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[ ! ] ATENÇÃO: essa história aborda temas sensíveis e contém abuso sexual entre outros tópicos dentro da novel, esteja ciente que é um angst com happy ending.
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#Prólogo
O silêncio sombrio que pairava sobre o corredor foi feito em pedaços pelo barulho forte de passos apressados. O homem, correndo sem fôlego até o limite de suas forças, chegou ao quarto no fim do corredor e escancarou a porta sem ao menos bater.
Dentro do quarto, um jovem garoto ainda dormia alheio ao mundo.
O homem, com o rosto pálido de pavor, cruzou o quarto, agarrou o corpo do garoto e o chacoalhou freneticamente. Para o menino que esfregava os olhos sonolentos ao acordar, ele gritou com urgência:
“Yohan, fuja! Depressa! Tem gente vindo para cá agora mesmo!”
“Pessoas? Quem…?” Ainda sem espantar totalmente o sono, o garoto perguntou com uma expressão confusa.
O homem deu um suspiro impaciente e apressou-se em acrescentar.
“Por quem você acha que seria? Estão vindo para capturar você! Espante esse sono e levante-se agora mesmo!”
“Eu? Por que, por quê?”
O homem olhou para Yohan, que parecia assustado e atônito, e falou como se achasse aquilo uma tolice:
“Porque você é um Ômega!” Yohan não conseguiu continuar a frase e apenas arregalou os olhos. O homem segurou seu braço, puxando-o à força enquanto continuava a falar: “Eu vou conter as coisas por aqui por enquanto, então fuja rápido. Deixei um mensageiro lá fora, ele vai te levar até o lugar onde você vai ficar. Por enquanto, esconda-se lá. Se por acaso você for descoberto, será o fim de tudo. Entendeu?”
“M-mas…” Yohan queria continuar perguntando, mas não havia tempo para isso.
O homem o segurou e o arrastou enquanto continuava a falar.
“Não temos tempo para isso. Se hesitar e perder a oportunidade, será o fim. Você tem que fugir, rápido!”
Sem tempo para pensar, Yohan foi arrastado para fora. Quando estavam prestes a descer as escadas, um gato que havia acabado de acordar veio atrás deles.
“Rikal!” Assim que Yohan se apressou em pegar o gato no colo, o homem estalou a língua brevemente, segurou a mão dele novamente e apertou o passo com urgência.
Ao saírem, o mensageiro que o homem havia preparado já esperava no carro carregado com vários mantimentos. O homem deu um empurrão nas costas de Yohan e falou:
“Agora, entre no carro rápido. Vá para Said.”
Said era um oásis isolado, situado a uma boa distância da mansão. Poucas pessoas conheciam aquele lugar e, por ser parte das terras pertencentes à família, era quase impossível que algum forasteiro o visitasse.
Portanto, era o lugar mais seguro para se esconder e viver.
No entanto, Yohan não conseguia partir de bom grado.
“E-eu vou ter que ficar sozinho naquele lugar?” Para o empalidecido Yohan, o homem apressou-se em persuadi-lo.
“Se você for para o deserto, eles não vão mais persegui-lo. É só ficar escondido lá por um tempo. O que aconteceria se você ficasse e acabasse sendo levado? O que seria da nossa família? Além do mais, se descobrirem que escondemos a sete chaves o fato do herdeiro ter se manifestado como Ômega…”
Ele fez uma pausa na fala, parecendo não querer nem imaginar tal cenário, e continuou:
“A família não apenas ruirá, como as sepulturas dos seus pais também não ficarão em paz. Com certeza serão profanadas e desgraçadas. É claro que sim, sem dúvidas.”
Vendo Yohan encolher os ombros sem saber o que fazer diante de tal pavor, o homem acrescentou dessa vez em tom consolador.
“E o que aconteceria com você? Se for levado e passar por algo terrível, com que cara eu olharia para o meu falecido irmão e para a minha cunhada? Não é mesmo? Apenas esconda-se por enquanto. Eu chamarei você de volta quando achar o momento certo. Até lá, tome cuidado para não ser visto por ninguém. Entendeu?”
Diante das recomendações reiteradas, Yohan não teve outra escolha a não ser concordar com a cabeça.
“Sim, tio.”
“Isso, assim mesmo.” O homem acariciou a cabeça de Yohan.
Mesmo entrando no carro conforme lhe fora ordenado, Yohan continuava confuso. Fazia apenas meio ano desde que Yohan havia se manifestado.
Como a notícia poderia ter vazado?
“Não se preocupe, eu vou te tirar daqui assim que terminar todos os preparativos. Eu não prometi que cumpriria o último desejo da sua mãe?”
Yohan hesitou por um momento e respondeu que sim. Bem naquela hora, ouviu-se o som de um motor de carro vindo de longe. Com o barulho do veículo se aproximando da mansão, não podiam mais perder tempo.
“Obrigado, tio. Que Deus esteja com o senhor.”
“Que Deus proteja você.”
Depois de trocarem despedidas, eles recuaram rapidamente.
Yohan entrou no carro logo em seguida junto com o gato, e o mensageiro no banco do motorista deu partida imediatamente. O tio ficou parado, observando sem se mover enquanto eles desapareciam às pressas pelo portão dos fundos. Apenas alguns minutos depois, vários veículos pararam em frente ao portão principal.
O tio virou-se e foi em direção à porta.
Ao vê-lo abrir a porta pessoalmente, uma mulher que havia descido do carro aproximou-se e perguntou:
“Jarwal, meu amor. Como foi?” Diante da pergunta impregnada de expectativa e ansiedade, Jarwal sorriu radiante e abriu os braços.
Ao ver aquela cena, a mulher, que também deu um sorriso radiante, atirou-se nos braços dele. Jarwal a abraçou e respondeu satisfeito: “Deu tudo certo, claro, querida. Isso tudo agora é nosso. Meu precioso sobrinho foi embora levando apenas um único gato.”
“Ah, então ele é um sobrinho muito precioso e agradecido.” Ela deu um sorriso doce e beijou os lábios do marido. “Deixar toda a imensa fortuna do seu irmão mais velho para nós… Existe algum outro sobrinho tão adorável assim?”
Então, Jarwal arregalou os olhos e pontuou.
“Com um tio tão atencioso quanto eu, uma recompensa desse nível é mais do que merecida. Se eu não tivesse avisado com antecedência assim, Yohan teria sido descoberto como Ômega a qualquer momento e teria passado por coisas terríveis. Graças a mim, ele salvou a própria vida e ainda evitou uma desgraça feia.”
A esposa, que lhe deu um olhar de esguelha, perguntou intrigada.
“Mas por que você fez questão de deixá-lo fugir? Se usasse os meios adequados para dar um jeito nele e sumir com ele definitivamente, tudo isso seria nosso agora mesmo.”
“Querida, quando se caça um leão, deve-se devorar até os ossos. Seja paciente. Se esperarmos apenas mais 7 anos, poderemos usar como quisermos o fundo fiduciário destinado a ele.”
“Existe um fundo fiduciário?”
“Sim, meu irmão deixou guardado para que ele pudesse usar quando completasse vinte anos. Se algo acontecer com o Yohan antes disso, é um dinheiro que simplesmente desaparece. Portanto, até lá, aquele garoto precisa continuar vivo, de um jeito ou de outro.”
“E se aquele garoto perceber algo no meio do caminho e voltar?”
Jarwal desatou a rir.
“Voltar? O lugar para onde aquele garoto foi é apenas um oásis abandonado. Não dá para fazer chamadas telefônicas e não passa ninguém por lá. O que um garotinho como ele poderia saber?”
Só então a esposa esboçou um sorriso radiante no rosto.
“Ah, que vilão. Pensou em absolutamente tudo. Então isso é tudo seu, meu e do Salman.”
Jarwal virou a cabeça, olhou para a luxuosa mansão e sorriu.
“Vamos agradecer a Deus por ter feito Yohan se manifestar como um Ômega.”
A esposa dele também sorriu. Ela deu passos leves para entrar na casa enquanto dizia: “E vamos agradecer também àquela mulher ingênua que, por você ser irmão do falecido marido dela, contou tudo para você antes de morrer.”
Jarwal rir alto e eles caminharam juntos e carinhosamente para dentro da mansão.
E assim, 6 anos se passaram.
#01
O gato, que acordou cedo, arranhava ao redor e miava insistentemente pedindo comida.
Eu, que precisei ficar agachado até tarde da noite passada para terminar o trabalho, queria dormir mais um pouco, mas Rikal parecia não ter a menor paciência para esperar.
Ele continuava miando, dando patadinhas no meu cabelo com as patas dianteiras, rondando meu rosto para me cheirar e correndo agitado ao redor do meu corpo, até que finalmente levantei as pálpebras cansadas.
“Rikal, dormiu bem?” Cumprimentei o gato e o pousei no colo; Rikal imediatamente se aconchegou no meu peito e começou a lamber meu rosto.
Sua língua áspera pinicava, mas deixei que fizesse o que quisesse. Pensar que era tudo demonstração de afeto fazia com que eu não me importasse nem um pouco.
Rikal, que havia saído da mansão comigo, era a única família que me restava.
Às vezes, eu sentia medo pensando no que faria se Rikal de repente não me acordasse mais. Hoje, sem falta, abracei com cuidado o precioso gato que me acordou e desci da cama.
Mesmo chamando de cama, não passava de um estrado duro com um pouco de pano empilhado por cima, longe de ser um colchão.
Caminhando descalço, fui em direção à pequena cozinha improvisada em uma das paredes e comecei a preparar a comida de Rikal. O gato, tão magro quanto eu, miava ainda mais dolorosamente, subia no meu ombro, passava para o outro ombro e depois voltava para a posição original.
“Pronto, Rikal. Espera só mais um pouquinho. Bom garoto.”
Virei a cabeça, dei um beijo no topo da cabeça do gato e voltei a preparar a tigela de comida. A pequena prateleira, posicionada ao alcance da minha mão, era o meu precioso armário. De lá, tirei um peixe seco que havia conseguido a custos muito altos, cortei uma parte e coloquei sobre o prato gasto; em seguida, peguei o arroz.
“Ah…” Um suspiro escapou sem que eu percebesse.
Em um dos cantos do arroz que eu vinha guardando com tanto cuidado, havia um mofo esbranquiçado.
Hesitei por um momento, mas retirei a parte mofada e coloquei o restante do arroz na tigela de Rikal. O arroz, frio e endurecido, deu bastante trabalho para misturar. Adicionei um pouco da água que havia pegado no dia anterior, coloquei força na mão que segurava a colher e consegui misturar bem o peixe e o arroz.
Rikal, que havia saído do meu colo bem cedo para ver a comida ser preparada, continuava circulando ao redor dos meus pés e miando.
“Pronto, Rikal. Me desculpe. Esperou muito?”
Assim que coloquei a tigela gasta com aquela refeição simples no chão, Rikal começou a devorar a comida devorando-a rapidamente.
Fiquei agachado ao seu lado observando aquela cena por um tempo e depois peguei o resto do arroz — aquele do qual eu tinha tirado a parte mofada. Pensei por um instante, mas se não comesse nem isso, não teria mais nada para comer hoje.
Tomei coragem e fui colocando na boca, aos poucos, a parte que tinha menos mofo, misturada com água.
Ao checar a data, dei um pequeno suspiro.
Hoje era o dia em que o mensageiro do meu tio traria mantimentos, algo que acontecia uma vez por mês. No entanto, como era comum ele se atrasar um ou dois dias, eu não tinha como garantir que conseguiria comer mais hoje.
Além disso, a quantidade de comida era absurdamente pouca para aguentar um mês inteiro, então nessa época eu sempre acabava passando fome.
Rikal às vezes caçava ratos para comer, mas caçar não era nada fácil. Como ele falhava na maioria das vezes, estava sempre de barriga vazia. Mas eu também não tinha o que fazer para mudar aquilo.
Como esperado, Rikal acabou de comer tudo num piscar de olhos e veio se esfregar em mim. Abracei o gato no meu colo e terminei de comer todo o resto do arroz.
Ele vai vir hoje, pensei comigo mesmo, tentando me reconfortar. É só aguentar mais algumas horas. Pelo menos hoje vou conseguir dar bastante comida para o Rikal.
Levantei-me apressado, mas fiquei tonto de repente e me apoiei na parede.
“…Ah.” Minha visão voltou a embaçar, e passei as costas da mão nos olhos.
De uns tempos para cá, minha vista vinha piorando gradativamente, e ultimamente nem enxergava as coisas com clareza. Quando parei de me mover e fechei os olhos, Rikal começou a esfregar a cabeça em mim e a miar. Para me consolar com aquele gesto, abracei o gato bem apertado.
“Sim, estou bem. É só um pouco de cansaço… Obrigado.” Dando uma olhada rápida pela janela, vi que o sol já tinha subido bastante.
Quando ficasse de tarde, eu me sentiria um pouco melhor. Depois de dar o resto do peixe para Rikal, sentei-me no meu lugar de trabalho.
Faltava só mais um pouco para terminar.
Desde que comecei a fazer tapeçarias, passei a conseguir vender as peças por meio do mensageiro e comprar mais algumas coisas de que precisava.
Como tudo o que meu tio enviava era uma quantidade de comida que mal durava um mês, não havia como conseguir remédios ou outros itens essenciais de outra forma. Por isso, fazer tapeçarias era uma tarefa extremamente importante para mim.
Ainda assim, só me restava ser grato. Já faziam vários anos que ele vinha cuidando de mim dessa maneira.
Reclamar de alguma coisa para um tio assim seria pura ingratidão.
“Uf…”
Consegui finalmente terminar, esfreguei meus olhos cansados e estiquei a coluna. Eu não sabia a hora exata, mas devia estar quase na hora de ele chegar. Saí com a tapeçaria na mão e a chacoalhei algumas vezes para tirar a poeira.
Rikal, que me seguiu para fora, ficou passando entre as minhas pernas e se esfregando em mim. Abaixei-me, peguei o gato no colo e fiquei apenas escutando ao redor em silêncio.
…Tudo calmo.
Eu estava ali sozinho, em meio a um silêncio absoluto onde não se ouvia nada além da minha própria respiração. Tudo o que existia ali era a cabana simples e pequena em que eu morava, o oásis e as árvores ao redor.
As únicas companhias que eu tinha para conversar eram Rikal e o mensageiro que vinha uma vez por mês, e eu já vivia essa vida há mais de 4 anos. Às vezes, me faltavam palavras ou minha língua travava e eu gaguejava. Cheguei a pensar vagamente que, um dia, poderia acabar perdendo totalmente a capacidade de falar.
Mas haveria algum problema nisso? Afinal, eu não teria ninguém com quem conversar no futuro mesmo.
A única sorte era que, vendendo as tapeçarias, consegui mudas de plantas uma a uma e plantei algumas árvores frutíferas ao redor do oásis. Em breve, quando colhesse as azeitonas, as coisas melhorariam um pouco.
E hoje eu estava para receber uma muda de figueira. Minha intenção era plantar figos a seguir. Só de ter esses pequenos momentos de imaginação, eu já me sentia muito feliz e satisfeito. Relembrando o desespero que senti quando fui praticamente abandonado no deserto no início, caí na real de que, de um jeito ou de outro, eu estava conseguindo sobreviver.
Será que vou viver assim até o fim da minha vida…?
De repente, uma brisa passou raspando pelas minhas costas.
Essa solidão e este silêncio continuariam por incontáveis dias à frente. Eu iria envelhecer, definhar e morrer neste mesmo lugar.
Sozinho.
Não era nenhuma novidade. Era algo que eu já sabia muito bem. Parecia que tudo já tinha sido decidido no momento em que me manifestei.
O fato de que eu teria que passar o resto da minha vida morrendo sozinho.
Quando meus pensamentos chegaram a esse ponto, de repente senti uma presença estranha. A única pessoa que deveria vir era o mensageiro, então o que seria aquilo?
Quando me virei com cuidado, misturando medo e curiosidade, meu olhar simplesmente parou.
Aquilo vinha em minha direção lentamente, com o sol às suas costas, ultrapassando a crista da duna. O que parecia uma mancha negra a princípio foi se tornando cada vez maior à medida que se aproximava, como se estivesse engolindo o sol.
Achei que pudesse ficar cego.
No entanto, mesmo franzindo a testa diante da visão embaçada, não consegui tirar os olhos daquilo.
O destino vinha ao meu encontro daquela forma.
Só percebi que o que parecia um cume de montanha empinado sobre a duna de areia era, na verdade, um camelo depois de ver a figura de um homem.
O camelo aproximava-se de mim em passos lentos, carregando nas costas um homem inconsciente. A imagem dele descendo devagar pela duna trazia uma imponência ardente, como se o próprio sol estivesse se pondo e descendo à terra, acompanhado de um calor abrasador. Fiquei hipnotizado, observando a aproximação deles.
A sombra do camelo, surpreendentemente grande, cobriu-me por cima. Um som de respiração pesada saía do camelo acompanhado de uma espuma branca. Eu não sabia o quanto ele tinha caminhado, mas era evidente o quanto estava exausto.
Quando estendi a mão com cuidado, o camelo inclinou a cabeça.
“Isso, bom garoto…” Seja por sua natureza ou pelo cansaço, a reação dele foi dócil.
Pensando no quanto era uma sorte, examinei cuidadosamente o homem carregado em suas costas. Eu não tinha como saber desde quando ele estava naquele estado, mas era certeza de que a situação atual não era nada boa.
Peguei as rédeas do camelo e o guiei com cuidado para levá-lo até a cabana.
“Vamos, incline-se um pouco, isso…” Acalmei o camelo até fazê-lo ajoelhar e então puxei o homem para baixo.
A respiração dele era lenta e o pulso estava fraco, mas com certeza estava vivo.
Ao virar o corpo dele com cuidado para examiná-lo, levei um susto. O ombro dele estava completamente encharcado de sangue. Pensei que devia levá-lo rapidamente para dentro da cabana para tratá-lo, mas, mesmo enfiando as mãos debaixo dos braços dele e puxando com toda a minha força, ele nem sequer se moveu.
“Ugh…” Um gemido involuntário escapou da minha boca enquanto eu tentava puxar o homem à força.
Tentei puxar aquele corpo enorme, que parecia ser três vezes maior do que o meu, de um jeito e de outro, mas o tempo passou em vão e logo fiquei exausto.
Pelo menos preciso colocá-lo debaixo de uma sombra.
Além disso, se o mensageiro chegasse e visse essa situação, com certeza deixaria meu tio preocupado.
Ele tinha me pedido insistentemente para não ter contato com outras pessoas.
Eu também não estava totalmente sem preocupação. No entanto, não podia simplesmente deixar o homem morrer ali. Era só tratar a ferida dele e mandá-lo embora. Além do mais, fazia tanto tempo que eu não via um forasteiro. A sensação de acolhimento era muito maior do que o medo.
Só preciso ter cuidado, prometi a mim mesmo em silêncio. Tomar cuidado para não exalar o cheiro dos feromônios…
“Ugh.” Enxugando o suor da testa, recuperei o fôlego e tentei puxar o homem novamente.
Foi quando o camelo, que estava ajoelhado, levantou-se de repente. Quando ergui a cabeça sem pensar, soltei um “Ah!” ao perceber algo. Entrei apressadamente na cabana, peguei um pedaço longo de pano, amarrei a corda rapidamente no corpo do camelo e a conectei ao homem.
Agora, tudo o que restava era puxar as rédeas.
E o camelo, em apenas alguns passos, moveu para dentro da cabana o homem com quem eu vinha me esforçando há tanto tempo.
“Uf.” Respirei fundo, recuperando o fôlego com um suspiro de alívio, e comecei a me mover apressadamente.
Primeiro coloquei água para esquentar e, enquanto esperava ferver, procurei por remédios e panos limpos. Depois de ferver o pano na água quente, limpei cuidadosamente a ferida; o sangue ainda brotava aos poucos.
Percebi que era um ferimento em que algo tinha raspado de forma bastante profunda no ombro dele, mas, com os remédios que eu tinha, o máximo que conseguia fazer era desinfetar.
A sorte era que o sangramento não parecia grave. Amarrar firmemente ajudaria a estancar o sangue.
Com bastante esforço, envolvi o ombro do homem com o pano. Embora fosse apenas um dos ombros, a cada vez que eu levantava aquele corpo enorme e desfalecido, sentia minhas forças se esgotarem por completo. Quando finalmente terminei o trabalho, estava tão sem fôlego que minha mente parecia prestes a apagar.
“Uf…”
Dando uma respiração funda, arrumei o local.
Quando estava prestes a me levantar, ouvi o som do motor de um carro ao longe. O mensageiro do meu tio estava chegando. Por um instante, entrei em pânico e olhei ao redor.
Por sorte, o camelo que trouxe o homem estava sentado dentro da cabana de olhos fechados, como se estivesse exibindo sua presença.
Como o mensageiro não entraria ali, bastava dar uma desculpa qualquer para fazê-lo ir embora.
Dirigi-me apressadamente para fora da cabana.
O carro que eu aguardava surgiu ao longe.
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