Capítulo 3 — O Encontro
O amanhecer chega envolto por uma névoa suave.
As ondas do mar avançam lentamente sobre a areia enquanto o vento sopra vindo do oceano.
No alto de um penhasco, Pocahontos observa o horizonte.
Os navios que avistou na noite anterior agora estão muito mais próximos.
Grandes.
Estranhos.
Imponentes.
Seu coração bate mais rápido.
Algo dentro dele diz que aqueles navios carregam mudanças.
Mudanças que podem transformar tudo.
Na aldeia, a notícia já se espalhou.
Os guerreiros observam a costa.
O clima é de preocupação.
Chefe Powhatan reúne seu povo.
CHEFE POWHATAN: — Homens vindos do mar estão chegando às nossas terras.
Murmúrios surgem entre os membros da tribo.
GUERREIRO: — Devemos nos preparar para lutar?
CHEFE POWHATAN: — Devemos nos preparar para proteger nosso povo.
Nakoma observa tudo atentamente.
Pocahontos permanece em silêncio.
NAKOMA: — Você está pensando em alguma coisa.
POCAHONTOS: — Estou pensando em quem são eles.
NAKOMA: — Eu estou pensando em ficar bem longe deles.
POCAHONTOS: — Você sempre pensa primeiro nos perigos.
NAKOMA: — E você nunca pensa neles.
Enquanto isso…
Na praia…
Os navios ingleses finalmente ancoram.
Homens descem carregando ferramentas, suprimentos e bandeiras.
Entre eles está John Smith.
Ele observa a floresta diante de si.
Os enormes pinheiros.
Os rios.
As montanhas.
Tudo parece diferente do que imaginava.
JOHN SMITH: — Então estas são as novas terras.
Um marinheiro sorri.
MARINHEIRO: — Não parecem tão assustadoras.
JOHN SMITH: — Não.
Parecem vivas.
John não consegue desviar o olhar da floresta.
Como se ela estivesse chamando por ele.
Mais tarde…
Pocahontos decide explorar sozinho.
Mesmo sabendo dos avisos do pai.
Mesmo sabendo dos perigos.
Sua curiosidade fala mais alto.
Ele atravessa a floresta.
Passa por riachos.
Campos floridos.
Árvores gigantes.
Até chegar próximo de uma cachoeira.
Ali tudo parece tranquilo.
O som da água preenche o ambiente.
Pocahontos sorri.
Mas então…
Ele escuta um galho quebrar.
Seu sorriso desaparece.
Alguém está por perto.
Do outro lado da floresta…
John Smith explora a região sozinho.
Ignorando os avisos dos outros colonizadores.
Seu espírito aventureiro sempre o leva adiante.
Ele observa plantas desconhecidas.
Escuta sons diferentes.
Admira a beleza ao redor.
JOHN SMITH: — Incrível…
De repente…
Ele vê movimento próximo à cachoeira.
Uma figura surge entre as árvores.
John congela.
Pocahontos também.
Os dois se encaram.
Silêncio.
Apenas o som da água.
Nenhum dos dois consegue desviar o olhar.
John nunca viu alguém como ele.
Pocahontos nunca viu alguém como ele.
Dois mundos completamente diferentes.
Frente a frente.
Pocahontos dá um passo para trás.
John ergue lentamente as mãos para mostrar que não deseja machucá-lo.
JOHN SMITH: — Espere.
Pocahontos observa cada movimento.
Sem entender as palavras.
Mas entendendo o tom.
John fala calmamente.
JOHN SMITH: — Eu não vou ferir você.
Pocahontos não compreende a língua.
Mesmo assim percebe a sinceridade em seus olhos.
O vento sopra entre eles.
Movendo folhas e flores.
Por um instante…
Tudo parece parar.
Pocahontos aponta para si mesmo.
POCAHONTOS: — Pocahontos.
John repete devagar.
JOHN SMITH: — Po-ca-hon-tos.
O jovem indígena sorri levemente.
Depois aponta para o estrangeiro.
John entende.
JOHN SMITH: — John Smith.
POCAHONTOS: — Jonn…
John ri.
JOHN SMITH: — Quase.
POCAHONTOS: — Jonn.
Os dois acabam sorrindo.
Pela primeira vez.
Enquanto isso…
Na aldeia…
Nakoma procura desesperadamente por Pocahontos.
NAKOMA: — Eu sabia!
Eu sabia!
Kocoum aproxima-se.
KOCOUM: — O que aconteceu?
NAKOMA: — Ele desapareceu de novo.
KOCOUM: — Pocahontos?
NAKOMA: — Claro que é Pocahontos!
Quem mais seria?
Kocoum suspira.
KOCOUM: — Vou procurá-lo.
NAKOMA: — Traga ele inteiro de volta.
Na cachoeira…
John e Pocahontos continuam se observando.
Nenhum dos dois sabe exatamente o que dizer.
Mas estranhamente…
Nenhum deles quer ir embora.
Pocahontos mostra uma flor azul.
John a observa.
Pocahontos entrega a flor para ele.
Surpreso, John aceita.
JOHN SMITH: — Obrigado.
Mesmo sem entender as palavras, Pocahontos percebe sua gratidão.
Então ele sorri.
Um sorriso tão gentil que faz o coração de John acelerar.
E isso o surpreende.
Muito.
Ao longe…
Uma voz ecoa pela floresta.
NAKOMA (DISTANTE): — POCAHONTOS!
Pocahontos arregala os olhos.
John percebe sua preocupação.
JOHN SMITH: — Seus amigos?
Pocahontos olha para a direção da voz.
Depois volta a encarar John.
Por um breve instante.
Longo o bastante para guardar aquele rosto na memória.
Então ele se afasta.
Correndo pela floresta.
Desaparecendo entre as árvores.
John permanece parado.
Segurando a flor azul.
Observando o lugar vazio.
Sem conseguir parar de sorrir.
Poucos minutos depois…
Nakoma encontra Pocahontos.
NAKOMA: — Finalmente!
Você quase me matou de preocupação!
POCAHONTOS: — Desculpe.
NAKOMA: — Onde você estava?
Pocahontos hesita.
Pensando nos olhos azuis do estrangeiro.
No sorriso dele.
Na sensação estranha que ainda sente no peito.
POCAHONTOS: — Eu conheci alguém.
Nakoma para de andar.
NAKOMA: — O quê?
POCAHONTOS: — Alguém diferente.
NAKOMA: — Diferente como?
Pocahontos olha para o horizonte.
Onde os navios ingleses permanecem ancorados.
E sorri sem perceber.
POCAHONTOS: — Eu ainda não sei.
NARRADOR:
Naquele dia…
Nenhum dos dois entende o que aconteceu.
Mas o destino já começou a tecer seus fios.
E, sem saber…
Pocahontos e John Smith acabaram de dar o primeiro passo em direção a uma história que mudará os dois mundos para sempre.
Capítulo 3 — O Encontro
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POCAHONTOS
Em uma terra exuberante cercada por rios cristalinos e florestas encantadas, vive Pocahontos, um jovem indígena de 17 anos, sonhador, livre e profundamente conectado com os espíritos da...