Capítulo 7 — A Luva Perdida
TOPÁZIO:
A cerimônia da coroação chegou ao fim.
Quando o sol começou a se pôr, o castelo foi iluminado por milhares de velas.
O grande salão transformou-se em um enorme baile.
Músicos tocavam melodias alegres.
Os nobres dançavam.
As mesas estavam repletas de doces e banquetes.
O povo celebrava a chegada do novo rei.
Mas havia uma pessoa que não compartilhava daquela alegria.
Naveen.
Sentado no trono, ele observava tudo em absoluto silêncio.
Não sorria.
Não conversava.
Não demonstrava interesse pela festa.
Parecia uma estátua feita de gelo.
Naveen (pensamento):
“Tanto barulho…”
“Que perda de tempo.”
Enquanto isso…
Mateu caminhava pelo salão cumprimentando os convidados.
Apesar da felicidade da festa, seus olhos procuravam apenas uma pessoa.
Seu irmão.
Depois de alguns minutos, respirou fundo e decidiu se aproximar.
Mateu:
“Irmão…”
“Você não gostaria de caminhar um pouco?”
Naveen nem sequer olhou para ele.
Naveen:
“Não.”
Mateu sorriu, tentando quebrar o clima.
Mateu:
“Então podemos conversar aqui mesmo.”
Naveen finalmente levantou os olhos.
Seu olhar era frio.
Naveen:
“Eu não tenho interesse em conversar.”
Mateu não desistiu.
Deu mais um passo.
Mateu:
“Passamos toda a vida separados.”
“Gostaria de conhecer você.”
Naveen levantou-se lentamente do trono.
Ficou frente a frente com o irmão.
Naveen:
“Não se aproxime de mim.”
A voz era baixa.
Calma.
Mas firme.
Mateu ficou surpreso.
Mateu:
“Eu só quero ser seu irmão.”
Naveen:
“Você não é meu irmão.”
“É apenas alguém que compartilha o mesmo sangue.”
As palavras fizeram o sorriso de Mateu desaparecer.
Mesmo assim…
Ele estendeu a mão.
Mateu:
“Por favor…”
“Me dê uma chance.”
Naveen virou-se para ir embora.
Instintivamente, Mateu segurou seu braço.
Mateu:
“Naveen, espera!”
No mesmo instante…
A luva da mão direita de Naveen escapou e caiu no chão.
O salão inteiro ficou em silêncio.
O tempo pareceu parar.
Naveen arregalou os olhos pela primeira vez em muitos anos.
Havia desespero em seu rosto.
Naveen:
“…Não.”
Mateu olhou para a luva caída sem entender.
Abaixou-se e a pegou.
Mateu:
“Sua luva…”
Naveen deu um passo à frente.
Pela primeira vez, sua voz perdeu a calma.
Naveen:
“Devolva minha luva!”
Pequenos cristais de gelo começaram a surgir ao redor de seus pés.
O ar ficou gelado.
As velas tremularam.
Os convidados começaram a recuar.
Mateu:
“Calma…”
“Eu só ia devolver…”
Naveen:
“Agora!”
Sem perceber…
A mão descoberta de Naveen começou a liberar uma névoa congelante.
O chão abaixo dele ficou coberto por gelo.
Taças racharam.
As flores congelaram.
Os músicos interromperam a apresentação.
Os nobres observavam assustados.
Convidado:
“O… o que está acontecendo?”
Outro convidado:
“A mão dele…”
Mateu olhou para a mão descoberta do irmão.
Pequenos flocos de neve giravam ao redor de seus dedos.
Era a primeira vez que via aquele poder.
Mateu (pensamento):
“Então… era isso que esconderam durante todos esses anos…”
Naveen estendeu a mão na direção de Mateu.
Seu olhar misturava desespero e frieza.
Naveen:
“Minha.”
“Luva.”
Sem dizer mais nada, Mateu entregou a luva.
Naveen a vestiu rapidamente.
No mesmo instante…
A neve parou de cair.
O gelo deixou de avançar.
O salão voltou a ficar em silêncio.
Mas ninguém conseguiu esquecer o que havia acabado de ver.
Todos olhavam para o novo rei.
Agora não com admiração.
Mas com medo.
TOPÁZIO:
Durante dezenove anos…
As luvas esconderam o poder de Naveen.
Naquela noite…
Bastaram poucos segundos para que o reino entendesse por que o príncipe havia vivido preso na torre.
E, pela primeira vez…
O medo começou a se espalhar entre o povo de Esmeralda.
Capítulo 7 — A Luva Perdida
Fonts
Text size
Background
TOPÁZIO O Rei do Gelo
No poderoso Reino de Esmeralda, o príncipe Kori nasceu com um dom tão belo quanto perigoso: o poder de controlar o gelo e a neve. Ainda criança, um terrível acidente causado por sua magia tira...