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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 21

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Desliguei o despertador e sentei-me. Olhei para ele, dormindo profundamente no chão. Seu cabelo estava desgrenhado — permanecia do mesmo jeito que o encontrei ontem.

Ele agarrou o tapete contra si com uma mão e abraçou meus chinelos com a outra.

— Hora de levantar. — Cutuquei-o com um dos meus pés. — Acorde e passe os meus chinelos! — Meu tom estava mais elevado desta vez.

Dom franziu a testa e virou-se, ainda segurando os chinelos, parecendo não ter notado o que estava acontecendo.

Dominic finalmente abriu um pouco os olhos e acordou lentamente. Olhou para mim com uma expressão carrancuda, esfregou os olhos, ainda incerto sobre o que estava acontecendo.

— Acorde! Tenho que ir ao hospital. — Apanhei meus chinelos e fui em direção ao banheiro.

Dominic se levantou, bagunçou o cabelo enquanto parecia meio adormecido e voltou para o seu quarto, levando o cobertor.

Até o lampejo dos seus movimentos satânicos, sua expressão estúpida de quem acabou de acordar era sua maior sedução; criava abismos de paixão que aturdia com veemência a alma de qualquer pobre diabo… Não poderia negar.

Não muito depois, enquanto Dom ainda escovava os dentes, vesti-me, organizei meu quarto e fui até ele.

— Luciana não vem hoje e não tenho ninguém para me acompanhar ao hospital. — Bati na porta do banheiro. — Depois de ir ao hospital, tenho que comprar algo para o bebê; preciso que vá comigo.

— Vou chamar um táxi para você, ou use meu carro — disse indiferente do outro lado da porta. — Vou te dar um cartão, não se preocupe.

Não gostava de pedir favores, principalmente para ele. Mas hoje não tinha alternativa. Tia Lu e Zhang não podiam me acompanhar.

— Não seja idiota, realmente preciso da sua ajuda. — Abri a porta e olhei para ele. Ele segurava a escova com força, sem fazer pausa. — Vai me acompanhar ou não?

— Antes de ir para o hospital, vou enviar alguns documentos para a empresa e irei com você. — Não me olhou, apenas disse e continuou escovando os dentes.

Fui ao meu quarto pegar o celular e minha carteira. Como não tinha mais nada para fazer, depois de pentear o cabelo e vestir meu casaco, fui para a sala e sentei no sofá esperando ele sair do quarto.

Dom vestia um terno elegante com gravata azul. Tinha a expressão fria de sempre. Foi até a cozinha para beber uma vitamina de kiwi com um analgésico para dor de cabeça. Assim que terminou, veio a passos largos para a sala e passou por mim.

— Vamos — chamou enquanto abria a porta. — Não sei nada sobre comprar roupas para crianças. Vou deixá-la na entrada do shopping e lhe dar um cartão. Você pode comprar o que precisar — disse. Saímos do elevador e fomos para o estacionamento. Dom continuou falando enquanto ligava o motor do carro: — Oh! Espere, você ainda tem o meu número, certo?

— Sim, tenho — respondi. Ele jamais salvou meu contato depois que o excluiu. — Quando terminarmos, quero que me leve de volta para casa.

— Vou esperá-la do lado de fora, na cafeteria ao lado, e venho buscá-la quando me chamar — respondeu calmamente e se concentrou em dirigir.

Pouco depois, chegamos ao hospital.

Depois que estacionou o carro, ele andou ao meu lado enquanto eu o conduzia. O hospital estava cheio como sempre. Toda vez que voltava aqui, ainda me sentia como no dia em que recebi os exames, quando pensei que ia fazer a cirurgia e não fiz.

Não gostava do cheiro de desinfetante no ar, nem das expressões de dor e sofrimento. Em vez de dizer que odiava, a expressão mais apropriada seria dizer que tinha medo.

Estava com medo, medo de ver aqueles rostos pálidos e doentes. Depois que você passa a vir ao hospital com frequência, é capaz de perceber o quão a vida parece insignificante; não tem como saber quando vamos embora.

Após o check-up regular, chegamos à sala de ultrassom.

— Tire sua camisa para fazer o ultrassom. — O médico usava máscara e olhou para mim sem qualquer expressão. Inicialmente ele sempre parecia sério, igual suas características faciais.

Olhei de relance para Dom; sentia-me um pouco desconfortável, acuado. Ele estava parado ali, ereto como um lápis. Não tinha nenhuma expressão e virou-se para não me olhar.

Voltei minha atenção para o médico. Puxei a camisa para cima, revelando o abdômen, e deitei na cama.

O médico seguiu com seu trabalho normalmente. Observei quando colocou um pouco de gel frio sobre meu abdômen. A mão que segurava a sonda parou no meio do processo, intrigado. Sua postura petrificada indicava algo errado.

— O que está acontecendo? O medicamento que lhe dei há alguns dias não está funcionando? Sua dilatação está ruim. — O médico olhou para mim e franziu a testa. Depois olhou para o monitor e acrescentou: — Sua placenta corre o risco de se desvincular do útero.

— Eu… acidentalmente caí há alguns dias — falei sem jeito. — Esbarrei em um bêbado.

Em determinado momento, ele voltou a fazer o exame, mas logo parou novamente.

A mão do doutor usou um pouco mais de força conforme se aproximava do monitor, como se tivesse visto algo errado. A sonda deixou uma marca na minha pele; o médico franziu a testa novamente enquanto olhava a tela. Parecia descontente.

— Já disse “seja cuidadoso” diversas vezes; quantas mais vou ter que dizer? Dado o seu estado, eu deveria ter feito você ficar no hospital para acompanhamento absoluto. — O médico parecia sério e um pouco irritado. Como não podia me manter no hospital à força, pediu que eu frequentasse o hospital uma vez por semana.

O obstetra retirou a sonda, limpou-a e imprimiu a folha do ultrassom. Levantou-se para pegar uma toalha de papel e disse para limpar o gel do meu abdômen.

— Prometo que vou ser mais cuidadoso — comecei a explicar para que o médico não insistisse em me manter ali. Baixei a cabeça para limpar o gel rapidamente. — Vou me cuidar mais, prometo. — Vesti minha roupa.

— Você é parente do paciente? — O médico olhou para Dominic, que estava parado de costas, sem dizer uma palavra, e perguntou. Dom apenas acenou com a cabeça. — Qual é o seu relacionamento? Vocês são primos? Irmãos? — O médico olhou entre Dominic e eu com curiosidade.

Mas não importava como eu olhasse para isso, não tínhamos nenhuma semelhança para que alguém pensasse que éramos parentes.

— Somos… casados — ele respondeu hesitante, depois se virou; sua expressão era como gelo, escondendo todos os seus sentimentos, evitando que alguém os lesse.

O médico pretendia dizer algo mais, mas foi interrompido pelo toque do celular de Dominic. Sem esperar a resposta do médico, ele olhou para a tela e saiu do quarto para atender a ligação.

Ambos olhamos para a porta fechada e ficamos em um silêncio recôndito que parecia nosso amigo íntimo.

— Ele não sabe, estou errado? — o médico me perguntou em voz baixa.

— Não — respondi cabisbaixo.

— Tome cuidado, cuide de você. Tome os remédios e não deixe de fazer longas caminhadas. Vai ajudar na sua dilatação e diminuirá sua ansiedade. Você melhor que ninguém sabe da sua condição. — Tomei um pequeno susto com o toque repentino do médico, que afagou meus cabelos. — Se precisar de qualquer coisa, venha até mim. — O médico deu um pequeno sorriso gentil; já era um homem de meia-idade e, naquele momento, parecia mais um pai do que um médico.

Seu nome era Thomas. Ele fazia parte da equipe que me atendeu tempos atrás, além de ser acionista do hospital e amigo de Zhang. Raramente era gentil com seus pacientes.

— Desculpe o incômodo. — Dom abriu a porta e entrou na sala.

Quando ouvi a porta se abrir, virei para olhá-lo. O médico ainda afagava meus cabelos. Pelo que vi, Dominic não parecia incomodado, mas havia algo a mais no seu olhar que veio e foi tão rápido quanto um flash, captado por um milésimo de segundo.

— Há um assunto urgente na empresa. Tenho que voltar o mais rápido possível — disse Dominic.

Fiquei decepcionado com ele, então disse que tudo bem enquanto observava o médico prescrever mais uma receita.

— Pegue esse cartão e vá ao shopping mais próximo para comprar algumas coisas. Me ligue quando terminar suas compras que eu venho te buscar. — Dominic se aproximou, tirou um cartão de crédito e entregou para mim.

Não tive escolha senão levantar a mão para pegar o cartão e guardá-lo no bolso do casaco.

Não tive escolha a não ser levantar a mão para pegar o cartão da sua mão e o guardei no bolso do meu casaco.

— Eu entendo. Se você tem algo para fazer, volte primeiro. — Virei para ele e disse isso mecanicamente, com um sorriso forçado.

O médico parecia perplexo enquanto observava nós dois. Estava claro que nosso relacionamento não era dos melhores, dada a forma como Dom não hesitou em nada ao me deixar, abrindo a porta e saindo sem esperar que eu terminasse de falar. Meu olhar o seguiu quando saiu; olhei mais um pouco para a porta.

A indiferença dele, enquanto o médico dizia que meu estado de saúde não era bom, não parecia algo que um marido amoroso faria.

Ambos estávamos muito distantes um do outro; nada no cenário se assemelhava à atmosfera de um casal que iria ter um filho. Longe de como costumava ser.

Então, depois que Dom saiu, o médico não pôde deixar de perguntar: — Vocês estão realmente casados? Ele é realmente seu marido? — A testa do homem estava enrugada em descrença.

— Sim, ele é. — Fiquei surpreso por um momento, mas logo me recuperei. Não imaginei que ele faria tal pergunta.

— Que tipo de marido deixa seu parceiro sozinho em um hospital?

Algumas coisas não podiam ser escondidas; não importava o quanto tentasse disfarçar, ainda não conseguiria mudar a realidade de que meu marido não me amava.

Isso deu espaço a algo reprimido dentro de mim: um vácuo, um sentimento que não sabia definir nem nomear, que, lenta e gradativamente, se transformava em algo tão forte que meu coração não conseguia repelir.

Algum dia, não estarei mais absorto nessa prisão.

 

 

 

Capítulo 21
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