Capítulo 4 — As Luvas
TOPÁZIO:
Depois da visita de seus pais…
O silêncio voltou a dominar a torre.
Naveen permaneceu diante do espelho.
O manto branco estava perfeitamente ajustado.
A coroa ainda repousava sobre a almofada.
Faltava apenas um detalhe.
As luvas.
Sobre uma pequena mesa de madeira havia um par de luvas brancas, bordadas com fios prateados.
Durante toda a vida…
Naveen usara aquelas luvas.
Não como um símbolo de elegância.
Mas como uma prisão.
Naveen aproximou-se da mesa.
Olhou para elas durante alguns segundos.
Naveen (pensamento):
“As mesmas luvas…”
“Desde criança.”
Lentamente…
Pegou uma delas.
Passou os dedos sobre o tecido.
Pela primeira vez em muitos anos…
Retirou a luva da mão direita.
Sua pele era extremamente branca.
Delicada.
Mas, assim que seus dedos tocaram o ar…
Pequenos cristais de gelo começaram a surgir.
A mesa congelou.
O espelho foi coberto por uma fina camada de gelo.
A temperatura do quarto caiu imediatamente.
Criado:
“Vossa Alteza…”
O homem deu um passo para trás, assustado.
Naveen apenas observou o gelo se espalhando.
Seu rosto permaneceu completamente sereno.
Naveen (pensamento):
“Ainda funciona.”
Sem qualquer pressa…
Ele encostou a mão na parede.
O gelo avançou lentamente pelas pedras.
Cobriu o teto.
Desceu pelo chão.
Em poucos segundos…
Todo o quarto estava congelado.
Os criados observavam em absoluto silêncio.
Ninguém ousava se aproximar.
Criada (sussurrando):
“Os poderes dele…”
Naveen retirou também a outra luva.
Agora as duas mãos estavam descobertas.
A neve começou a cair dentro da torre.
Naveen fechou os olhos.
Não sentia medo.
Não sentia culpa.
Muito menos arrependimento.
Naveen (pensamento):
“Foi por causa dessas mãos…”
“Que passei dezenove anos preso.”
Ele olhou para as próprias palmas.
Naveen:
“Vocês nunca foram o problema.”
O gelo continuava crescendo.
Naveen:
“O problema…”
“…foram as pessoas.”
Naquele instante…
O conselheiro entrou apressado na torre.
Ao ver todo o quarto congelado…
Parou imediatamente.
Conselheiro:
“Majestade!”
“Por favor…”
“Coloque as luvas.”
Naveen virou lentamente o rosto.
Naveen:
“Por quê?”
Conselheiro:
“Seu poder pode sair do controle.”
Naveen olhou novamente para suas mãos.
Naveen:
“Durante dezenove anos…”
“Vocês esconderam minhas mãos.”
“Nunca esconderam o medo de vocês.”
O conselheiro permaneceu em silêncio.
Não havia resposta.
Depois de alguns instantes…
Naveen voltou a vestir as luvas.
No mesmo momento…
A neve parou de cair.
O gelo deixou de avançar.
O quarto permaneceu congelado.
Mas a magia voltou a adormecer.
Naveen caminhou até a porta.
Naveen (pensamento):
“Essas luvas não controlam meu poder.”
“Elas apenas escondem quem eu sou.”
Ele passou pelos criados.
Nenhum deles teve coragem de olhá-lo nos olhos.
TOPÁZIO:
Durante toda a infância…
Naveen acreditou que aquelas luvas existiam para proteger as pessoas de sua magia.
Mas, naquele dia…
Ele compreendeu outra verdade.
As luvas nunca esconderam apenas o gelo.
Elas escondiam o medo que o reino tinha dele.
E esse pensamento fez seu coração ficar ainda mais frio.
Capítulo 4 — As Luvas
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TOPÁZIO O Rei do Gelo
No poderoso Reino de Esmeralda, o príncipe Kori nasceu com um dom tão belo quanto perigoso: o poder de controlar o gelo e a neve. Ainda criança, um terrível acidente causado por sua magia tira...