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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 03

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Ao sair do elevador, uma coisa chamou minha atenção: a porta estava entreaberta.

Fiquei confuso, tinha certeza de ter deixado trancada. Recordava perfeitamente disso. Com certeza não era Dominic que estava lá.

De longe, pela pequena fresta, vi que estava escuro. Fiquei hesitante. Avancei lentamente pelo largo corredor até a porta e me detive diante dela.

Abri a porta devagar, ela rangeu levemente e fui avançando.

Assim, a distância entre a escuridão e eu foi encurtando. Estávamos unidos agora. Olhei ao redor e não consegui ver nada.

Alguns segundos depois, já estava no meio da sala. Quando algo me segurou por trás, as sacolas que carregava comigo caíram no chão.

Enquanto tentava me soltar, notei que essa pessoa era mais fraca que eu. E, antes que eu pudesse agir, sua voz me assustou. Na verdade, eu nem poderia revidar, mesmo que quisesse.

— Zhang?! — No instante seguinte, ela se afastou, pareceu reconhecer minha voz e, no momento seguinte, as luzes foram acesas. — Por que você fez isso?

— Desculpe. Acabei de chegar e não havia ninguém, não deu tempo de acender as luzes. Quando a porta se abriu, vi uma sombra e só pensei o pior — explicou. Ela recolheu as sacolas do chão.

— Não me assuste! — Ainda estava atordoado. Pensei que minha casa havia sido invadida, mas refletindo melhor: — Como você entrou?

— Você deixa uma chave extra embaixo do tapete, então eu peguei. Na ligação, você não parecia bem e vim rapidamente. Temos muito a discutir — ela falou com seriedade.

Quando os ânimos se acalmaram, depois desse mal entendido, fomos para a cozinha.

Peguei o avental e comecei a me preparar para cozinhar. Zhang colocou as sacolas sobre a mesa de jantar, puxou uma cadeira e sentou, olhando para mim.

Quando eu era pequeno, minha mãe enfrentava grandes dificuldades por causa do meu padrasto, e a situação se tornou insustentável. Por isso, decidimos nos mudar para o interior, onde meus falecidos avós tinham uma pequena propriedade rural, foi lá que aprendi a cozinhar.

Uma amiga dos meus avós me ensinou muito. Com ela, eu tive a oportunidade de pegar emprestado seus livros de receitas e praticar. Hoje em dia, consigo cozinhar diversas receitas.

— Ele vem hoje? — Ela tinha uma ideia. — Esquece. O que realmente quero saber é sobre você. E então? — A expressão de Zhang mudou imediatamente com o tópico.

— Você saiu mais cedo do trabalho?

— Meu turno acabou mais cedo — esclareceu. Zhang pegou uma maçã e começou a comê-la, esperando que eu falasse.

O clima é descontraído, mas há uma tensão sutil enquanto me preparava para falar.

Respirei fundo e introduzi o diálogo:

— Não sei bem como começar… — sua expressão ficou preocupada.

— O assunto é muito sério? — acenei, rindo inaudivelmente de nervoso.

— Você sabe que fui ao médico recentemente, e… bem, ele me disse que eu sou intersexo.

Zhang arregalou os olhos, surpresa.

— Uau! Isso é… Eu nunca imaginei… — ela gaguejou, então se recompor um pouco e voltou a falar. —Como você se sente sobre isso, Oscar?

Fiquei um pouco pensativo antes de conjurar as palavras.

— No começo, fiquei em choque. Eu não imaginava isso sobre mim. Era como se uma parte da minha identidade estivesse faltando. Mas, ao mesmo tempo, sinto que agora algumas coisas fazem mais sentido.

— Isso deve ser muito confuso. Mas eu estou aqui para você! E tem mais alguma coisa que você precisa me contar? — encorajou.

Naquele instante fiquei realmente nervoso, desviando o olhar e dizendo que sim. Uma sussurrou que Zhang ia achar estranho, ou talvez nojento e aquilo fez minha coragem evaporar. Me vi num imenso turbilhão de emoção e minhas mãos começaram a suar.

A tensão emocional me consumia. E quando Zhang me encorajou, hesitei. A voz trêmula enquanto finalmente soltava as palavras.

— E que, eu… — Me atrapalhei. — Eu descobri que também estou grávido.

Ela ouviu a notícia com uma mistura de surpresa e incredulidade.

Ela não deixou transparecer imediatamente a totalidade das suas emoções, então seus olhos demonstraram genuína preocupação e carinho.

Ela não fez perguntas invasivas de imediato, oferecendo uma palavra de conforto. Zhang continuou ouvindo sem julgamentos, respeitando o meu espaço.

— Foi tudo de uma vez só, Zhang. O médico fez o ultrassom e… lá estava um pequeno ser em desenvolvimento. Eu fiquei paralisado. Era muita informação para processar. — Confessei. — O médico ainda perguntou se queria abortar, para fazer a cirurgia de remoção dos órgãos, mas respondi que não. Decidi que vou seguir adiante.

— Nossa, isso é uma montanha-russa emocional! — Então Zhang segurou minha mão, me afagando delicadamente. — Mas eu quero que você saiba que estou aqui para te apoiar em tudo isso. É uma jornada nova e desafiadora, mas você não está sozinho. — Suas palavras me fizeram esboçar um pequeno sorriso.

— Obrigado. Eu realmente precisava ouvir isso. Às vezes sinto medo do que vem pela frente. Penso em como vou lidar com isso tudo…

— Olha, cada passo do caminho pode ser difícil, mas você é forte e resiliente, Oscar. Vamos enfrentar isso juntos! — aquilo me deixou aliviado.

— Eu não quero passar por isso sozinho. E saber que você está ao meu lado faz toda a diferença.

— Sempre estarei aqui para você!

Então, por um breve instante, ela me encarou, refletindo sobre algo. Quando decidiu se pronunciar, estava cautelosa:

— Não se aborreça, mas… — Seus lábios se fecharam, enquanto ponderava sobre quais palavras usar. — Quando você decidiu ter essa criança os seus sentimentos por Dominic influenciaram?

Minhas pupilas se dilataram imediatamente, fixando-se nela. Depois, desviei o olhar. Era uma observação talvez até óbvia. Olhando desse ângulo, era fácil chegar à essa conclusão.

Era apenas o desejo de ter algo que unisse Dominic a mim? Ou eu queria ter esse filho por mim? Até pouco tempo atrás, a ideia de ter filhos nunca me passou pela cabeça; meu foco sempre foi Dominic.

Tudo girava em torno dele. Agora, no entanto, a situação mudou. Voltei a olhar para Zhang, com um brilho refletindo nos meus olhos. Meu silêncio parecia se arrastar por minutos, como se hesitasse, mas não era isso que acontecia.

— Não tinha dito nada antes, mas quero sentir que ainda existe uma sombra de luz, uma criatura no mundo que seja capaz de amar o verme que me tornei. E agora isso acontece. Quero ter o prazer de sentir um sentimento saudável. — Minha voz tremia levemente, carregada pela emoção.

Zhang me observava de uma maneira peculiar. Estávamos em um silêncio estranho, e minhas bochechas, de aspecto cadavérico, ganharam cor e vida novamente. Elas estavam quentes, me sentia agitado, parecia que um morto ganhou vida.

Embora um filho tornasse o divórcio mais complicado, minha decisão já estava tomada. Contudo, não foi uma decisão que tomei pensando em Dominic.

Será que não mereço receber um grão de luz? Possuí-lo e cultivá-lo?

Ciente da minha condição e decisão, mudámos de tema.

E naturalmente o clima incomum se dissipou e a conversa se estendeu por muito tempo, esclarecendo suas dúvidas.

Por um instante, desviei meu foco para a panela e acrescentei alguns temperos. A partir daí, a comida estava praticamente pronta. E logo estávamos jantando.

Nessa hora, fomos interrompidos por um barulho que ecoou.

Vinha da porta, que balançou levemente. Isso foi o suficiente para capturar nossa atenção e despertar a curiosidade. Alguém estava ali. Depois de tantos dias, havia outra pessoa, além de mim e Zhang, à porta.

Era ele.

 

 

 

 

Betagem: Arabella

 

 

 

Capítulo 03
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