Capítulo 1 — O Menino do Mar
O sol começa a nascer sobre uma pequena ilha perdida entre as águas da costa da Coreia.
O céu ganha tons dourados, enquanto as ondas avançam lentamente até a areia branca. O cheiro salgado do mar invade cada canto da ilha, acompanhado pelo canto das gaivotas e pelo som do vento balançando as árvores.
À beira da praia existe uma pequena choupana de madeira.
Ela é antiga.
O telhado está remendado com tábuas velhas, as paredes apresentam marcas do tempo e uma das janelas é protegida apenas por um pedaço de tecido. Quando chove, a água entra por pequenas frestas.
Mesmo assim, aquele lugar é um lar.
É ali que vive Mar.
Um jovem ômega de dezenove anos.
Mar nunca conhece outra vida além daquela ilha.
Ele nunca frequenta uma escola.
Nunca aprende a ler ou escrever.
Nunca usa sapatos.
Desde criança, seus pés caminham livres pela areia quente, pelas pedras da praia e pela terra úmida da floresta.
Dentro da choupana, os primeiros raios de sol atravessam a janela.
Mar abre lentamente os olhos.
Por alguns segundos, ele apenas observa a luz iluminando o pequeno quarto.
Então sorri.
Ele sempre acorda sorrindo.
Levanta-se do colchão simples colocado sobre o chão de madeira e dobra cuidadosamente o velho cobertor.
Seu primeiro olhar é para o mar.
Através da janela, ele observa o oceano brilhando sob a luz do amanhecer.
Seus olhos se enchem de alegria.
Mar: — Bom dia…
Ele fala com o mar como se estivesse cumprimentando um velho amigo.
Depois veste sua camisa branca já bastante remendada pela avó Hana e uma calça simples de algodão.
Continua descalço.
Sempre descalço.
Assim que sai da choupana, a brisa bagunça seus cabelos negros.
Seu rosto delicado é iluminado pelo sol nascente.
Mar possui uma beleza rara e serena.
Seus olhos grandes transmitem uma pureza difícil de encontrar.
Seu sorriso é sincero, doce e cheio de vida.
Ele não sabe que é bonito.
Nunca para diante de um espelho.
Seu único reflexo é a água tranquila do mar.
Mar caminha pela praia com passos leves.
A areia macia faz cócegas em seus pés, e isso o faz rir baixinho.
Ele gosta dessa sensação.
Uma gaivota pousa perto dele.
Mar imediatamente se abaixa.
Mar: — Você voltou…
Seu sorriso aumenta.
Ele tira pequenos pedaços de peixe do bolso e os oferece à ave.
Logo aparecem outros animais.
Um cachorro magro abana o rabo ao vê-lo.
Pequenos caranguejos saem da areia.
Passarinhos pousam ao redor.
Todos parecem confiar naquele jovem de coração puro.
Mar acaricia a cabeça do cachorro com delicadeza.
Mar: — Você deve estar com fome.
Ele divide o pouco alimento que tem, sem pensar duas vezes.
Para Mar, compartilhar é tão natural quanto respirar.
Ele não conhece a maldade.
Não conhece a inveja.
Não conhece a ganância.
Seu mundo cabe naquela pequena ilha, entre o céu, o mar e o amor de seus avós.
E ele acredita que isso basta para ser feliz.
Capítulo 1 — O Menino do Mar
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MAR
Em uma pequena ilha distante da costa da Coreia, vive Mar, um jovem ômega de coração puro que nunca conheceu o luxo, a leitura ou os costumes da cidade grande. Criado pelos avós em uma cabana...