Capítulo 46: Um Coração em Silêncio
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Os dias continuam passando.
Em Atlântica, todos percebem que Rubi já não é o mesmo.
O jovem que antes explorava recifes, cantava pelos jardins do palácio e vivia sorrindo agora passa horas em silêncio.
Ele nada sozinho.
Quase não conversa.
Sua bela voz, que antes enchia o reino de música, raramente é ouvida.
Até Linguado sente a diferença.
Linguado:
— Rubi… quer ir explorar os recifes comigo?
Rubi sorri de forma fraca.
Rubi:
— Hoje não…
Linguado:
— Tudo bem…
O peixinho vai embora preocupado.
No salão do palácio, Sebastião se aproxima do Rei Tritão.
Os dois observam Rubi nadar lentamente pelos jardins de Atlântica.
Sebastião:
— Ele ainda vai todos os dias à superfície.
O rei suspira.
Rei Tritão:
— Eu sei.
Sebastião:
— Ele continua esperando pelo príncipe.
O silêncio toma conta do salão.
O Rei Tritão acompanha o filho desaparecer entre as colunas do palácio.
Seus olhos demonstram preocupação.
Rei Tritão:
— Quando Rubi voltou… achei que o tempo curaria sua dor.
Ele abaixa a cabeça.
Rei Tritão:
— Mas ela só aumenta.
Sebastião não responde.
Também não sabe o que dizer.
Mais tarde, o rei encontra Rubi sozinho, sentado sobre uma pedra nos jardins de Atlântica.
O jovem apenas observa a superfície iluminada pelo sol.
Rei Tritão:
— Rubi.
Rubi se vira.
Rubi:
— Pai.
O rei se aproxima.
Percebe o olhar vazio do filho.
Um olhar que nunca tinha visto antes.
Rei Tritão:
— Você sente falta dele…
Rubi demora alguns segundos para responder.
Depois apenas confirma com a cabeça.
Rubi:
— Todos os dias.
O Rei Tritão fecha os olhos por um instante.
Seu coração aperta.
Ele sempre acreditou que afastar Rubi dos humanos era a melhor forma de protegê-lo.
Mas agora…
Ver o sofrimento do filho faz nascer uma dúvida.
Rei Tritão:
— Talvez…
Rubi olha para o pai.
Rei Tritão:
— Talvez tivesse sido melhor…
O rei faz uma pausa.
Rei Tritão:
— Se eu tivesse compreendido seus sentimentos antes.
Rubi permanece em silêncio.
O rei continua olhando para o horizonte.
Rei Tritão:
— Um rei deve proteger seu reino.
Ele sorri com tristeza.
Rei Tritão:
— Mas um pai… também precisa proteger o coração do próprio filho.
Rubi sente os olhos se encherem de lágrimas.
Pela primeira vez…
Ele vê que seu pai também sofre.
Os dois permanecem lado a lado, olhando para a superfície.
Sem perceber…
O destino já começa a preparar um novo encontro.
Capítulo 46: Um Coração em Silêncio
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TOPÁZIO e o Pequeno Príncipe
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No ano de 1830, humanos e habitantes do mar vivem separados pelo medo e pelo preconceito. Enquanto expedições caçam sereias e tritões,...