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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 26

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Cuidadosamente, o envolvi na minha jaqueta.

Tinha receio de tocá-lo, as lembranças vinham como fantasmas. O que ele fez anos atrás me perseguia brutalmente. Foi quando acidentalmente toquei um líquido pegajoso na parte de trás da sua cabeça.

Sob a luz fraca da lâmpada, vi uma mancha vermelha escura na palma da mão. Era a cor do sangue misturado com sujeira. Não houve mais nenhum som vindo de Oscar. Sua cabeça estava encostada no meu peito, enquanto sua mão pendia no chão sujo.

Tinha o dever de cuidar deles, ou ia perdê-los, a voz no meu subconsciente cochichou como a serpente que tentou Eva. Tinha um sotaque misterioso e anormal. Não devia ficar remoendo o passado; deveria cuidar deles. Minhas emoções estavam agitadas, conflituosas, mas as contive.

O abracei enquanto estancava desesperadamente seu sangue. Não pude fazer mais nada. Não me atrevi a tocá-lo novamente, com medo de que o ferimento atrás da cabeça ficasse mais sério.

Olhar para seu rosto pálido era uma tortura para mim. Cada minuto que passava parecia um ano; no entanto, esperei apenas dez minutos por ajuda.

A ambulância e a polícia local estacionaram juntas. Os agressores foram levados um a um; desejava o pior que existia neste mundo para cada um deles.

— Por favor, espere do lado de fora primeiro. Iremos informá-lo se algo acontecer. — A enfermeira e o médico do lado de fora da sala proibiram minha entrada depois de entrar com Oscar na sala de emergência.

— Você está ferido também? Por que não limpa seu ferimento primeiro? — Uma enfermeira ao lado aconselhou gentilmente ao ver alguns vestígios de sangue no meu braço, bem como minha aparência desgrenhada.

Desviei o olhar da sala de emergência para averiguar meu braço e minha camisa.

— Estou bem. Este sangue é dele. — Minhas palavras não tinham emoção alguma.

Uma vez resolvidos os procedimentos administrativos, continuei esperando na entrada do pronto-socorro. Porém, não demorou muito até que me chamassem.

Meu coração disparou quando me levantei e fui até a entrada da sala. Foi então que vi o médico.

— Quem é o parente de Oscar?

— Eu sou. O que aconteceu com ele?

— Por favor, siga-me. — O médico empurrou a porta e fez sinal para que o seguisse. — A gestação está bem, não há problema. O pai, no entanto, tem um ferimento na cabeça e continua sangrando. Ele não está cooperando. Precisamos suturar e enfaixar seus ferimentos imediatamente, mas ele parece estar em transe e continua resistindo.

Olhei para Oscar e congelei no lugar por um tempo.

Avancei lentamente. As enfermeiras ao lado automaticamente abriram caminho para mim. Toquei sua mão, que estava firmemente segura contra a cama pela enfermeira.

Diversas vezes ouvi as pessoas dizerem que sou sempre racional, calmo, objetivo e, às vezes, sem coração. No entanto, a gentileza e a mágoa reveladas em mim não pareciam comigo mesmo. Somente Oscar tinha esse poder sobre mim. Da mesma maneira que só ele tinha o poder de revelar o melhor e o pior em mim.

— Ah! Vão embora! — Oscar continuou balançando a cabeça, gemendo. Parecia estar em transe, num profundo pesadelo.

Acariciei sua mão. Abaixei-me para sussurrar suavemente em seus ouvidos; minha voz era rouca. Meu tom foi surpreendentemente gentil.

— Desculpe, se eu tivesse atendido sua ligação… — Parecia que ele havia ouvido não minhas palavras, mas a emoção contida nelas.

Ele lentamente parou de mover seu corpo inquieto. Abriu os olhos para me olhar com seu rosto pálido.

Parecia relutante em acreditar se era realidade ou ilusão. Então falou meu nome, não qualquer palavra, mas meu nome. Furtivamente e intimamente falou-o.

— Oscar — falei. Minhas mãos tremeram; a emoção nova me fazia sentir estranho.

Lentamente e gradualmente, Oscar se acalmou. Fechou os olhos e acariciei seu rosto.

Os que viram pensaram ser compreensão e aprovaram o ato. Não sabiam o que eu sentia. Era estranho e avassalador. Por loucura, sanidade ou seja o que for, deixei o sentimento de lado.

A enfermeira que estava sentada ao lado rapidamente pegou as ferramentas de sutura assim que ele se acalmou. Preparou-se para limpar o ferimento na nuca.

— Não é tão doloroso, demos anestesia a ele. No entanto, tem certeza que quer ficar? A visão de sua ferida pode ser um pouco…

— Ele é o único suportando dor. Não há problema em ficar ao lado dele. — Agarrei ainda mais sua mão. Provavelmente ia ficar vermelha.

O médico não disse mais nada. Deu-lhe mais uma injeção de anestésico e raspou uma pequena parte de seu cabelo na parte de trás da cabeça. Então limpou o sangue e a sujeira ao redor e começou a suturar a ferida.

Pela primeira vez, me senti absolutamente impotente. Pude apenas olhar para ele deitado de lado, enquanto o médico costurava seu ferimento atentamente.

Não podia ignorar seu rosto pálido e branco, ignorar seu corpo coberto de sujeira e ignorar as mãos do médico que continuavam suturando; ele parecia alheio à situação.

Não poderia deixar de compartilhar o fardo de toda a dor que ele havia sofrido. Depois que o médico terminou de limpar o ferimento na cabeça, retirou suas luvas.

Ele cuidadosamente colocou sua cabeça de volta no travesseiro para evitar qualquer pressão sobre a ferida. Oscar recebeu cinco pontos. Ia ser lento, mas seus fios voltariam a crescer.

Após duas horas, depois que o médico saiu, Oscar fez uma tomografia para verificar se havia sangramento interno na cabeça. Verificaram se tinha sangramento interno em outras partes do corpo.

Entramos e saímos de várias salas de check-up para fazer testes, do departamento de obstetrícia, cardiologia e neurologia para o departamento de ortopedia. Nos resultados, não houve problemas e não precisaria de nenhuma cirurgia. O único problema era a condição do seu corpo, que tinha uma recuperação lenta e levaria um tempo.

— A condição do seu corpo não é boa. Ele está muito fraco, precisa se cuidar. — Fez-se silêncio; o médico parecia pensar em algo. — Ele sofreu algum acidente recentemente?

— Apenas uma queda, apenas isso. — Respondi e o diálogo parou por aí. Pareceu se conformar com a resposta e foi embora.

Quando tudo acabou, continuei segurando sua mão sentado ao lado dele. Relaxei enquanto ouvia sua respiração estável, o som era cômodo e doce.

Não era Zhang, Luciana ou qualquer outro que estava ao seu lado,era somente eu e o bebê. Ninguém mais.

 

 

 

Capítulo 26
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