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A Década Depois Da Primavera

Capítulo 30

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A mulher não conseguiria manusear uma bicicleta no seu estado atual, então peguei a criança no colo e a levei na direção da bicicleta, com a esperança de que conseguiria ajudá-la. Ela estava ficando roxa e isso era preocupante. Felizmente, a bicicleta não estava trancada, e agradeci internamente ao bondoso desconhecido que a deixou aqui sem qualquer segurança.

— Pegue, venha até o hospital São Marcos e traga isso. — Entreguei meu celular para ela, como uma espécie de garantia de que não estava sequestrando sua sobrinha.

— Mas esse hospital é particular, não tenho como pagar. — Ela estava angustiada, e suas mãos tremiam cada vez mais.

— Não se preocupe, vou arcar com os custos. O importante é ajudá-la.

Não demorei mais nem um minuto. Comecei a me acalmar e a reunir coragem para colocar a menina no suporte traseiro da bicicleta, apoiando-a contra o meu corpo. Tive receio de que ela não estivesse segura dessa maneira, então usei meu cachecol para amarrar o corpo dela ao meu, como se fosse uma corda. Surpreendentemente, não ficou tão desconfortável quanto imaginei inicialmente; foi tolerável e não ia nos machucar.

Comecei a pedalar com dificuldade, pois fazia um bom tempo desde a última vez que andei de bicicleta. Enquanto pedalava, era impossível não me preocupar com a possibilidade da menina cair. O caminho parecia mais longo, e a linha reta se estendia a cada pedalada, enquanto o calor aumentava ainda mais.

Pedalei até suar, conseguindo terminar a última curva da rua com dificuldade. Quando vi a placa do hospital, meus nervos se acalmaram um pouco. Gritei alto, pedindo para que os paramédicos viessem, e quando os vi chegando com a maca, fui relaxando.

— O que aconteceu com ela? — uma enfermeira perguntou enquanto verificava a garota desmaiada.

— Ela estava com dor no peito e, de repente, desmaiou no caminho para cá. Sua tia disse que tem problemas cardíacos — expliquei.

— Provavelmente é um bloqueio do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco. Vamos, ela precisa ser atendida imediatamente! — Eles a colocaram na maca e a empurraram apressadamente.

Outra enfermeira ficou para trás e falou comigo. Perguntou se eu estava bem, me ofereceu água, e eu aceitei. A água desceu com fluidez como em um rio intermitente molhando minha garganta e saciando minha sede.

— Você pode ir fazer o procedimento de internação e depois vá para a sala de espera. — Olhei para ela em silêncio enquanto me hidratava e, depois, acenei inexpressivamente.

Corri de um lado para o outro para terminar os procedimentos de internação, assinar o consentimento para a operação e pagar as taxas de hospitalização com o cartão de crédito de Dominic, que ainda estava comigo. Quando terminei, fui para a sala de espera, onde soube que a cirurgia já havia terminado.

A tia da criança teve dificuldade para nos localizar. Ela consultou a enfermeira do hospital em busca de informações e, posteriormente, veio até nós. Ao chegar, deparou-se com sua sobrinha deitada, mergulhada em um sono profundo, cercada de equipamentos médicos e recebendo soro intravenoso. Após contemplar tranquilamente o estado da menina, finalmente conseguiu se acalmar. Devolveu-me o aparelho e expressou sua gratidão por minha ajuda.

O nome da mulher era Maria, conforme mencionou em sua breve apresentação. Aquelas crianças eram seus sobrinhos, filhos de seu irmão mais velho, que estava em uma viagem.

Maria acomodou-se ao lado da sobrinha, observando-a atentamente. O médico fez algumas visitas para monitorar seu estado e nos informou que a pequena Margaret teve muita sorte, pois quase foi a óbito. Mesmo que o caso tenha evoluído para um quadro de infarto, a intervenção aconteceu rapidamente, evitando um desfecho trágico.

Após ouvir o médico, Maria refletiu sobre o quão imprudente foi por ter esquecido os remédios, colocando a vida de sua sobrinha em perigo.

Fiquei com eles por mais um tempo e, então, me despedi, explicando que era hora de ir embora. Passei muito tempo com eles e precisava voltar para casa. Assim que saí da sala, liguei para Luciana para explicar o motivo do meu sumiço. Ela admitiu que ficou muito preocupada e estava prestes a ligar para a polícia.

— Estou aliviada com sua ligação — seu tom de voz ia relaxando pouco a pouco do outro lado da linha. — Você não sabe como me senti naquele momento. Demorei um instante cumprimentando o atendente, que coincidentemente era um velho conhecido, e quando saí, você não estava mais lá.

— Desculpe, não era minha intenção te preocupar. Quando vi a criança passando mal, senti que tinha que ajudar — justifiquei.

— Você é uma boa pessoa, Oscar. Venha para casa, já está ficando tarde.  — Pediu.

— Ok, vou pegar um táxi e logo estarei aí. — Desliguei e continuei andando pelos corredores brancos.

Pouco tempo depois de finalizar a ligação, fui abordado na esquina do corredor por um grupo de homens vestidos com ternos pretos. Por um momento, pensei que fossem seguranças do hospital, talvez para resolver algum equívoco nos papéis de internação. Mas logo percebi que a aura deles era bem diferente; eles não eram funcionários.

Eles se aproximaram de mim, formando um semicírculo, todos parados e olhando-me fixamente, como se estivessem avaliando cada detalhe da minha expressão. O simples ato de encará-los despertava em mim um sentimento ruim, uma intuição que anunciava um contexto desfavorável e uma sensação de formigamento percorreu minha pele, aguda e fria. Um deles, mais velho e alto, tinha um olhar penetrante, que parecia atravessar minha pele e expor meus medos mais profundos.

O silêncio que valsava entre nós foi abruptamente interrompido quando as luzes do corredor começaram a piscar antes de se apagarem completamente. A escuridão tomou conta e uma sensação de claustrofobia se instalou no ar. Havia pouquíssima iluminação, apenas algumas luzes de emergência piscando de forma vacilante, como se quisessem lutar contra a sombra que se espalhava.

Burburinho e passos apressados ecoavam de todos os lados, mas estranhamente, meus colegas não demonstraram nenhuma reação. Eram como manequins, lívidos de emoções humanas. Eles continuavam imersos em suas posições, alheios ao clima tenso que se formava ao meu redor.

Naquele momento, compreendi imediatamente que eles eram os responsáveis pela situação inquietante e que não temiam nada.

Os homens de preto eram capazes de provocar confusão em um hospital sem preocupação ou remorso. O ar ficou mais pesado, quase elétrico, e eu podia sentir meu coração acelerando, como se estivesse prestes a saltar do peito. A sensação de vulnerabilidade era palpável e a única saída parecia estar cercada por eles.

 

 

 

Capítulo 30
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