Capítulo 32
Dominic realmente veio. Sua aparição me deixou surpreso, nunca imaginei que o colocaria em uma situação dessas. Ao entrar, ele lançou um olhar cortante pela sala.
Quando seus olhos se encontraram com os meus, um frio banhou meu estômago. O que ele pensava? Sentia raiva? Decepção? Não consegui decifrar. Seus pensamentos eram como estrelas, difíceis de desvendar.
Seu semblante, porém, parecia calmo, quase como se estivesse controlando suas emoções internas. À sua frente, Eduardo aproximou-se com um sorriso falso que não enganava ninguém.
— Você finalmente chegou; venha e sente-se.
— Não há necessidade de bajulação, afinal — protestou Dominic, enquanto Eduardo o guiava para o assento próximo.
A risada de Eduardo ecoou, mas a tensão no ar era palpável. Dominic se acomodou ao meu lado, sua expressão endurecendo como pedra, o nariz enrugado pela camaradagem.
Eduardo, ousado, pousou a mão no ombro de Dominic. Um gesto amigável, mas Dominic reagiu num movimento rápido, afastando-o com um tapa. A ordem que proferiu era clara como cristal.
— Tire sua mão.
Eduardo levantou uma sobrancelha, mas a mão recuou, mesmo que relutante.
— Já estou aqui; deixe que Oscar vá embora — Dominic deu-lhe um olhar gélido.
A atmosfera ficou pesada. Eduardo, agora atrás de Dominic, sacou a arma e a pressionou contra sua nuca. O metal frio parecia vibrar no silêncio.
— Vocês só vão embora quando entregarem meu dinheiro. Vocês são exatamente iguais! — Ele balançou a cabeça e seus lábios se transformaram numa linha dura.
Prendi a respiração, meu coração batendo em um ritmo lento, como se o tempo tivesse desacelerado.
— Abaixe essa arma e sente-se; então poderei ajudá-lo. Se me matar, será impossível você receber dinheiro — a voz de Dominic era firme, enquanto Eduardo hesitava, o brilho de maldade em seus olhos começando a se apagar.
Eu estava ali, paralisado, sentindo a tensão entre eles. Dominic nunca se curvava diante dos fortes, sua postura era sempre de resistência.
Com um brilho impaciente, encontrando alguma chance, Dom disse com os olhos que estava se preparando, ele não esperou nenhum gesto meu e, então, tudo aconteceu em um piscar de olhos.
Enquanto Eduardo voltava para seu lugar, Dominic avançou, com um movimento ágil, chegou por trás e chutou Eduardo nas costas. O homem, despreparado, vacilou.
E depois de cambalear, Eduardo parou, ofegante. Dom simplesmente se lançou para frente, desferindo um golpe com o braço esquerdo no meio de suas costas. Eduardo se esquivou e o golpe pegou nas costelas, ele parou bruscamente, com a postura rígida.
Seu rosto parecia inchar quando nos olhou. Ele explodiu em direção ao Dom.
Aproveitando a ocasião, fui em direção a eles, determinado a desarmá-lo.
— Não faça idiotices, Oscar! — A voz de Dom cortou o ar, seu corpo tenso enquanto tentava imobilizar Eduardo.
Eduardo, foi atacado com um cruzado de direita colossal no queixo e Dominic continuou soltando tudo o que tinha, o punho dele atingiu sua orelha e cambaleou para trás. Eduardo caiu, mas levantou-se, arrastando-se com um andar pesado, a dor evidente em cada movimento.
Um brilho lunático tomou conta do seu rosto, gotas de suor escorrendo preguiçosamente pelos cantos da testa. Eduardo parecia completamente sem controle, disposto a matar.
Dom voltou a lutar, a arma escorregou pelo chão, para longe de nós, depois de tê-la chutado.
— Pegue a arma, Oscar, rápido! — Ele vociferou, a raiva pulsando em cada sílaba, enquanto eu me esgueirava para pegá-la.
Eduardo avançou em minha direção, com a fúria estampada no rosto.
Ele quase me alcançou, mas Dominic foi mais rápido e pegou a gola do seu terno, puxando-o com brutal violência que o fez cambalear para trás.
Com um movimento ágil, Dominic pegou uma cadeira e a lançou contra ele, que caiu de joelhos, uma careta estampada no rosto, com seu corpo latejando de dor.
Sangue brotou de seu nariz, mas, sem dar-lhe um segundo de folga, Dom atacou novamente, agarrando o braço de Eduardo e girando-o de forma brutal. O som do osso se deslocando ecoou na sala, e uma onda de vertigem me atingiu ao ver a cena.
Enquanto isso, ignorei o caos e agarrei a arma, finalmente a segurando. Dominic continuou desferindo golpes com fúria cega, usando toda a força que conseguia reunir. Batendo a cabeça de Eduardo contra o chão até que ele desmaiou.
Dominic se virou para mim, sua respiração soava pesada, seus olhos carregados de tensão.
— Você não o matou, certo? — Minha voz falhou ao perguntar. Ele ia responder, mas o barulho de passos se aproximando interrompeu o momento. Corri até a porta e coloquei uma cadeira na fechadura, o medo crescendo em meu peito. — Ainda tem muitos deles lá fora!
Dom se aproximou, pegando a arma de mim.
— Chamei a polícia enquanto vinha pra cá; não vai demorar. — Olhei para suas mãos, arranhadas e vermelhas. Ele notou meu olhar e em silêncio, começou a limpá-las.
— Chamou? — Enquanto limpava o sangue sujo dos punhos, ele explicou que, no caminho, ligou para o policial, o mesmo que cuidou do bêbado desmaiado.
Nesse meio-tempo, do outro lado da porta, a tempestade ia se formando e dominando tudo, a urgência tomou conta de mim:
— Essa porta não vai resistir por muito tempo; o que faremos? Essa arma não será suficiente. — O som da porta sendo empurrada aumentou, e as batidas reverberaram, pulsando contra minha espinha.