Capítulo 8 — A Hora da Partida
A tarde avança lentamente.
O cheiro do chá ainda perfuma a pequena choupana, enquanto a conversa segue tranquila.
Mar conta histórias da ilha com um entusiasmo que faz seus avós sorrirem.
Mar: — Quando eu era pequeno, tentei seguir uma gaivota de barco.
Vovó Hana: — E quase se perdeu no mar.
Mar ri, cobrindo o rosto com as mãos.
Mar: — Mas o vovô me encontrou.
O velho sorri.
Vovô Dae: — Você era muito teimoso.
Enzo observa aquela família em silêncio.
Há muito tempo ele não presencia uma refeição tão simples e, ao mesmo tempo, tão cheia de carinho.
Nesse instante, alguém bate levemente na porta.
Toc… Toc…
Mar levanta-se rapidamente.
Mar: — Já vou!
Ao abrir a porta, encontra dois homens usando roupas discretas.
São os seguranças de Enzo.
Logo atrás deles está Daniel.
Ele faz uma pequena reverência.
Daniel: — Senhor Enzo…
Enzo ergue os olhos.
Daniel: — Já está na hora de irmos.
A sala fica em silêncio.
Mar olha para Enzo.
Só então percebe que o visitante realmente vai embora.
Seu sorriso diminui um pouco.
Mar: — Você já vai?
Enzo faz um leve aceno com a cabeça.
Enzo: — Sim. Tenho compromissos na cidade.
Mar compreende.
Mesmo sem conhecer a vida da cidade, imagina que pessoas importantes tenham muito trabalho.
Mar: — Entendi…
A avó Hana aproxima-se.
Vovó Hana: — Foi um prazer recebê-lo em nossa casa.
Vovô Dae: — Volte quando quiser.
Enzo faz uma respeitosa reverência.
Enzo: — Obrigado pela hospitalidade.
Enquanto Daniel e os seguranças seguem para fora da choupana, Mar acompanha Enzo até o portão.
Os dois caminham em silêncio.
O vento balança as folhas das árvores.
Ao chegarem perto da cerca de madeira, Mar tira do bolso uma pequena concha branca.
Ela é lisa e brilhante.
Mar a segura com cuidado antes de estendê-la para Enzo.
Mar: — Pode ficar com ela.
Enzo olha para a concha.
Enzo: — Por quê?
Mar sorri.
Mar: — Quando alguém vai embora da ilha, gosto de dar uma lembrança.
Assim… a pessoa nunca esquece do mar.
Enzo segura a pequena concha.
Nunca recebeu um presente tão simples e tão sincero.
Enzo: — Eu vou guardá-la.
Mar sorri novamente.
Mar: — Fico feliz.
Ao longe, o motorista liga o carro.
Daniel espera respeitosamente.
Antes de entrar no veículo, Enzo olha mais uma vez para Mar, que permanece descalço diante da pequena choupana, acenando com a mesma alegria de quando o conheceu.
Mar: — Boa viagem!
Enzo retribui o aceno.
Enzo: — Até logo, Mar.
O carro começa a se afastar pela estrada de terra.
Mar continua parado, olhando até que o veículo desapareça no horizonte.
Dentro do carro, Enzo abre a mão e observa a pequena concha branca.
Depois olha pela janela em direção ao mar.
Capítulo 8 — A Hora da Partida
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MAR
Em uma pequena ilha distante da costa da Coreia, vive Mar, um jovem ômega de coração puro que nunca conheceu o luxo, a leitura ou os costumes da cidade grande. Criado pelos avós em uma cabana...