Capítulo 2 — Dois Irmãos, Dois Destinos
TOPÁZIO:
Dezenove anos se passaram.
O menino preso na torre já não era mais um menino.
Naveen havia se tornado um jovem de dezenove anos.
Sua beleza parecia ter sido esculpida pela própria neve.
Sua pele era clara como o inverno.
Seus cabelos brilhavam como fios de prata.
Seus olhos eram de um azul profundo, lembrando um lago congelado.
Seu rosto era tão sereno que muitos o chamariam de um anjo.
Mas apenas sua aparência ainda lembrava um.
Seu coração…
Já não era o mesmo.
Dentro da torre, Naveen permanecia diante da janela.
Era o mesmo lugar.
A mesma vista.
A mesma solidão.
Durante dezenove anos, ele jamais atravessou aquela porta.
Nunca caminhou pelos jardins.
Nunca respirou o ar do lado de fora.
Nunca sentiu a chuva.
Nunca sentiu o calor do sol sobre sua pele.
Naveen (pensamento):
“Ainda existe um mundo lá fora…”
“Mas ele nunca pertenceu a mim.”
Sobre a escrivaninha havia dezenas de livros.
Nenhum estava aberto.
Naveen já não encontrava conforto nas histórias.
Ele apenas permanecia em silêncio.
Observando.
Esperando.
Sem saber exatamente o quê.
O quarto inteiro permanecia congelado.
As paredes estavam cobertas por cristais de gelo.
A água da jarra permanecia congelada o dia inteiro.
As flores deixadas pelos criados morriam antes do anoitecer.
Nem mesmo a lareira conseguia aquecer aquele lugar.
O frio vinha dele.
Naveen (pensamento):
“O frio não me incomoda mais.”
“Talvez eu tenha me tornado igual a ele.”
Enquanto isso…
Do outro lado do castelo…
Mateu, agora com dezessete anos, atravessava os jardins montado em seu cavalo branco.
Sua beleza era tão angelical quanto a do irmão.
Seus cabelos dourados brilhavam sob a luz do sol.
Seu sorriso transmitia esperança.
Seus olhos carregavam bondade.
Por onde passava, cumprimentava empregados, soldados e crianças.
Mateu:
“Bom dia!”
“Como está sua família?”
Soldado:
“Muito bem, Alteza.”
Mateu:
“Fico feliz.”
Todos sorriam para o príncipe.
Mateu fazia questão de lembrar o nome de cada pessoa.
Gostava de conversar.
Gostava de ouvir.
Gostava de viver.
Mas havia uma pergunta que nunca deixava seu coração.
Mateu (pensamento):
“Por que eu nunca tive um irmão ao meu lado?”
“Sempre sinto que falta alguém na nossa família.”
Desde pequeno, ninguém respondia suas perguntas.
Sempre que perguntava sobre a torre…
O assunto mudava.
Mateu:
“Existe alguém morando naquela torre?”
Criado:
“Alteza… é melhor não perguntar.”
Mateu (pensamento):
“Por que todos ficam assustados?”
Na torre…
Naveen continuava olhando pela mesma janela.
De repente…
Viu um jovem cavalgando pelos jardins.
Mateu.
Naveen permaneceu imóvel.
Não havia curiosidade.
Não havia alegria.
Nem tristeza.
Seu rosto continuava completamente sereno.
Naveen (pensamento):
“Então… aquele é meu irmão.”
Ele continuou observando.
Mateu ria com algumas crianças.
Depois ajudou um jardineiro a carregar um cesto de flores.
Logo em seguida, parou para alimentar alguns pássaros.
Naveen (pensamento):
“Ele sorri para todos.”
“Todos sorriem para ele.”
Durante alguns segundos…
Naveen tentou lembrar como era sentir vontade de sorrir.
Não conseguiu.
Levantou lentamente a mão.
Pequenos flocos de neve começaram a cair dentro do quarto.
Ele nem percebeu.
Naveen (pensamento):
“Não sinto mais tristeza.”
“Também não sinto alegria.”
“Não sinto raiva.”
“Não sinto esperança.”
“Meu coração…”
“Está vazio.”
Lentamente…
Uma fina camada de gelo começou a cobrir o espelho do quarto.
Naveen aproximou-se.
Olhou para o próprio reflexo.
Naveen:
“…Quem é você?”
O reflexo permaneceu em silêncio.
Naveen (pensamento):
“Aquele menino que chorava desapareceu há muito tempo.”
“Aquele menino que esperava um abraço morreu dentro desta torre.”
“Agora…”
“Existe apenas eu.”
Pela primeira vez em muitos anos…
Naveen não desejou sair dali.
Ele já não sonhava com liberdade.
A torre havia deixado de ser uma prisão.
Tornara-se tudo o que ele conhecia.
TOPÁZIO:
O gelo tem um estranho poder.
Primeiro ele congela as mãos.
Depois congela as lágrimas.
E, quando ninguém percebe…
Também congela o coração.
Naveen ainda não era um homem cruel.
Mas estava deixando de sentir aquilo que fazia alguém permanecer humano.
Enquanto Mateu aquecia o coração de todos ao seu redor…
Naveen se tornava tão silencioso quanto a neve que caía sobre a torre.
E, sem que o reino soubesse…
O inverno já havia começado dentro dele.
Capítulo 2 — Dois Irmãos, Dois Destinos
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TOPÁZIO O Rei do Gelo
No poderoso Reino de Esmeralda, o príncipe Kori nasceu com um dom tão belo quanto perigoso: o poder de controlar o gelo e a neve. Ainda criança, um terrível acidente causado por sua magia tira...