Capítulo 16: Um Estranho na Terra
A praia estava silenciosa.
As ondas tocavam a areia lentamente enquanto o sol iluminava um mundo completamente novo para Rubi.
Ele estava deitado na areia, fraco e cansado depois da transformação.
Pela primeira vez em sua vida…
Ele não sentia a água ao seu redor.
Não sentia sua cauda.
Não sentia as correntes do oceano guiando seus movimentos.
Ele olhou para baixo e percebeu que agora era completamente humano.
A magia de Ursula havia mudado tudo.
Rubi se sentiu confuso e vulnerável.
Ele não sabia como os humanos viviam.
Não sabia como andar.
Não sabia como se proteger.
Não sabia nem como encontrar comida ou abrigo.
Ele tentou se levantar.
Mas suas pernas não obedeceram.
Ele caiu novamente na areia.
Rubi:
— …
Ele tentou falar.
Mas sua voz não existia mais.
Seus olhos ficaram tristes.
Ele colocou a mão na garganta, lembrando da sua canção.
A voz que sempre o acompanhou.
Agora havia apenas silêncio.
Rubi olhou para o céu.
Tudo era diferente.
O sol parecia mais quente.
O vento parecia mais forte.
Os sons da superfície eram estranhos.
Pássaros.
Folhas.
Ondas quebrando na praia.
Ele tinha sonhado com aquele mundo por toda a vida.
Mas nunca imaginou que seria tão assustador.
Rubi:
— …
Ele tentou caminhar.
Um passo.
Depois outro.
Mas caiu na areia novamente.
Nesse momento, uma gaivota pousou perto dele.
Era Sabidão.
Ele observou Rubi com curiosidade.
Sabidão:
— Bem… isso é algo que eu nunca vi antes.
Rubi olhou para a ave.
Sabidão inclinou a cabeça.
Sabidão:
— Você parece alguém que acabou de chegar ao mundo humano.
Rubi tentou responder, mas apenas gesticulou.
Sabidão percebeu.
Sabidão:
— Você não consegue falar?
Rubi abaixou o olhar.
A gaivota ficou séria.
Sabidão:
— Então algo muito importante aconteceu com você.
Rubi olhou para o oceano.
Ele pensava em Atlântica.
No seu pai.
Em Linguado.
Em todos que deixou para trás.
Mas principalmente…
Em Eric.
Ele precisava encontrá-lo.
Mesmo sem voz.
Mesmo sem saber nada sobre humanos.
Mesmo sem saber como sobreviver naquele novo mundo.
Sabidão voou ao redor dele.
Sabidão:
— Bom, amigo, se você vai viver entre humanos, vai precisar aprender algumas coisas.
Rubi olhou curioso.
Sabidão:
— Primeira regra: humanos não nadam como peixes.
Rubi olhou para o mar.
Depois para suas pernas.
Ele entendeu que a vida seria muito diferente.
Naquele momento, ao longe, um navio apareceu no horizonte.
E dentro do castelo próximo à costa…
O Príncipe Eric ainda procurava respostas sobre aquele misterioso salvador do mar.
Sem saber que a pessoa que ele procurava…
Agora estava na mesma terra que ele.
Sem voz.
Sem lar.
Mas seguindo seu coração.
Capítulo 16: Um Estranho na Terra
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