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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 22

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Ao sair do hospital, decidi comprar o que faltava para a criança.

Quando me olhei no espelho, percebi que minhas roupas eram péssimas combinações para usar. A camiseta, que era minha favorita, era grande e parecia um vestido. Resolvi, então, comprar roupas mais confortáveis e apropriadas, que não fossem tão bregas.

Com esse pensamento, entrei no shopping mais próximo. O lugar era tão grande que mal conseguia me orientar. Perguntei-me há quantos anos não visitava um lugar assim. Fiquei parado, olhando ao redor por um tempo, até encontrar uma loja de roupas masculinas que chamou minha atenção. Ao entrar, vi uma extensa exposição de roupas e fiquei um pouco apreensivo e perdido.

Encontrar roupas para um homem gestante não era fácil, mas consegui identificar alguns setores.

— Com licença, posso ajudá-lo? — um vendedor surgiu atrás de mim, sorrindo com sua habitual cordialidade.

— Estou aqui para comprar roupas de gestante — disse, passando a mão pelas araras cheias de peças.

— Para alguém gestante, você está bastante magro. Pode considerar isso. Deve servir para você — o vendedor me avaliou e apontou para uma peça que o manequim usava. — Não teremos dificuldades para encontrar roupas; você tem um corpo proporcional.

— Vou ficar com elas — respondi, olhando a peça. Não era tão ruim.

O vendedor pareceu chocado quando finalmente olhei para ele. Minhas palavras, de alguma forma, o atingiram.

— É caro? — perguntei.

— O conjunto todo está em torno de mil reais — respondeu, como se já tivesse lidado com clientes indecisos antes, mas nunca com alguém que comprasse tão rapidamente sem questionar o preço.

Ele permaneceu imóvel, surpreso.

— Certo, eu pago. Apenas me ajude a dar uma olhada. Desde que seja do meu tamanho, vou comprar — disse. O vendedor ainda estava surpreso por vender uma peça tão cara em menos de um minuto.

Sentei-me no pequeno sofá próximo, despreocupado. Já que havia encontrado uma boa loja, não tinha mais com que me preocupar.

— Vou separar todas as peças que vão ficar bem em você — disse o vendedor, olhando para mim apreensivamente.

Fiquei observando a movimentação na loja enquanto descansava as pernas. O lugar era frequentado por clientes de elite, com uma arquitetura chique e cuidadosamente planejada para atender pessoas importantes. Na minha juventude, nunca entrei em uma loja assim; não tinha condição.

— Temos essas peças que vão lhe cair como uma luva. Veja como são bonitas — o vendedor trouxe várias roupas, todas realmente bonitas. — Viu? Gostou?

Ele parecia mais empolgado do que eu ao escolher cada peça.

— Sim, são boas — respondi, pegando algumas e olhando uma a uma. Eram ótimas, não muito folgadas, o que era raro em um varapau como eu.

— Qual o sexo do bebê? — perguntou. Deixei as roupas de lado, surpreso com a pergunta.

— É um menino — respondi, observando-o enquanto ele parou ao meu lado.

— Vai levar mais alguma peça? Quer uma água ou um suco? — perguntou respeitosamente.

— Não, obrigado. Não quero mais nada — respondi.

Sob o olhar chocado da recepcionista, finalizei a compra mais rápida da história da loja e fui embora.

Como o dinheiro não era meu, não importava. Mais cedo, havia recusado ajuda, mas as roupas não eram só para mim; também vestiriam o bebê.

Quando finalmente tinha tudo que precisava, depois de vagar pelo shopping procurando as últimas coisas para a criança, percebi que o céu havia escurecido, e camadas de nuvens se comprimiam ameaçadoramente no alto.

Lembrei do que Dom havia dito mais cedo sobre ligar para ele me buscar. O problema era que ele não atendia minhas ligações.

Tentei mais três vezes, sem sucesso. Por que mandou ligar se não ia atender? Estava em uma situação particularmente embaraçosa.

O céu estava escuro, e soltei um suspiro desanimado. Os postes de luz estavam acesos, e o ar úmido e solitário indicava que uma chuva forte se aproximava.

Depois de alguns passos, percebi uma sombra logo atrás de mim.

Olhei discretamente pela janela de vidro da cafeteria e vi um homem usando boné de beisebol. Seu olhar era medonho, havia algo errado, embora ele evitasse olhar diretamente para mim. Sua postura era estranha.

Pretendia me livrar dele silenciosamente, sem pestanejar.

O som dos seus passos criava ruídos excêntricos, como os passos de um diabrete perseguindo sua presa. Perto de uma esquina, percebi que não era apenas um homem me seguindo.

Presumindo que não conseguiria lidar facilmente com isso, coloquei os fones de ouvido — disfarçando — e liguei para Dom.

No entanto, a ligação não foi completada, e meus perseguidores estavam cada vez mais perto.

Fiz outra ligação, desta vez para a polícia. Informei ao atendente que alguém estava me seguindo. Ele perguntou onde eu estava, mas não deu tempo de revelar a localização exata.

A ligação estava ruim e acabou sendo transferida para a polícia estadual, e não para a local.

No telefone, só ouvia uma gravação, uma voz feminina perguntando minha localização. Percebi que era inútil continuar tentando; a ligação não adiantaria.

Estava pronto para pedir ajuda às pessoas ao redor, mas ao olhar para frente, meus passos congelaram.

Um sentimento mórbido me invadiu, intenso e ardente por todo o corpo.

Sem perceber, entrei num longo beco.

No beco, só havia postes de luz que brilhavam com um amarelo lúgubre, alguns prédios antigos, e a superfície da rua estava cheia de buracos.

Em contrapartida, do outro lado do beco, havia uma rua bem iluminada e movimentada. Um pouco mais adiante, ficava a empresa de Dom, depois daquela rua.

Um trovão soou de repente, e gotas de chuva, do tamanho de grãos, começaram a cair. Meu coração disparou. Respirei fundo algumas vezes para acalmar os batimentos e estabilizar os passos.

Minha mão estava no bolso, tentando digitar e enviar uma mensagem curta para Dom enquanto caminhava apressadamente. O ar frio cortava minha pele a cada passo, como uma lâmina cega.

Começou a chover, e as gotas caíam apressadas no chão.

O som da chuva ecoava em meus ouvidos. A pessoa atrás de mim se aproximava, seus passos faziam barulho ao pisar nas poças d’água.

Ele estava cada vez mais perto.

Olhei para a claridade da rua não muito longe e comecei a andar mais rápido. Desta vez, realmente corria.

Tudo ficaria bem, desde que eu conseguisse sair daquele beco.

Naquele instante, não sei que súbito autodomínio tomou conta de mim. Sentia pavor, mas não era exatamente medo de um mal físico, um sentimento que não saberia definir.

Continuei recuando o máximo que podia daquele lugar sórdido.

Meu cabelo estava molhado, grudava suavemente no rosto. As gotas de chuva caíam nos olhos, turvando minha visão.

Tudo o que podia fazer era correr entre os borrões da chuva, em direção à luz, na esperança de encontrar alguém.

Foi então que o vi…

Outro homem parado no meio do beco escuro.

Seu sorriso transcendia a diabrura. Tive certeza de que jamais esqueceria aquela sensação assustadora pelo resto da minha vida.

 

 

 

Capítulo 22
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A Década Depois Da Primavera

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“𝚀𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚟𝚘𝚌ê 𝚜𝚎 𝚊𝚙𝚊𝚒𝚡𝚘𝚗𝚊 𝚙𝚎𝚕𝚊 𝚙𝚎𝚜𝚜𝚘𝚊...

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  • Capítulo 23
  • Capítulo 22
  • Capítulo 21
  • Capítulo 20
  • Capítulo 19
  • Capítulo 18
  • Capítulo 17
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  • Capítulo 15
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