Kiss The Stranger

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🟡 Em breve

“…Uh, ha.” Entre os lábios selados, o gemido abafado do homem escapou sem forças.

Sem me importar, pressionei meus lábios ainda mais profundamente. Os lábios do homem estavam tão quentes quanto sua temperatura corporal, e o interior de sua boca estava ainda mais quente.

A pílula se dissolveu na temperatura da água morna e o gosto amargo se espalhou, mas aguentei e empurrei minha língua para dentro.

Eu tinha que fazer o homem engolir o remédio de qualquer jeito. 

Quando inseri a língua profundamente, a do homem tocou na minha. Em um movimento de intenção incerta — se ele tentava me afastar ou se apenas esbarrou ao recuar — nossas línguas se entrelaçaram e se roçaram ainda mais. Sem afastar meus lábios, continuei a explorar o interior da boca do homem.

Até que finalmente senti o pomo de adão do homem subir e descer bruscamente.

“Consegui”, pensei, e no momento em que ia levantar a cabeça, de repente o homem agarrou meu cabelo.

“……!” Abri bem os olhos de surpresa, mas não conseguia emitir nenhum som.

Desta vez, a língua dele entrou na minha boca, que se abriu sem eu perceber. Sua língua grossa agitava o interior da minha boca, enquanto a outra mão do homem envolvia minha cintura.

Inclinando-me sobre ele em uma posição desajeitada, acabei perdendo o equilíbrio e caí por cima do homem. Com isso, meu corpo tornou-se completamente propriedade dele.

“Uh, uuh….” Quando a mão do homem, que envolvia minha cintura, desceu e apertou minhas nádegas, um gemido de perplexidade escapou de meus lábios.

Não parou por aí. 

Ele massageou minha bunda como bem entendeu e chegou a roçar a dobra entre elas por cima das calças.

“G-uh.”

Eu queria dizer para ele parar, mas o som não saía direito.

A saliva escorregadia se misturava e as línguas não paravam de deslizar. Quando o homem moveu a mão que segurava minha cabeça para acariciar a minha nuca, levantei a cabeça por reflexo.

“…Ha!” Somente após soltar um suspiro pesado junto com o ar que estava preso, percebi que havia levantado a cabeça e terminado o beijo sem notar.

O fato de que as línguas se separaram veio logo após o afastamento dos lábios. O fio de saliva que se estendia me deixou envergonhado de repente e eu me repreendi apressadamente.

Eu só estava tentando dar o remédio, não tive nenhuma outra intenção. Esse homem que me beijou como bem entendeu.

Apesar de ser a verdade, minhas bochechas continuavam a arder. Tardiamente, o som da minha própria respiração ofegante atingiu meus ouvidos. O homem também estava sem fôlego.

“Haa, haa.” Ofegante, o homem abriu os olhos lentamente.

Quando desviei o olhar hesitante, meus olhos se encontraram imediatamente com os dele.

“……”

Eu congelei diante daquela situação inesperada.

Por um momento, ficamos apenas nos olhando. Ao contrário de mim, que já estava completamente desperto, o homem parecia ainda não estar totalmente consciente. Ele fechou os olhos devagar, voltou a abri-los e, quando abriu a boca, só conseguiu emitir um som alguns segundos depois.

Mesmo assim, não saiu uma voz clara, apenas um suspiro entrecortado.

“…Masha’Allah.” O homem murmurou com uma risada fraca.

A luz do luar que atravessava a janela de vidro gasta iluminava intensamente o seu rosto sereno. Quando os cantos de sua boca se ergueram suavemente, as feições bem definidas do seu rosto se tornaram amigáveis no mesmo instante. Fiquei paralisado por um momento, olhando para ele.

Eu não conseguia acreditar que aquela frase tinha sido direcionada a mim.

“Bismillah Masha’Allah.” (*Em nome de Deus, que perfeição divina*)

Eram palavras que combinavam muito mais com aquele homem do que comigo. Era o que meu pai costumava dizer para a minha mãe quando ele ainda era vivo. Uma expressão de admiração dita a alguém belo. No entanto, aquele homem devia estar confuso e com a consciência nublada.

Achar bonito um ômega humilde como eu… não fazia o menor sentido.

“…Você é mais bonito.” Murmurei sem pensar, como se estivesse enfeitiçado.

O homem soltou uma breve risada, como se achasse absurdo, e segurou a minha mão. Ele encostou os lábios suavemente na minha palma e o seu olhar voltou a ficar turvo. Ainda segurando a minha mão, ele adormeceu. Prendi a respiração e observei a respiração dele se tornar profunda e lenta.

Ao redor, tudo estava silencioso como a morte, como de costume. Naquele espaço, éramos apenas ele e eu.

Senti vagamente um aroma estranho, um que sentia pela primeira vez, misturado ao cheiro fraco de poeira. A fragrância doce, como o chocolate que eu comia quando era criança, ele fazia meu coração acelerar sem parar, tornando impossível tirar os olhos dele.

Dizer que ele era “bonito” não era a expressão certa.

Aquele homem era absurdamente lindo.

Ele tinha o cabelo preto cortado curto, como a maioria dos homens e a pele bem bronzeada. No entanto, o seu rosto era distintamente diferente. A sombra projetada sob a ponte afiada do seu nariz desenhava linhas marcantes sobre as maçãs do rosto desenhadas, seguidas por lábios largos e grossos com um queixo angular.

Seu osso da sobrancelha, conectado à testa reta, era moderadamente proeminente e as sobrancelhas acima dele eram escuras, de pontas longas. Dava até para sentir certa nobreza vinda dele. 

Nunca vi um homem tão lindo, pensei.

Embora eu estivesse vivendo uma vida isolada por tantos anos que já nem sabia quantos tinham se passado exatamente, eu tinha certeza de uma coisa: nunca mais veria um homem como ele.

Os olhos escondidos sob as pálpebras agora fechadas também eram algo que eu nunca tinha visto antes.

Existem muitas cores de olhos no mundo, mas aquela era inédita para mim.

Pareciam de um preto profundo, mas com um tom azulado peculiar misturado. Era como olhar para uma noite ainda mais escura do que a noite do deserto. Pensei que seria bom se o homem abrisse os olhos e me deixasse vê-los novamente. Mas o homem parecia ter caído em um sono ainda mais profundo do que antes, sem fazer o menor movimento.

Depois de observá-lo por um tempo, desisti.

Quando senti um frio involuntário e encolhi os ombros, o homem, que eu achava que já tinha adormecido, surpreendentemente me puxou para perto.

Abri os olhos surpreso, mas, quando dei por mim, já estava com o rosto afundado no peito do homem. Assustado com a situação inesperada, prendi a respiração por um momento. Ao redor, tudo voltou a ficar silencioso, e o homem não se moveu mais.

Com o passar do tempo, a febre dele foi baixando aos poucos, mas o seu corpo continuava bem mais quente que o meu. Como teste, encostei a mão no seu peito e percebi que a minha mão estava muito mais fria. Talvez a sua temperatura corporal fosse naturalmente alta. 

Ergui a cabeça com cuidado e vi que sua expressão continuava pálida. Com cautela, encostei o ouvido em seu peito. Os batimentos cardíacos eram lentos, porém audíveis, ritmados e firmes. Não parecia haver nada de errado.

Um pouco mais aliviado, fechei os olhos.

O corpo do homem era incomparavelmente maior que o meu, tanto que parecia que eu estava deitado sobre um tapete enorme, mas não era totalmente aconchegante. Seus braços e coxas grossos, além dos músculos do peito bem destacados, tornavam seu corpo muito firme. Ficar deitado sobre aquele corpo rígido era extremamente desconfortável, mas não me mexi com medo de acordá-lo. Enquanto mantinha a respiração contida, o sono acabou me vencendo.

Acabei adormecendo novamente, acolhido em seus braços.

***

“… Que quentinho.”

Achando aconchegante e, enquanto me aninhava nele esfregando a bochecha sem pensar, o homem também me abraçou enquanto dormia. O calor que envolveu todo o meu corpo, como se fosse um cobertor gigante, me deixou com o coração em paz.

Quando voltei a acordar, o sol já estava alto no céu.

A luz do meio-dia aquecia o ar, deixando-o abafado. Eu queria continuar ali deitado, mas, assim que vi o homem à minha frente, despertei num sobressalto.

Tinha muito o que fazer. 

Como adormeci no dia anterior, o rendimento do meu trabalho tinha sido péssimo.

Mas, antes de tudo, eu precisava preparar a comida do Rikal. Como esperado, assim que Rikal me viu levantar, veio correndo apressado em minha direção.

“Desculpe, Rikal. Vou te dar agora mesmo.”

O braço do homem já estava relaxado, mas ainda permanecia ao redor da minha cintura.

O braço grosso, coberto de músculos, era tão pesado que dava trabalho até para erguer. Com todo o cuidado, soltei o braço dele e me mexi devagar até conseguir sair. Por sorte, o homem não acordou. Massageando meu corpo dolorido aqui e ali, segui sem fazer barulho para pegar os mantimentos que recebi no dia anterior e coloquei a comida para cozinhar.

Olhei por um instante para a quantidade absurdamente pequena em comparação ao porte do homem, mas logo recobrei a firmeza e me movimentei com agilidade.

A quantidade de comida não mudou, mas o número de pessoas sim. 

Pensando que precisava dar um jeito de render a comida, despejei mais água do que o habitual.

Enquanto esperava a refeição ficar pronta, voltei para perto do homem para examinar seu estado. Encostei a mão suavemente em sua testa e olhei com cuidado; além dos arranhões e cortes espalhados pelo corpo, não havia sangramentos.

Para saber sobre o ferimento no ombro, eu precisaria tirar a atadura, mas por hora parecia estar tudo bem. Quanto aos hematomas espalhados, desapareceriam sozinhos com o tempo.

Inesperadamente, o estado do homem parecia muito bom.

Era até difícil acreditar que eu o tinha arrastado com tanto esforço até aqui no dia anterior. As roupas que ele vestia estavam rasgadas e sujas, mas a qualidade do tecido era excelente. Presumi vagamente que devia ser um homem de boa família.

Ele não deve ficar por muito tempo…

Pensar nisso me deu uma sensação de vazio.

Me recompus rapidamente o foco e me virei. Quando ele acordasse, mesmo que fosse embora em seguida, estaria com fome, então eu precisava preparar algo para comer. Os mantimentos atuais eram absurdamente insuficientes. Pensativo, lembrei-me de que tinha guardado alguns frutos de palmeira sem colher para economizar.

Passei da reflexão à ação imediatamente.

Assim que saí de mansinho, uma rajada de vento frio soprou para dentro. Encolhi os ombros por um momento, olhei para trás e, após confirmar que o homem continuava imóvel, fechei a porta às minhas costas.

Ao redor do oásis, erguiam-se palmeiras antigas misturadas com outras que eu mesmo tinha plantado desde que cheguei. As palmeiras que plantei ainda não eram altas, sendo perfeitas para a colheita.

Já nas árvores antigas, até mesmo os frutos do galho mais baixo ficavam fora do meu alcance, me obrigando a desistir.

Quando não havia nada para comer, eu desejava desesperadamente alcançá-los, mas por mais que tentasse, era impossível. Tentei novamente desta vez, mas acabei desistindo e, sem nem olhar para cima, consegui colher apenas os poucos frutos que minhas mãos alcançavam.

Quando voltei para a cabana, o cheiro de comida no fogo já se espalhava de longe. Para ser exato, era mais como água com arroz, mas só de sentir o aroma minha boca encheu de água e meu estômago reclamou de fome com uma pontada de dor.

Ainda assim, hoje eu pelo menos teria algo para comer. 

Cheio de expectativa, apressei o passo. Como não havia muito arroz, eu precisava colocar água para render.

Se economizasse ao máximo, quanto tempo duraria? Conseguiria resistir por três semanas? Até a chegada de Gurab, duraria mais uma semana?

Ele disse que viria cinco dias antes, mas será que ficaria tudo bem durante esse tempo?

Quanto a mim, tudo bem, mas para aquele homem e para o Rikal seria muito difícil. Já era complicado aguentar até três pessoas, e agora o tempo restante tinha encurtado. Será que eu conseguiria terminar tudo até o dia em que Gurab chegasse?

Com a cabeça cheia dessas preocupações, cheguei à cabana.

Ao empurrar a porta velha, ela fez um ruído nada agradável. Entrei carregando o cesto na mão e, ao olhar casualmente para o lugar onde o homem estava deitado, travei.

O homem estava sentado, acordado.

 

*

*

N.T (nota do tradutor)

. Masha’Allah (샤알라 / 마샤알라) / Significado literal: “O que Deus quis” ou “Como Deus quis”. É usada no dia a dia como uma expressão de forte admiração, elogio e apreciação pela beleza de algo ou de alguém.
. Bismillah (비스밀라) / Significado literal: “Em nome de Deus” (ou “Em nome de Alá”). É uma frase usada pelos muçulmanos para iniciar qualquer ação importante, oração ou atividade diária, buscando a bênção divina.
– “Bismillah Mashallah”, funciona como uma forte expressão de reverência, espanto positivo e profundo encantamento diante da beleza puramente abençoada do outro personagem.

(lembrando que a história é um cenário meramente fictício inspirado no Oriente Médio.)

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