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A DÉCADA DEPOIS DA PRIMAVERA

Capítulo 29

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A cada passo, era necessário respirar com esforço e aspirar o suficiente para abastecer meus pulmões. O suor formou uma linha única, pura e salgada, como as águas do oceano. Percorreu do pescoço até a barra da minha camisa e ali permaneceu.

Os batimentos do meu coração estavam um pouco acelerados.

Embora meu obstetra tenha mandado, a caminhada de uma hora era fatigante. Sentia sede e transpirava. Não era algo agradável. E o cachecol só piorava a situação, retendo calor.

— Você parece cansado. Vamos até a lojinha de conveniência comprar algo para beber — sugeriu Luciana gentilmente.

Não passei muito tempo no hospital. Os dias transcorreram normalmente após o incidente. Assim como Luciana e Zhang haviam dito, ficamos mais próximos e Dominic voltou ao trabalho, como de costume.

Tudo ia voltando lentamente ao seu lugar. Os primeiros dias foram difíceis, apesar disso.

Passei uma semana sem sair de casa, mas Zhang e Luciana insistiram para que eu voltasse à rotina. Me isolar e ficar de ócio seria um terreno fértil para as lembranças brotarem frequentemente e eu ficar depressivo.

As marcas no meu corpo sumiam diariamente, mesmo que algumas insistissem em desaparecer mais lentamente.

Caminhamos até a lojinha mais próxima, apreciando o belo crepúsculo. Já era fim de tarde e, apesar do horário, o clima estava quente e abafado, então foi uma boa ideia comprar água para nos refrescar.

Decidi esperar no estacionamento, debaixo de uma árvore curvada. Sua sombra escura formava um semicírculo no chão, o clima ao seu redor era fresco e amenizava o calor físico. Assim que Luciana entrou na lojinha de conveniência, a cena que se seguiu me deixou atônito.

Mais adiante, um pouco mais longe, na esquina da rua, uma mulher e um menino ajudavam uma garotinha que passava muito mal a sair do carro pequeno e preto. Notei que ao redor não havia ninguém. Estavam somente eles três na rua. Sem outras alternativas, tive que ir ajudá-los.

Fiquei de joelhos ao lado dela, sem tocá-la. O asfalto estava morno e áspero contra minha pele.

— O que aconteceu? — indaguei.

A menina estava deitada no chão, com uma expressão agonizante. Sua testa estava banhada de suor e seu rosto, pálido. Ela segurava o próprio peito com a mãozinha, olhando com pânico e desespero para a mulher.

— Ela tem problemas cardíacos e esquecemos seus medicamentos! — A criança se retorcia no chão, franzindo o cenho. Parecia que seu coração estava sendo estrangulado, sufocando-a continuamente, enquanto encolhia o corpo à medida que a pressão no peito aumentava. — Não acredito que consiga levá-la sozinha e também não estou com meu celular. Não há como deixá-la no banco do passageiro nesse estado!

Afrouxei as roupas e acessórios apertados da criança para facilitar sua respiração e proporcionar-lhe um pouco mais de conforto.

Olhei na direção da loja onde Luciana estava. Ela estava demorando e não parecia que viria agora.

Imediatamente, liguei para uma ambulância e disseram que não chegariam logo. Estavam presos no engarrafamento longe daqui. Porém, deram orientações e disseram que nós mesmos teríamos que levá-la.

— Vamos para o hospital, eu vou ajudá-los. Você está de carro? — A mulher acenou com a cabeça, mas explicou que seu carro tinha pouca gasolina e que não sabia se chegaríamos lá. Então eu mencionei um plano B: — Ainda há táxis a essa hora, podemos chamar um caso seja necessário.

A mulher estava extremamente ansiosa e continuava olhando para a menina enquanto mordia os lábios, parecia que iria chorar a qualquer momento. Pedi gentilmente que ela se acalmasse para não entrar em pânico.

— Obrigada. Vamos levá-la até o carro. No hospital, poderemos pegar os remédios — ela falou, observando o quão fraca a criança estava. — Querida, aguente mais um pouco. — As mãos dela tremiam e em seus olhos havia lágrimas.

Não tive escolha senão pegá-la gentilmente e colocá-la no meu colo, apesar da minha situação. Tudo aconteceu muito rápido e não podia esperar por Luciana.

A tia deles pegou o menino no colo e trouxe-o conosco. Quando olhei para eles, vi que eram irmãos, muito parecidos.

Tive dificuldade por causa da criança nos meus braços. A mulher não estava em condições de dirigir, então sugeriu que eu ficasse ao volante e ela com a menina.

A mulher sentou-se no banco do passageiro e colocou o cinto de segurança no menino. Ela estava doente de preocupação e frequentemente olhava para a sobrinha.

Conforme o tempo passava, pior a menina ficava. Passamos em frente à lojinha de conveniência e vi Luciana de costas conversando com o atendente. Ela não me viu e o carro seguiu em frente, deixando-a para trás.

— Estamos quase lá — tentei dar um pouco de ânimo às duas. Minha voz estava calma, apesar do nervosismo.

Após passarmos por um cruzamento e virarmos à direita, a criança não aguentou mais. Ela desmaiou devido à agonia.

Então solicitei que ficassem atentos aos batimentos cardíacos e à respiração. Neste momento, o carro começou a desacelerar; a gasolina tinha acabado. Apertei o volante com força insaciável até os nós dos dedos ficarem brancos. Tive que estacionar à beira da estrada. A mulher começou a questionar o que faríamos, sentindo-se desesperada.

Peguei meu celular para chamar um táxi. No entanto, ia demorar cerca de vinte minutos para chegar.

Fora do carro, o barulho dos pneus no asfalto se tornou claro e audível. A agonia dentro do veículo aumentava de acordo com os movimentos inconscientes da menina. No final, fiquei imóvel por alguns segundos, analisando as opções restantes enquanto mirava o pavimento poroso. Então, saí do carro.

Olhei ao redor e não havia muita movimentação, apenas alguns carros que passavam por nós sem parar. Gritei alto, pedindo que viessem ajudar, que ajudassem a levar a criança ao hospital. No entanto, nenhum deles parou. Hoje realmente não era um dia de sorte.

Estava ofegante por ter gritado tanto. Olhei para o rosto pálido da menina e tive a intuição de que ela não conseguiria esperar mais. Fui procurar ajuda pelos arredores. Se não fosse rápido, ela ia morrer! Excluí essa ideia. Porém, no final, não encontrei ninguém, apenas uma bicicleta velha em um canto. E o tempo estava passando.

 

 

 

Capítulo 29
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Oscar é...

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