Capítulo 2 — Um Caminho Já Escolhido
A manhã chega tranquila à aldeia dos Powhatan.
Os primeiros raios de sol iluminam as cabanas enquanto a vida desperta lentamente.
Pocahontos caminha pela floresta como sempre faz.
O vento acaricia seus longos cabelos negros.
Os pássaros cantam acima dele.
Mas, naquele dia, algo parece diferente.
Uma inquietação toma conta de seu coração.
Como se o destino estivesse tentando chamar sua atenção.
Na aldeia, Chefe Powhatan observa os guerreiros treinando.
Entre eles, um jovem se destaca.
Forte.
Corajoso.
Respeitado.
Seu nome é Kocoum.
Um dos maiores guerreiros da tribo.
Seu arco é preciso.
Seus movimentos são rápidos.
Sua disciplina impressiona todos ao redor.
Após derrotar um adversário durante o treinamento, os demais guerreiros o cumprimentam.
GUERREIRO: — Como sempre, Kocoum.
GUERREIRO 2: — Você luta como um verdadeiro líder.
Kocoum apenas faz um gesto respeitoso.
Ele não é arrogante.
Pelo contrário.
É sério, honrado e dedicado.
Chefe Powhatan observa tudo em silêncio.
Então sorri.
Mais tarde…
Pocahontos retorna da floresta.
Ao chegar à aldeia, encontra Nakoma esperando por ele.
A amiga parece nervosa.
POCAHONTOS: — Nakoma?
NAKOMA: — Seu pai está procurando você.
POCAHONTOS: — Isso não parece urgente.
NAKOMA: — Desta vez parece.
Pocahontos arqueia uma sobrancelha.
POCAHONTOS: — O que aconteceu?
Nakoma hesita.
NAKOMA: — Acho que ele quer conversar sobre… casamento.
Pocahontos congela.
POCAHONTOS: — Casamento?
NAKOMA: — Sim.
POCAHONTOS: — Com quem?
Nakoma aponta discretamente para o campo de treinamento.
Kocoum está ao longe.
Pocahontos entende imediatamente.
POCAHONTOS: — Ah…
NAKOMA: — Eu sabia que você faria essa cara.
POCAHONTOS: — Minha cara não é tão ruim assim.
NAKOMA: — É exatamente a cara de quem quer fugir para o outro lado do continente.
Pocahontos suspira.
POCAHONTOS: — Talvez eu queira.
Pouco depois…
Pocahontos entra na cabana do pai.
Chefe Powhatan está sentado próximo ao fogo.
Seu olhar é sereno.
Mas firme.
CHEFE POWHATAN: — Sente-se, meu filho.
Pocahontos obedece.
POCAHONTOS: — Você queria falar comigo?
CHEFE POWHATAN: — Sim.
Powhatan faz uma pausa.
CHEFE POWHATAN: — Você já não é uma criança.
POCAHONTOS: — Eu sei.
CHEFE POWHATAN: — Seu futuro está diante de você.
Pocahontos começa a suspeitar do rumo da conversa.
CHEFE POWHATAN: — Kocoum é um grande guerreiro.
POCAHONTOS: — Sim.
CHEFE POWHATAN: — Corajoso.
POCAHONTOS: — Sim.
CHEFE POWHATAN: — Honrado.
POCAHONTOS: — Sim.
CHEFE POWHATAN: — E seria um excelente companheiro para você.
Silêncio.
Pocahontos olha para o fogo.
Depois para o pai.
POCAHONTOS: — Pai…
CHEFE POWHATAN: — Ele gosta de você.
POCAHONTOS: — Eu respeito Kocoum.
CHEFE POWHATAN: — Então qual é o problema?
Pocahontos demora para responder.
POCAHONTOS: — Meu coração ainda não escolheu esse caminho.
Powhatan o observa atentamente.
CHEFE POWHATAN: — Nem sempre seguimos apenas o coração.
POCAHONTOS: — Mas como posso construir uma vida sem escutá-lo?
O líder permanece em silêncio.
Mais tarde…
Pocahontos caminha sozinho até o rio.
Seu reflexo aparece na água.
Confuso.
Pensativo.
Ele pega uma pequena pedra e a joga na correnteza.
As ondas se espalham.
POCAHONTOS: — Por que todos parecem saber qual deve ser meu destino?
Uma voz surge atrás dele.
KOCOUM: — Porque todos acreditam que você será feliz.
Pocahontos se vira.
Kocoum está ali.
O guerreiro parece calmo.
Respeitoso.
POCAHONTOS: — Há quanto tempo você está aí?
KOCOUM: — Tempo suficiente para ouvir você conversando com o rio.
Pocahontos sorri sem graça.
POCAHONTOS: — E o rio respondeu?
KOCOUM: — Não.
POCAHONTOS: — Que pena.
Kocoum senta-se próximo.
Por alguns instantes os dois observam a água.
KOCOUM: — Seu pai falou com você.
POCAHONTOS: — Falou.
KOCOUM: — E você não parece feliz.
Pocahontos abaixa os olhos.
POCAHONTOS: — Não é você, Kocoum.
KOCOUM: — Eu sei.
A resposta surpreende Pocahontos.
POCAHONTOS: — Você sabe?
KOCOUM: — Sim.
Kocoum encara o rio.
KOCOUM: — Você sempre olha para o horizonte.
Nunca para os seus pés.
Pocahontos fica em silêncio.
KOCOUM: — Seu espírito procura alguma coisa.
Talvez algo que ainda nem exista.
POCAHONTOS: — Talvez.
KOCOUM: — Eu não quero que você escolha um caminho porque alguém mandou.
Pocahontos o encara.
POCAHONTOS: — Você realmente pensa assim?
KOCOUM: — Sim.
Porque um coração preso nunca encontra felicidade.
Pela primeira vez naquele dia, Pocahontos sorri.
POCAHONTOS: — Obrigado.
Kocoum apenas faz um pequeno gesto de cabeça.
Naquela mesma noite…
O céu está coberto de estrelas.
Pocahontos sobe até um penhasco próximo ao mar.
O vento sopra mais forte.
Ele observa o horizonte.
Então seus olhos se arregalam.
Lá longe…
Pequenos pontos brancos aparecem sobre as águas.
Velas.
Grandes velas.
Navios.
Muitos navios.
Pocahontos dá um passo à frente.
Seu coração acelera.
Sem saber por quê.
Sem entender o motivo.
Mas sentindo que sua vida está prestes a mudar.
POCAHONTOS: — O que está vindo para estas terras?
Ao longe, sobre o oceano escuro, os navios ingleses continuam avançando.
E entre eles está John Smith.
Cada vez mais próximo.
NARRADOR:
Enquanto um caminho é escolhido para Pocahontos…
Outro caminho navega em sua direção.
E muito em breve, os dois irão se cruzar.
Capítulo 2 — Um Caminho Já Escolhido
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POCAHONTOS
Em uma terra exuberante cercada por rios cristalinos e florestas encantadas, vive Pocahontos, um jovem indígena de 17 anos, sonhador, livre e profundamente conectado com os espíritos da...