capítulo 18
Entrei no meu quarto.
Finalmente consegui respirar; senti minha respiração pesada a tarde inteira. Peguei meu celular: tinham várias chamadas perdidas e várias mensagens. Sinceramente, não estava com cabeça para responder ninguém.
Sete chamadas perdidas da Bia e algumas mensagens:
“Wil, me atende”, “fiquei preocupada”, “Você se machucou?”, “Me responde”, “Por que você fez isso? Seu idiota!”E algumas mensagens no grupo:
“Alguém sabe do Wil?”, “Ele tá bem?”, “Se a Bia não sabe, ninguém mais sabe”, “Por que ele bateu no Hugo, alguém sabe?”.
Espera, tem duas mensagens do Timy e uma chamada perdida. O que será que ele quer falar comigo?”Wil, preciso falar com você.”, “Quando ver essa mensagem, me liga de volta, por favor.”
Droga, não estou com cabeça nenhuma para falar com ele agora. Nós ficamos duas semanas sem nos falar e, no fundo, ouvir a voz dele era tudo o que eu gostaria no momento, mas eu sei que essa conversa não vai ser nada fácil. Lidar com a minha mãe acabou com meu psicológico, e eu estou totalmente esgotado. Vou dormir e amanhã eu resolvo isso.
Acordei com os gritos da minha mãe:
— Wiiiiiiiiliam, acorda! Preciso ir ao mercado comprar ingredientes e quero que você organize as prateleiras para mim. Você não vai ficar em casa esses dias à toa, não!
— Tá bom, tô descendo, Dona Janete! Tô descendo!
Desci, tomei meu café e comi um pedaço de bolo. Apesar da confusão de ontem, a manhã parecia tranquila… Mas posso dizer que falei isso cedo demais. A campainha toca e minha mãe vai atender.
— Entra aqui, querido! Você quer um pedaço de bolo? Você sumiu, faz tempo que não vem aqui em casa, senti sua falta.
— Com licença, aceito sim, obrigado. Eu estava muito ocupado, tia, só consegui vir hoje.
— Bom dia, Wil! Sua cara tá feia, hein!
Aquele bom dia me estremeceu. O que ele estava fazendo aqui? É sério que ele não podia esperar eu responder? E o que ele quis dizer com aquela provocação?
— Bom dia, Timy. Pois é.
— O William brigou com um colega ontem, agora está com esse machucado horrível! Conversa com seu amigo e vê se coloca juízo na cabeça dele. Bom, meninos, eu vou deixar vocês conversando, preciso ir ao mercado. Até mais, querido.
— Até mais, tia. Boas compras! Pode deixar que eu vou conversar com ele, sim.
Minha mãe pegou a chave do carro e saiu. Escutei o barulho do portão bater e, ao mesmo tempo, o som dos meus batimentos cardíacos aumentando; minha respiração funcionava de forma mecânica. O pedaço de bolo que eu estava comendo parecia intragável. Engoli em seco enquanto Timy me encarava com um olhar ameaçador.
— Seu rosto realmente está muito machucado!
Timy cortou o silêncio, mas ainda me encarava de modo expressivo. Ele parecia querer respostas e não sairia dali sem elas.
— São só alguns roxos e arranhões, nada demais.
Tentei desconversar.
— Por que você fez aquilo? Há duas semanas você grita comigo, me dá as costas, age como se tivesse nojo de mim… E ontem você quebra a cara do Hugo para me defender? O que você quer, William? Limpar a sua consciência? E por que você não contou nada para a diretora? Por que me protegeu? Por que fez isso, por culpa? E por que não respondeu minhas mensagens e nem atendeu minhas ligações? ME RESPONDA, WILLIAM! POR QUÊ?
— Calma, Timy. Vamos conversar, não precisa ficar nervoso. Eu fiz isso porque o Hugo é um babaca e porque você ainda é… você era meu amigo. Eu não suporto injustiça. Não consegui olhar você só apanhando e simplesmente não fazer nada. Além disso, a Bia também estava correndo perigo, eu não podia permitir que algo acontecesse com vocês. Quanto ao que aconteceu há duas semanas, eu não tive a intenção de gritar com você e peço desculpas por ter me alterado. Não sinto nojo de você. Somos amigos e sua amizade está me fazendo muita falta. E se esses roxos e hematomas me deram pelo menos a oportunidade de me explicar e de você me perdoar por eu ter agido como um idiota, juro que valeu a pena cada um deles.
Timy me olhava com um olhar totalmente confuso, tentando assimilar tudo o que eu disse, mas continuava me encarando. Acho que ele não esperava essa resposta. Por outro lado, eu me sentia aliviado; parecia que eu tinha tirado um peso gigantesco das costas, peso esse que carreguei durante semanas.
— Sim, você realmente foi um idiota. E ainda mais idiota por conseguir esses machucados. Você acha que é o Super-Man?. Wil… você realmente não sente nojo de mim? Você realmente não se incomoda com o fato de eu ser gay?
Seu tom de voz, antes ríspido e imponente, agora estava choroso e melancólico. Timy havia desmoronado na minha frente, sem amarras e armaduras, como alguém que busca compreensão e aceitação. Seus olhos estavam marejados e seu olhar intimidador deu lugar a um olhar triste e amedrontado, o que me levava a perceber que ele já havia passado por isso diversas vezes.
— Você está maluco, Timy? Por que eu teria nojo de você? Não me incomodo com nada, você faz o que bem entender da sua vida e, pelo contrário, tenho muita sorte de ser seu amigo… Bom, continuar sendo seu amigo, se você me perdoar.
Timy abriu um curto sorriso e começou a chorar. Aquela cena me destruiu por completo. Eu o puxei para perto e o abracei. Ele ficou surpreso, mas continuou no abraço. Eu estava decidido a nunca mais deixar isso se repetir, não iria suportar vê-lo chorando de novo daquele jeito. Meu coração estava acelerado e meu corpo tremia por inteiro, mas, ao mesmo tempo, queria que o tempo congelasse para eu continuar ali, com o Timy envolto em meus braços, onde eu podia cuidar e protegê-lo de tudo e de todos.
capítulo 18
Fonts
Text size
Background
A tarde de Sexta que mudou a minha vida
Sipnose:
Conta a história de Wil um garoto tímido, sempre rodeado de amigos, que de repente vê sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada...