Capítulo 3 — O Último Dia na Torre
TOPÁZIO:
O sol ainda nem havia surgido por completo quando os sinos do reino começaram a tocar.
Aquele não era um dia comum.
Era o dia da coroação.
Depois de dezenove anos escondido do mundo…
O príncipe Naveen finalmente deixaria a torre.
Mas, antes disso…
Algo aconteceria pela primeira vez.
Dentro da torre…
Naveen permanecia sentado diante da janela.
O mesmo lugar onde passou toda a infância.
A mesma janela.
O mesmo silêncio.
Seu rosto continuava calmo.
Sem alegria.
Sem tristeza.
Sem ansiedade.
Era como se nenhuma emoção ainda existisse dentro dele.
Naveen (pensamento):
“Hoje tudo muda.”
“Ou talvez…”
“Nada mude.”
Três criados entraram carregando uma grande caixa de madeira.
Atrás deles vinham dois alfaiates reais.
Todos mantinham a cabeça abaixada.
Alfaiate:
“Vossa Alteza… trouxemos suas vestes para a coroação.”
Naveen apenas fez um pequeno gesto com a cabeça.
Os criados abriram a caixa.
Dentro dela havia um manto branco bordado com fios de prata.
A capa era longa.
As botas eram feitas do mais fino couro.
A coroa repousava sobre uma almofada de veludo.
Tudo havia sido preparado para o novo rei.
Os criados começaram a ajudá-lo.
Vestiram a túnica.
Ajustaram o manto.
Prenderam a capa em seus ombros.
Pentearam cuidadosamente seus longos cabelos claros.
Quando terminaram…
O quarto ficou em silêncio.
Até os criados pareciam impressionados.
Criada (baixinho):
“…Ele parece um anjo.”
Naveen ouviu.
Não respondeu.
Naveen (pensamento):
“Uma roupa bonita não muda quem eu sou.”
Um dos criados colocou um grande espelho diante dele.
Naveen observou seu próprio reflexo.
Seu rosto era perfeito.
Sua postura era elegante.
Parecia exatamente o rei que o reino esperava.
Mas seus olhos…
Continuavam vazios.
Naveen:
“…Bonito.”
Fez uma pequena pausa.
“…E completamente vazio.”
Naquele instante…
Batidas ecoaram na porta.
Os criados imediatamente se afastaram.
A porta foi aberta.
Pela primeira vez em dezenove anos…
Seus pais entraram na torre.
O Rei Agnarr e a Rainha Iduna permaneceram parados por alguns segundos.
Eles observavam o filho em silêncio.
A última lembrança que tinham dele era a de um menino.
Agora havia diante deles um jovem adulto.
Rainha Iduna:
“…Naveen.”
Sua voz tremia.
Os olhos se encheram de lágrimas.
Naveen virou-se lentamente.
Olhou para os dois.
Seu rosto permaneceu inalterado.
Naveen:
“Majestades.”
Aquelas palavras atingiram Iduna como uma flecha.
Ela deu alguns passos à frente.
Rainha Iduna:
“Não…”
“Eu sou sua mãe.”
Naveen permaneceu em silêncio.
Rei Agnarr:
“Meu filho…”
Naveen:
“Faz dezenove anos que ninguém me chama assim.”
O quarto mergulhou em um silêncio doloroso.
Rainha Iduna:
“Perdoe-nos.”
“Fizemos tudo isso para proteger você.”
Naveen olhou pela janela.
Naveen:
“Me proteger?”
Sua voz era calma.
Fria.
Sem qualquer emoção.
Naveen:
“Durante dezenove anos…”
“Quem me protegeu da solidão?”
Iduna abaixou a cabeça.
As lágrimas escorriam por seu rosto.
Rainha Iduna:
“Eu queria abraçar você todos os dias.”
Naveen:
“Mas não abraçou.”
O rei Agnarr tentou se aproximar.
Rei Agnarr:
“Eu assumo toda a responsabilidade.”
“Sei que falhei como pai.”
Naveen finalmente olhou para ele.
Seus olhos pareciam feitos de gelo.
Naveen:
“Não.”
“Vocês não falharam.”
Por um breve instante…
Iduna ergueu a cabeça, acreditando que ainda existia esperança.
Então Naveen continuou.
Naveen:
“Vocês fizeram exatamente a escolha que desejavam.”
“Escolheram o reino.”
“Escolheram o medo.”
“Nunca me escolheram.”
As palavras foram ditas sem raiva.
Sem tristeza.
Sem elevar a voz.
Isso as tornou ainda mais dolorosas.
Rainha Iduna:
“Existe alguma maneira de reparar tudo isso?”
Naveen permaneceu alguns segundos em silêncio.
Depois respondeu.
Naveen:
“Não.”
Outra pausa.
Naveen:
“Porque já não sinto mais nada.”
Iduna levou a mão à boca para conter o choro.
Agnarr fechou lentamente os olhos.
Naquele momento…
Os dois entenderam que não haviam perdido apenas a infância do filho.
Tinham perdido o próprio filho.
TOPÁZIO:
Existem feridas que o tempo cura.
Outras…
O tempo apenas torna mais profundas.
Naquele quarto, um pai e uma mãe encontraram o príncipe que haviam escondido durante toda a vida.
Mas já era tarde.
O menino que esperava um abraço havia desaparecido.
Diante deles estava um rei de beleza serena como a neve…
E com um coração tão frio que nem o amor de seus pais conseguia mais alcançá-lo.
Capítulo 3 — O Último Dia na Torre
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TOPÁZIO O Rei do Gelo
No poderoso Reino de Esmeralda, o príncipe Kori nasceu com um dom tão belo quanto perigoso: o poder de controlar o gelo e a neve. Ainda criança, um terrível acidente causado por sua magia tira...