Capítulo 19
Ultimamente, eu dormia cada vez mais, e Luciana suspeitava que havia algo errado. Mas expliquei a ela que é natural dormir demais.
No começo, ela viu meus frascos de remédios, e tive que me explicar sobre eles, inventando uma história aleatória para apaziguar temporariamente suas perguntas. Afinal, era necessário tomar remédios para que tudo corresse bem durante a gestação. Meu corpo precisava de uma ajuda extra para evoluir e garantir que tudo saísse bem.
O corpo de um homem normalmente não está preparado para esse processo.
Deitado na cama, olhei pela janela e vi que o crepúsculo já havia caído praticamente por inteiro sobre a cidade, com as estrelas brilhando pouco a pouco no céu, como pequenos diamantes reluzentes.
Isso me incitava a inspirar fundo distraidamente e observar os pássaros voando, de volta para seus ninhos.
O clima morno deixado pela ida do sol e a chegada da lua me cobriam como uma manta quentinha.
As cortinas azuis e cristalinas dançavam delicadamente com a pequena brisa do vento, saudando-nos.
Acolhedor, foi o que pensei ao dar mais uma olhada ao redor… Jamais tive um quarto assim.
Como que uma deixa, senti um movimento no meu abdômen, lembrando-me de que não estava sozinho. Antes disso, os seus movimentos mais pareciam borboletas voando pelo meu estômago.
Com a palma da minha mão, fui acariciando lentamente o meu abdômen, sentindo-me preenchido pelo amor paternal. Estávamos unidos não só pelo cordão umbilical, mas também por nosso amor puro, caloroso e leal.
O amor que me mantinha de pé, a criança por quem me transformei em escudo.
Fiquei curioso sobre como seria sua aparência; ainda não tinha parado para pensar nisso. Talvez ele fosse um mini Oscarzinho, ou herdasse os traços de Dom… ou talvez não tivesse traços de nenhum dos dois.
Dizem que, após algumas semanas de gestação, o bebê já é capaz de ouvir e até reconhecer a voz; isso parece loucura, mas Luciana disse que é verdade.
Imaginei que talvez seus cabelos fossem sedosos como os de seu pai, ou talvez cacheados e rebeldes. Suas bochechas seriam gorduchas ou magras?
Uma curiosidade mórbida me consumia, e um sorriso materno desenhou-se em meus lábios.
A porta se abriu e uma mulher surgiu nela.
— Oscar, está acordado? Deseja algo? — Luciana parou no batente da porta, e eu neguei com a cabeça.
Tia Lu fez a gentileza de apagar as luzes e recolher a bandeja com comida, deixando apenas a luz fraca da noite para iluminar meu quarto através da janela.
Minha cabeça relaxou sobre o travesseiro, e comecei a sentir-me sonolento. Minha mente foi gradativamente ficando grogue, e meu diálogo mental foi se apagando.
Eu não percebi quando cai no sono.
No escuro da minha mente, achei ter ouvido ruídos do lado de fora do quarto. Quis levantar para dar uma olhada, mas fui vencido pelo sono e perdi completamente a consciência.