me chamando.

— Ei, me dá uma ajudinha aqui! — O homem levantou a cabeça e olhou para mim, me dando um susto que fez minha espinha gelar. — Acho que vou me afogar, tem muita lama aqui. — Olhei para ele incrédulo. Ele tentou se levantar, mas não conseguiu. Fui até ele e o ajudei a se sentar. Ele olhou para trás de mim e apontou, sem dizer nada. — Álcool, quer dividir? — Olhei para onde ele estava apontando; debaixo de algumas plantas havia uma garrafa de álcool. — Se você me der, eu vou ser gentil e dividir com você — o senhor sorriu para mim.

Ele estava todo sujo. O bêbado tinha caído dentro de uma poça de água, e o líquido dissolveu rapidamente seu sangue.

Ele apontou para mim, dizendo que eu também estava todo sujo.

— Eu caí na mesma poça de lama que o senhor — expliquei e depois falei sobre ele. — Sua cabeça está ferida, senhor. — Falei para ele, mas ele não pareceu surpreso e apenas passou a mão pelo ferimento.

— Não é sangue, é glitter! Ou será purpurina? — Ele olhou para a própria mão, sua expressão abobalhada e confusa deixava clara a sua incerteza.

Durante um tempo, ele observou encabulado as palmas das mãos sujas de lama e sangue. Seus olhos estavam inchados, com resquícios de lágrimas.

Levantei-me. Estava exausto com o que acabara de acontecer. O homem também se levantou, cambaleando de um lado para o outro, até que caiu de novo. Ele estava completamente bêbado e se sujou ainda mais, caindo na poça.

Seu corpo não seguia mais suas ordens e ele engatinhou até conseguir pegar a garrafa, abrindo um sorriso alegre com sua vitória pouco glamourosa. O senhor bebeu um pouco de álcool e voltou a dormir caído no chão.

A polícia chegou primeiro. Alguns policiais uniformizados se aproximaram ao me ver com as mãos sujas de resquícios de sangue.

— Olá, sou Otávio, do departamento de polícia. Posso perguntar se você foi a pessoa que relatou isso? — um policial perguntou.

Não disse nada, mas acenei concordando.

— Você pode contar o que aconteceu? — O policial de boné tirou seu aparelho digital de anotações, se preparando para registrar cada detalhe.

Ele olhou para o bêbado deitado no chão, dormindo e abraçando sua garrafa. Com a chegada deles, algumas pessoas curiosas apareceram, observando atentamente enquanto algumas tiravam fotos e outras fofocavam, com os olhos brilhando, cheios da curiosidade que o desconhecido inspira. E pensar que minutos antes não havia ninguém à vista.

— Em que estado ele estava quando você o viu pela primeira vez? — continuou o policial Otávio.

Dei a ele uma explicação minuciosa dos detalhes. Fiz o meu melhor para me lembrar de tudo o que podia.

O policial pareceu inquieto depois de ouvir o que eu disse. Sei que a maioria das pessoas teria apenas ido embora ao ver tal situação, ou no mínimo teria ligado para o socorro e imediatamente ido para casa.

No entanto, fui capaz de permanecer e descrever a cena com calma e detalhadamente. Suas suspeitas estavam crescendo contra mim, mesmo que não houvesse fundamento.

 

 

 

 

Capítulo 15
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