Capítulo 06
Capítulo 06
Quarta-feira.
Mais um dia agitado e cansativo, como todos os outros.
Otávio e Felipe estavam nas mesas externas do campus, trabalhando juntos no planejamento. Por mais que detestasse admitir, Otávio se sentiu renovado por ter alguém para compartilhar suas ideias e conhecimento — alguém que entendesse a mesma língua. Notou que Felipe era inteligente e absorvia rápido as informações, mas tinha uma dificuldade gigantesca em se manter focado.
{…………}
Eduardo, por outro lado, estava totalmente atolado: inúmeras coisas pra resolver e nada parecia se encaixar.
— Gente, eu preciso sair, preciso tomar um pouco de ar. Alguém quer alguma coisa?
— Tudo bem, Dudu. Você vai demorar?
— Não, eu volto logo. Só preciso esfriar as ideias.
— Tá bom, traz um refrigerante pra mim, por favor.
— Trago sim, pode deixar.
Eduardo saiu atordoado. Sua cabeça estava pesada e as pernas estavam bambas; se alongou, esticando a coluna. “Parece que eu corri uma maratona”, dizia para si mesmo enquanto seguia, com a mente borbulhando.
{………..}
— Ei, Otávio.
— Quê?!
— Tá vendo aquele cara ali de roupa colorida? Ele é quem tá liderando a organização do evento todo. Falam que ele é o queridinho da diretora, as inscrições para o Belas Artes dobraram depois do último evento que ele organizou… Mas este ano tem um pessoal falando que ele não vai terminar os preparativos a tempo.
— Aquele cara ali? Nunca ia imaginar! Se a memória que você tem pra armazenar fofoca fosse a mesma que usa pra estudar, suas notas não estariam ruins do jeito que estão.
— Vish, não tá mais aqui quem falou.
Eduardo foi se aproximando da mesa em que eles estavam.
— Eu vivi pra ver o dia em que Otávio Vasconcelos estaria socializando como uma pessoa normal!
— Não enche, Eduardo.
— Espera! Vocês se conhecem? — Felipe perguntou, surpreso.
— Nunca vi na vida! — Otávio retrucou.
— O que aconteceu? Ele te ameaçou pra vir estudar com ele? Se precisar de ajuda, dá uma piscadinha que eu resolvo — Eduardo disse, em tom de brincadeira.
Otávio olhou para a cara de Eduardo, mostrando o dedo do meio.
— Tá legal. Felipe, esse idiota aqui é o Eduardo. E Eduardo, esse aqui é o Felipe, ele tá na minha turma.
— Tá de sacanagem que você é amigo da “Estrela do Campus”?!
— É esse meu apelido agora? Gostei, tem seu charme.
— É esse já faz tempo, “estrelinha cadente”.
— Prazer em conhecer, Felipe. Mas você não respondeu: ele tá te ameaçando? Quer ajuda?
— Ele tá me ajudando com um trabalho, preciso melhorar as minhas notas — Felipe disse, rindo. — Você é quem está no planejamento da feira, né? Esse evento vai ser foda! Parabéns.
— Nossa, nem me fale desse evento… Meus neurônios estão derretendo por causa disso.
— O que aconteceu dessa vez? — Otávio perguntou, em tom de repreensão.
— Sabe qual é a pior coisa de distribuir tarefas? É que, se a pessoa não cumpre a parte dela, você se fode!!!
— Porque você não tem pulso firme! Acha que tem que resolver tudo. Quem tá atrapalhando agora?
— O Henrique ficou responsável pelo som, mas sumiu. Não veio à aula, não responde às mensagens nem atende às ligações. Não posso passar o nome dele como responsável, nem sei se ele vai vir… E o pior é que eu só tenho até amanhã pra entregar o nome do responsável pelo som.
— Ué, mas o novato não ia te ajudar com isso? Cadê a “ajuda” que ele prometeu?
— Ele tá resolvendo outras coisas, Otávio. O Arthur não é meu problema, meu problema é o som!
— Ok, você está certo. O prazo é até amanhã?
— Sim.
— Eu te ajudo. Já tem todo o equipamento, pelo menos?
— Já, mas você sabe fazer isso?
— Eu trabalho em boates, Eduardo, esqueceu? Tenho que fazer de tudo, e já fiz uns bicos de DJ também. Você quer minha ajuda ou não quer?
— É lógico que eu quero! Você tá me salvando de novo! Vou até deixar seu nome lá na coordenação antes que mude de ideia.
— Não vou mudar de ideia, seu idiota. Ah, e faz o que eu já te aconselhei: uma lista com tudo que tem pra resolver e marca o que já foi feito, vai te ajudar a pensar.
— Ok, ok, vou fazer isso! Só vou pegar o refrigerante do Arthur e já vou passar na coordenação.
— Ah, não, você tá brincando? Aquele folgado tá te fazendo de empregado agora? Quem ele pensa que é?!
— Eu que me ofereci, Otávio, não exagera. Pegou uma implicância com ele mesmo, hein.
— Não é implicância, só não confio nele.
— Sei… Eu preciso ir, mas obrigado de novo!
Otávio assentiu com a cabeça enquanto Eduardo corria em direção à máquina de refrigerantes.
{………..}
— Ué, achei que você não fosse à feira, que seu “fim de semana ideal” era com uma cerveja e dinheiro no bolso.
— Não enche, Felipe.
— Cara, ainda não acredito que vocês são amigos! Faz tempo que você conhece ele?
— Há alguns anos.
— Agora eu sei um dos motivos de ele ser a “Estrela do Campus”. Porra, o cara é boa-pinta, rostinho de modelo!
— Ele é modelo.
— Cara, o que ele deve pegar de mulher não deve dar pra contar nos dedos! Será que ele me apresenta alguém? Ou me dá umas dicas?
— Ele pode até apresentar, mas dar dicas eu acho que é mais difícil.
— Ué, por quê?!
— O Eduardo é gay.
— Tá de sacanagem, tá falando sério?
— Por quê? Tem algum problema com isso? — Otávio disse, com um tom de voz mais firme.
— Calma, não tenho problema nenhum com isso! Eu sou filho de mães adotivas, só fiquei surpreso mesmo.
— Pelo menos você teve sorte em questão de família.
— Isso é verdade, minhas mães são os anjos da minha vida.
— Isso realmente foi sorte.
— Mas você não veio aqui pra estudar? Foca no assunto, depois você se resolve com o Eduardo.
— Ok, ok, você não dá nenhuma trégua… Puta merda, hein? Beleza, onde a gente parou?
Capítulo 06
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A primavera sem Flores
Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem humorado e...