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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 20

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O sonho se tornou um borrão e fui forçado a sair do labirinto entre sonhos e utopia. Instantaneamente, aquele mundo desapareceu quando algo foi derrubado próximo ao quarto.

Não abri os olhos. Engoli em seco, sentindo uma sensação desagradável, uma espécie de déjà vu. O ruído se repetiu, desta vez mais alto. Outro barulho veio, mas agora de dentro do quarto, mais vivo e agudo. Meus sentidos despertaram abruptamente, detectando a movimentação no ar.

Minha janela ficara aberta mais cedo. Presumi que fosse um animal ou um criminoso; se não era isso, então o que era? Parecia ser de madrugada; o ruído aumentou, seguido por um toque de celular. Definitivamente, havia algo ali.

Depois de um longo tempo, decidi me aventurar, abri os olhos e olhei ao redor. O quarto estava envolto em escuridão, tão densa que não conseguia ver nada além da luz reluzente do celular.

Pouco depois, ouvi alguém. Consegui ouvir ruídos que logo desapareceram. Sentei-me e olhei para o aparelho que tocava. Não havia ninguém no cômodo. O som parecia ter desaparecido novamente, mas voltou a tocar em seguida.

Fui até a beirada da cama. Quando me abaixei para pegar o aparelho que estava no chão, meus olhos arregalaram-se ao olhar para o espaço ao lado da cama. A cena espantou-me, não menos que a pessoa na minha frente.

Não tinha como adivinhar que a pessoa deitada no meu tapete — enrolada em um cobertor enquanto dormia — era Dominic!

Surpreendido, olhei para ele e depois para o celular que não era o meu. Na tela, o nome da secretária brilhava irritantemente.  Não atendi a ligação e simplesmente desliguei. O silêncio preencheu o quarto como um véu pênsil no momento em que o toque cessou.

Levantei-me, fui até o interruptor e acendi a luz do quarto. A luz imediatamente encheu toda a sala. Cruzei os braços sobre o abdômen, franzi a testa, esperando que a pessoa no chão acordasse.

Dominic semiabriu os olhos com uma expressão confusa, enquanto protegia o rosto com a mão, tentando se ajustar ao brilho repentino. Ele enterrou o rosto no cobertor, sem entender o que estava acontecendo. Pelo seu odor forte, estava claramente bêbado.

— Por que você veio dormir aqui? — mantive minha postura ereta, olhando-o seriamente. Ele estava lutando para recuperar a consciência. — Onde está Luciana?

— Não encontrei ninguém quando cheguei; se havia alguém com você antes, foi embora… — fez-se uma pausa. — Aqui é confortável. — Evidentemente, estava embriagado.

Nunca havia conhecido uma pessoa que não gostasse de dormir na cama, no sofá ou até mesmo no bar. Ao contrário dessas pessoas, Dom preferia dormir no tapete.

— Volte para o seu quarto e durma — disse, olhando para seu rosto.

— É muito ruim. Não consigo dormir. — Dom balançou a cabeça; ele não queria sair do tapete. Parecia uma criança rica fazendo birra para não ir tomar banho.

Não consegui entender seu comportamento. Vê-lo deitado lamentavelmente no tapete, enquanto dizia não querer ir, com uma expressão completamente séria, me confundiu. Olhei-o, estranhando sua repentina mudança de um homem frio para um bêbado e dorminhoco. Não entendia suas ações que mudavam de um dia para o outro.

Queria dizer algo, brigar com ele e expulsá-lo, mas não consegui.

— Podemos mudar de quarto; você fica aqui e eu fico no outro. Vou indo agora, pode continuar dormindo. — Tive que ceder e sugerir um plano para ele, que se recusava a sair.

Dominic parecia insatisfeito com minha sugestão.

— Não vá. Você pode continuar dormindo em paz. Não vou fazer bagunça; prometo que não vou perturbar seu sono — sua voz era abafada. Ele realmente não queria voltar, então continuou deitado no tapete, firme em sua atitude.

Não disse nada, mas também não estava de acordo com sua sugestão. Permaneci quieto, com um olhar afiado.

— Vou dormir ao lado da sua cama. — Ele rolou para o lado, preguiçosamente. — Não durmo há várias noites; mesmo com álcool no meu corpo, não consigo dormir. — Ele franziu as sobrancelhas e ficou quieto, puxando o cobertor sobre si. Seus cílios longos e espessos piscavam vez ou outra. — Só hoje…

Poucas vezes Dom pediu algo; podia contar a quantidade em apenas uma mão. Ele nunca gostou de pedir favores a ninguém.

Desde jovem, Dominic não gostava de confiar seus desejos ou pedir ajuda a ninguém. Silencioso, mas racional, ele era alguém que considerava as coisas cuidadosamente antes de decidir se deveria pedir ajuda ou não.

Ademais, uma vez que ele fazia isso, raramente voltava a pedir favores. No final das contas, as pessoas o ajudavam esperando algo em troca. Almejando se aproveitar dele, portanto, era natural que ele odiasse a ideia de pedir ajuda ou favores a alguém.

Ele virou-se para mim e parou por um momento, esperando ver o que mais eu tinha a dizer. Seus olhos brilhantes olhavam nos meus, sem dizer nada.

— Faça como quiser. Apenas certifique-se de não me culpar depois. — Dom acenou. Inesperadamente, o homem deitado no meu tapete conseguia expressar alguma humanidade de vez em quando.

Dessa vez, a bebida alcoólica que ele ingeriu deveria ser realmente forte ao ponto de fazê-lo pedir um favor sem cabimento como esse.

Embora eu concordasse, ele permaneceu calado. Perto dele, meus sentimentos eram como um castelo de areia à beira-mar.

Franzi as sobrancelhas e não deixei de me perguntar mentalmente por que Dominic estava fazendo isso, mas não conseguia encontrar resposta. A expressão facial dele permanecia uniforme; era muito difícil adivinhar seus pensamentos. Cansado, balancei a cabeça; o melhor era não pensar muito nisso.

Quando voltei a deitar, olhei para o espaço ao lado da minha cama. Dom já dormia profundamente sobre o meu tapete, agarrado ao cobertor, com uma expressão de satisfação no rosto. Não conseguia entender o que havia de tão confortável naquele tapete para que ele insistisse em dormir ali.

Mas há uma coisa que devo admitir: ele estava diferente do habitual.

 

 

 

Capítulo 20
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