Capítulo 31
— Me solta, isso dói! — Minha voz saiu atrapalhada, nervosa, e minhas bochechas estavam rosadas.
Meus pulsos ficaram doloridos; um homem grande segurava minhas mãos atrás das costas, seu aperto só aumentava e era penoso.
Nunca passei por um corredor mais imundo e miserável como aquele. Era longo e mal iluminado. As paredes tinham a pintura cor creme desbotada e, em alguns cantos, a tinta estava descascando, com rachaduras que deixavam claro que ele era pouco frequentado. Parecia sepultado, sujo e empoeirado. No teto, as aranhas teciam suas teias livremente.
Paramos diante de uma porta de ferro com os cantos dominados pela ferrugem, e fui forçado a entrar numa grande sala.
Ainda me sentia meio zonzo pela brutalidade deles quando me jogaram no carro. No caminho para cá, colocaram um saco preto na minha cabeça, e fiquei assim por, segundo acreditava, duas horas. No escuro, não tinha como calcular o tempo exato. Na verdade, a única coisa que vi quando o saco foi removido, do lado de fora do carro, foi um porto cheio de contêineres parcialmente iluminado pelos postes.
Na sala, havia uma pequena mesa e três cadeiras. Diferente do corredor, a sala estava limpa, organizada e bem iluminada. Me sentei de frente para um homem que, pela postura, deveria ser o chefe.
Sua fisionomia parecia rabugenta, e usava um terno bem passado e sapatos sociais polidos. Os olhos estavam semicerrados, como se estivesse me estudando.
— Por que me trouxeram aqui? Não fiz nada para vocês. — disse, sem pressa, enquanto me acomodava depois de ser solto e deixado na sala. — Isso é considerado sequestro, sabia?
— Não importa — ele se moveu para frente enquanto falava e acrescentou: — Meu nome é Eduardo, e agradeço por vir até aqui — abriu um sorriso cínico. — Para obter dinheiro, não importam os meios… E o seu padrasto alegou que você iria me dar. — Seu sorriso se alargou um pouco.
Meu coração deu um salto quando ouvi a menção ao meu padrasto. Fazia anos que não tinha notícias dele, muito menos da minha mãe. A lembrança congelou na minha mente, tão fria e imóvel quanto a mesa na minha frente.
Minha testa criou linhas profundas enquanto franzia as sobrancelhas e inclinava a cabeça para um lado, incrédulo, e finalmente encarei o homem à minha frente.
— O que você quer dizer? Onde ele está? — Me sentei ereto e olhei nos olhos de Eduardo.
— Não sei. Há tempos que estou procurando por ele e, como usou seu nome como fiador, agora quero meu dinheiro. — Sua postura se tornou mais séria e ameaçadora. Ele acendeu um cigarro sem se importar comigo. Depois, exalou um bocado de fumaça lentamente. A fumaça era sufocante. — Você pode ir embora depois que me pagar. Vamos, sei que possui muito dinheiro. Seu parceiro é dono de uma grande multinacional. Só posso admirar o quão sortudo você é.
— Eu não tenho dinheiro! — Apesar da roupa cara que usava, peguei minha carteira de couro preta e a abri diante dele.
Os bolsos tinham algumas notas, dois cartões e documentos. Um cartão era de Dominic, o outro do ônibus. Com isso, achei desnecessário mostrar minhas contas bancárias vazias. Segundos depois, ele balançou a cabeça, rindo sem articular som algum.
Ele bateu sua mão grande e carnuda na mesa, com as veias saltando da pele com tanta força que o móvel tremeu. Sua boca estava aberta, e seus dentes amarelados me encaravam.
— Não brinque comigo, vamos… — estendeu um papel meio amassado; involuntariamente olhei, e a quantidade de zeros me assustou. — Ligue para seu marido, com certeza ele vai pagar. Ou então… — Olhou fixamente para mim e depois mirou meu abdômen; a sensação de um nó duro apertou minha garganta, dificultando minha respiração.
Ele não estava para brincadeiras. Eu sabia que não seria capaz de sair se não pagasse aquilo, não importava o que dissesse.
— Você já sabe que não posso te pagar — queria acabar com isso o mais rápido possível.
— Sabemos quem pode. — Ele virou a cabeça para o lado para olhar o celular.
Quis rir silenciosamente depois de ouvir suas palavras. Pedir dinheiro ao Dominic seria difícil. Ele provavelmente não sabia que Dom não gostava de mim.
— Receio não poder ajudá-lo, mesmo se quisesse — falei. As fontes de informação desse homem não eram totalmente confiáveis.
— Você não vai poder sair sem resolver esse assunto. Se você pedir, acho que ele definitivamente vai pagar. — Só pude balançar a cabeça, sem muita convicção.
— Você é um bom homem, vai me deixar sair, então peço licença — me levantei.
Com um movimento lento e deliberado, sua mão se estendeu e pegou algo. Quando colocou o objeto sobre a mesa, parei imediatamente. Ele levantou os olhos faiscando, as narinas dilatadas para mim.
Minha garganta secou. Minhas palmas ficaram úmidas. Sem ter onde secá-las, enxuguei as mãos na calça. A frieza do metal refletia a luz, e a pressão da situação me lembrou da prisão em que estava.
— Não me obrigue a fazer algo com você. A escolha é sua. Vamos, sente-se e espere aquela porta se abrir. Sabia que você não ia facilitar as coisas, por isso me adiantei um pouco. — A voz dele era calma, quase condescendente, enquanto eu hesitava. Só consegui encará-lo; cada segundo que passava me deixava mais irritado e impotente. Quando finalmente me sentei, ele falou lentamente, como se estivesse saboreando cada palavra. — Tenho que pedir que coopere, ou não viverá tempo suficiente para ver aquela porta se abrir.
— Você ligou para ele? Ele não vem, escute o que digo. — A incredulidade na minha voz ecoou no espaço vazio, mas Eduardo simplesmente zombou, caminhou até mim e deu um tapinha no meu ombro, como se fôssemos velhos amigos.
— Não tire conclusões precipitadas, veja… — indagou. Passando a mão por cima da minha cabeça, ele pegou o celular, e a luz da tela me ofuscou, doendo em meus olhos.
Quando minha visão se ajustou, vi uma foto minha. A imagem era nítida: eu, forçado a entrar no carro, com uma arma pressionada nas minhas costas e capangas ao meu lado, seus rostos distorcidos pela ameaça. Dominic sabia de tudo, principalmente sobre o vício compulsivo do meu padrasto, e o pensamento de que ele poderia estar ciente da situação me deixou incomodado.
O homem guardou o celular novamente, e só então Eduardo voltou para onde estava sentado, um sorriso cruel nos lábios, como se estivesse desfrutando do meu desespero.
Vinte minutos se passaram, cada segundo se arrastando como se o tempo tivesse se tornado um inimigo. O tédio floresceu por dentro e por fora. Nada para entreter a vista ou focar os pensamentos, e passei a ser como um defunto, sem as liberdades que davam sensações e continuavam a vida.
Então, alguém chegou à porta. O som da maçaneta girando ecoou, e uma onda de tensão percorreu meu corpo. A porta se abriu lentamente, revelando uma sombra negra que desceu para dentro da sala confiantemente.