Capítulo 1 — Dois Irmãos
TOPÁZIO:
A neve cai suavemente sobre o Reino de Aurora.
Do alto da janela do castelo, vejo os flocos dançando com o vento enquanto as montanhas brilham sob o sol da manhã. Tudo parece tranquilo.
Tenho apenas seis anos.
Mesmo assim, sinto que este reino inteiro é minha casa.
Corro pelos corredores do castelo, ouvindo minhas botas ecoarem no piso de mármore.
Atrás de mim, uma voz conhecida grita.
ADRIEL: — Topázio! Espera por mim!
Olho para trás e sorrio.
Meu irmãozinho corre o mais rápido que consegue, mas suas pernas pequenas ainda não acompanham as minhas.
Ele tem cinco anos.
Seus cabelos negros balançam enquanto tenta me alcançar.
Diminuo o passo de propósito.
Quando ele finalmente chega perto, cruza os braços e faz cara de bravo.
ADRIEL: — Você sempre corre mais rápido!
Dou uma risada.
TOPÁZIO: — É porque sou mais velho.
Adriel faz um biquinho.
ADRIEL: — Só um ano!
Rio novamente.
TOPÁZIO: — Um ano faz diferença.
Ele sorri e segura minha mão.
ADRIEL: — Então promete que sempre vai esperar por mim?
Olho para ele.
Seus olhos transmitem tanta confiança que meu coração se aquece.
Aperto sua mão com carinho.
TOPÁZIO: — Prometo.
Descemos a grande escadaria do castelo.
Os criados passam sorrindo.
Os guardas fazem continência.
Todos conhecem Adriel.
Todos gostam dele.
Ele conversa com qualquer pessoa que encontra.
ADRIEL: — Bom dia!
Os cozinheiros respondem.
— Bom dia, príncipe!
As camareiras sorriem.
— Bom dia, pequeno príncipe!
Adriel acena para todos.
Eu apenas observo.
Sempre fui mais quieto.
Chegamos aos jardins do castelo.
As árvores estão cobertas de neve.
O lago permanece parcialmente congelado.
Os pássaros cantam entre os pinheiros.
Nossa mãe está sentada em um banco de pedra tomando chá.
Assim que nos vê, abre um enorme sorriso.
RAINHA: — Meus meninos!
Adriel corre imediatamente.
ADRIEL: — Mamãe!
Ela o abraça com força.
Depois estende os braços para mim.
Aproximo-me devagar.
Ela também me abraça.
RAINHA: — Como vocês cresceram…
Meu pai aparece logo depois.
O rei veste seu uniforme azul-escuro e sua longa capa real.
Sua presença impõe respeito.
Mas, quando está conosco, seu olhar é cheio de carinho.
REI: — Vejo que meus príncipes já começaram a correr pelo castelo logo cedo.
Adriel levanta a mão.
ADRIEL: — O Topázio estava correndo de mim!
Meu pai olha para mim.
REI: — Isso é verdade?
Dou um sorriso tímido.
TOPÁZIO: — Um pouquinho…
Todos começam a rir.
Depois do café da manhã, seguimos para o jardim de inverno.
É o nosso lugar favorito.
Há um enorme campo coberto de neve onde costumamos brincar.
Adriel faz uma pequena bola de neve.
Olha para mim com um sorriso travesso.
ADRIEL: — Preparado?
Nem tenho tempo de responder.
A bola acerta meu ombro.
Fico completamente surpreso.
Ele começa a rir.
ADRIEL: — Acertei!
Pego um pouco de neve.
TOPÁZIO: — Agora é minha vez!
Lanço outra bola.
Ela passa por cima da cabeça dele.
Adriel ri ainda mais.
Logo nossos pais entram na brincadeira.
Durante vários minutos, ninguém pensa em deveres, coroas ou responsabilidades.
Somos apenas uma família feliz.
Cansados, nos deitamos sobre a neve.
Olho para o céu.
Os flocos continuam caindo lentamente.
Adriel se aproxima.
ADRIEL: — Topázio…
TOPÁZIO: — Hum?
ADRIEL: — Quando você virar rei…
Olho para ele.
ADRIEL: — …você ainda vai brincar comigo?
Sorrio.
Passo a mão em seus cabelos.
TOPÁZIO: — Claro.
ADRIEL: — Promete?
Estendo o dedo mínimo.
TOPÁZIO: — Prometo.
Ele entrelaça seu dedo no meu.
ADRIEL: — Promessa de irmãos.
TOPÁZIO: — Promessa de irmãos.
Naquele momento, acredito que nada será capaz de nos separar.
Ainda não sei que, no futuro, o medo colocará essa promessa à prova.
Mas hoje…
Hoje somos apenas dois irmãos brincando na neve, sem imaginar que o destino de Aurora um dia estará em nossas mãos.
Fim do Capítulo 1..
Capítulo 1 — Dois Irmãos
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TOPÁZIO o Rei do Gelo: O Coração Congelado
Após a coroação de Topázio como rei do reino de Aurora, seus poderes de controlar o gelo e a neve são revelados acidentalmente diante de toda a população. Convencido de que jamais será...