Capítulo 3 — A Torre Mais Alta
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TOPÁZIO:
Os dias passam.
Depois as semanas.
Percebo que meus poderes mudam.
O gelo aparece cada vez mais rápido.
Às vezes, basta eu sentir medo.
Ou ficar nervoso.
Ou apenas sonhar.
Numa manhã, acordo e encontro meu quarto completamente coberto por uma fina camada de gelo.
A janela está congelada.
Os móveis brilham como cristal.
Olho assustado para minhas mãos.
TOPÁZIO: — Eu… fiz isso?
Batem na porta.
Meu pai entra primeiro.
Minha mãe vem logo atrás.
Os dois ficam em silêncio ao ver o quarto.
Minha mãe segura minha mão.
RAINHA: — Está tudo bem.
Meu pai observa o gelo.
Seu rosto demonstra preocupação.
Não comigo.
Mas com o que pode acontecer.
Naquela mesma tarde, vejo movimentação por todo o castelo.
Vários empregados arrumam suas malas.
Carruagens esperam diante dos portões.
Escondo-me atrás de uma coluna.
Escuto meu pai conversando com o capitão da guarda.
REI: — A partir de hoje apenas o número essencial de empregados permanecerá no castelo.
CAPITÃO: — Sim, majestade.
REI: — Os demais receberão pagamento e poderão voltar para suas famílias.
O capitão faz uma reverência.
CAPITÃO: — Como desejar.
Vejo criados que conheço desde pequeno deixando o castelo.
Alguns choram.
Outros apenas agradecem pelos anos de serviço.
Não entendo por quê.
Mais tarde…
Meu pai dá outra ordem.
Os enormes portões de Aurora começam a se fechar.
As correntes fazem um forte barulho.
As grades de ferro descem lentamente.
As pontes são levantadas.
Os guardas assumem seus postos.
Ninguém entra.
Ninguém sai.
Aurora torna-se um castelo isolado.
Naquela noite, escuto uma conversa através da porta da biblioteca.
Meu pai e minha mãe acreditam que estou dormindo.
RAINHA: — Não podemos continuar escondendo isso para sempre.
REI: — Eu sei.
RAINHA: — Os poderes dele crescem todos os dias.
Meu pai suspira profundamente.
REI: — Se alguém descobrir…
Ele não termina a frase.
O silêncio diz tudo.
Na manhã seguinte, enquanto tomo café com Adriel, uma pequena flor de gelo surge ao redor do meu copo.
Escondo rapidamente minhas mãos debaixo da mesa.
Adriel não percebe.
Está ocupado contando uma história.
ADRIEL: — Ontem eu consegui subir na árvore mais alta do jardim!
Sorrio.
TOPÁZIO: — Sério?
ADRIEL: — Sim!
Meu pai observa discretamente o copo congelado.
Seus olhos encontram os meus.
Ele entende.
Está ficando impossível esconder.
No fim do dia, meu pai pede que eu o acompanhe.
Subimos inúmeras escadas.
Cada vez mais alto.
As janelas ficam menores.
O vento fica mais forte.
Chegamos à torre mais alta do castelo.
Ela é enorme.
Possui uma biblioteca, um quarto confortável, uma lareira, um telescópio e grandes janelas voltadas para as montanhas.
É bonita.
Mas também é solitária.
Olho para meu pai.
TOPÁZIO: — Por que estamos aqui?
Ele demora alguns segundos para responder.
Então se ajoelha diante de mim.
REI: — Filho…
Você vai morar aqui por algum tempo.
Meu coração dispara.
TOPÁZIO: — O quê?
Minha mãe abaixa a cabeça.
Lágrimas escorrem por seu rosto.
TOPÁZIO: — Eu fiz alguma coisa errada?
Ela corre até mim e me abraça.
RAINHA: — Não, meu amor.
Nunca.
Meu pai coloca a mão em meu ombro.
REI: — Estamos fazendo isso para proteger você.
TOPÁZIO: — Eu não quero ficar sozinho…
Minha voz treme.
TOPÁZIO: — Quero ficar com vocês…
Minha mãe começa a chorar.
Meu pai fecha os olhos por um instante antes de responder.
REI: — Eu prometo que virei visitá-lo todos os dias.
TOPÁZIO: — E o Adriel?
Meu pai hesita.
REI: — Ele… não poderá subir aqui.
Sinto um aperto no peito.
TOPÁZIO: — Mas ele é meu irmão…
Ninguém responde.
Apenas o vento entra pela janela aberta.
Olho pela última vez para o castelo lá embaixo.
Pela primeira vez na minha vida…
Sinto que aquela torre não será apenas meu quarto.
Será minha prisão.
Fim do Capítulo 3.
Capítulo 3 — A Torre Mais Alta
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TOPÁZIO o Rei do Gelo: O Coração Congelado
Após a coroação de Topázio como rei do reino de Aurora, seus poderes de controlar o gelo e a neve são revelados acidentalmente diante de toda a população. Convencido de que jamais será...