Capítulo 5 — A Última Viagem
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TOPÁZIO:
Já faz quase um ano que vivo na torre.
Tenho sete anos.
Adriel agora tem seis.
Mesmo sem poder me ver, ele continua vindo todos os dias.
Sempre bate na porta.
Sempre conversa comigo.
E sempre vai embora acreditando que, um dia, eu voltarei.
Nesta manhã, meu pai sobe até a torre acompanhado da minha mãe.
Os dois parecem diferentes.
Estão usando capas de viagem.
Minha mãe sorri para mim, mas consigo perceber a tristeza em seus olhos.
Meu pai se ajoelha à minha frente.
REI: — Topázio… precisamos conversar.
Sento-me na poltrona diante da lareira.
TOPÁZIO: — Aconteceu alguma coisa?
Ele respira profundamente.
REI: — Sua magia continua crescendo.
Olho para minhas mãos.
Pequenos cristais de gelo aparecem entre meus dedos.
REI: — Eu e sua mãe vamos partir em uma viagem.
Levanto a cabeça.
TOPÁZIO: — Uma viagem?
Minha mãe segura minhas mãos.
RAINHA: — Vamos procurar respostas.
TOPÁZIO: — Respostas?
Ela acaricia meu rosto.
RAINHA: — Queremos descobrir de onde vieram seus poderes.
Meu coração se enche de esperança.
TOPÁZIO: — Então… vocês vão encontrar uma cura?
Meu pai sorri com carinho.
REI: — Talvez não exista uma cura.
RAINHA: — Mas acreditamos que exista alguém que saiba explicar essa magia.
Meu pai continua.
REI: — Visitaremos sábios, bibliotecas antigas e povos das montanhas.
RAINHA: — Não vamos desistir de você.
Meus olhos se enchem de lágrimas.
TOPÁZIO: — Prometem voltar?
Os dois respondem ao mesmo tempo.
REI E RAINHA: — Prometemos.
Minha mãe me abraça demoradamente.
Meu pai faz o mesmo.
É um abraço tão forte…
Como se eles não quisessem me soltar.
Antes de partir, meu pai desce para se despedir de Adriel.
Observo tudo pela janela da torre.
Adriel corre até eles.
ADRIEL: — Vocês vão demorar?
O rei sorri.
REI: — Não muito.
ADRIEL: — Posso ir junto?
A rainha balança a cabeça.
RAINHA: — Desta vez, não.
Adriel faz um pequeno biquinho.
Depois sorri novamente.
ADRIEL: — Então tragam um presente para mim… e para o Topázio!
Meu peito aperta.
Eles prometem que sim.
As carruagens deixam o castelo.
Eu permaneço na janela até desaparecerem no horizonte.
Os dias passam lentamente.
Toda manhã espero ver as carruagens voltando.
Toda tarde continuo esperando.
Toda noite olho para a estrada iluminada pela lua.
Nada.
Adriel continua perguntando quando nossos pais voltarão.
Ninguém sabe responder.
Algumas semanas depois…
Uma tempestade cobre as montanhas.
O vento sopra com violência.
No meio da tarde, escuto os sinos do castelo.
Não são sinos de festa.
São sinos lentos.
Pesados.
Meu coração dispara.
Vejo soldados entrando pelos portões.
As carruagens retornam.
Mas algo está errado.
Elas estão destruídas.
Os cavalos caminham devagar.
Os soldados abaixam a cabeça.
O capitão da guarda entra no castelo em silêncio.
Bandeiras negras são erguidas sobre o castelo.
Os criados choram.
Os guardas retiram seus capacetes.
Lá embaixo, vejo Adriel correr desesperado atrás das carruagens.
Ele para no meio do pátio.
Olha ao redor.
Depois cai de joelhos.
Naquele instante…
Meu coração entende.
Meus pais não voltaram.
E nunca mais voltarão.
As lágrimas escorrem pelo meu rosto.
O quarto inteiro começa a congelar.
A lareira se apaga.
Cristais de gelo cobrem as paredes.
Flocos de neve caem silenciosamente ao meu redor.
Estou completamente sozinho.
Preso na torre.
Sem meus pais.
Sem meu irmão.
Sem poder sequer me despedir.
Fim do Capítulo 5.
Capítulo 5 — A Última Viagem
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TOPÁZIO o Rei do Gelo: O Coração Congelado
Após a coroação de Topázio como rei do reino de Aurora, seus poderes de controlar o gelo e a neve são revelados acidentalmente diante de toda a população. Convencido de que jamais será...