Capítulo 4 — Dois mundos
Topázio:
As pessoas continuam nos encarando.
Algumas apontam.
Outras cochicham.
Nunca imaginei encontrar alguém exatamente igual a mim.
E, pela expressão dele, posso dizer que ele também não.
Olho ao redor e falo em voz baixa.
Topázio: — Acho melhor conversarmos em outro lugar.
Rubi: — Também acho.
Wolfie nos acompanha enquanto seguimos por uma ruazinha tranquila, atrás da praça. Ali há um pequeno jardim com um banco de madeira e uma fonte antiga.
Finalmente, estamos longe dos olhares curiosos.
Por alguns segundos, apenas nos encaramos.
É estranho.
É como olhar para um espelho… que respira.
Rubi é o primeiro a quebrar o silêncio.
Rubi: — Então… você é de onde?
Sorrio de leve.
Topázio: — Do palácio.
Os olhos dele se arregalam.
Rubi: — Do… palácio?
Faço um gesto afirmativo com a cabeça.
Topázio: — Sim.
Ele ri, acreditando que estou brincando.
Rubi: — Boa tentativa.
Dou uma pequena risada.
Topázio: — Estou falando sério.
Rubi cruza os braços.
Rubi: — Então você trabalha lá?
Respiro fundo.
Chegou a hora da verdade.
Topázio: — Na verdade…
Faço uma pausa.
Topázio: — Eu sou o príncipe Topázio.
O sorriso desaparece do rosto de Rubi.
Ele pisca várias vezes.
Olha para mim.
Depois para o castelo, ao longe.
Depois volta a olhar para mim.
Rubi: — Espera…
Rubi: — Você… é o príncipe?
Topázio: — Sou.
Ele leva a mão à cabeça.
Rubi: — Isso explica por que você está tão bem vestido… mesmo tentando parecer uma pessoa comum.
Não consigo evitar uma risada.
Topázio: — Acho que ainda tenho muito a aprender sobre disfarces.
Rubi acaba rindo também.
O clima fica mais leve.
Ele senta no banco de madeira.
Rubi: — Então… o que um príncipe está fazendo passeando sozinho pela vila?
Sento ao lado dele.
Olho para a água da fonte.
Topázio: — Estou tentando aproveitar um pouco de liberdade…
Minha voz fica mais baixa.
Topázio: — Porque na semana que vem vou me casar com um completo estranho.
Rubi me encara, surpreso.
Rubi: — Casar?
Assinto.
Topázio: — Com o rei Dominick.
Rubi: — Mas… você gosta dele?
Permaneço em silêncio.
Depois balanço a cabeça negativamente.
Topázio: — Nunca o conheci.
Rubi abaixa os olhos.
Rubi: — Então… ninguém perguntou o que você queria?
Dou um sorriso triste.
Topázio: — Às vezes, ser príncipe significa que todos decidem por você.
Ele fica pensativo.
Rubi: — Eu sempre achei que a vida da realeza fosse perfeita.
Olho para o céu.
Topázio: — E eu sempre achei que quem vivia na vila fosse realmente livre.
Nós dois rimos baixinho.
Pela primeira vez, percebo que, apesar de nossas vidas serem tão diferentes, carregamos sonhos parecidos.
E, sem que qualquer um de nós imaginasse, aquele encontro marcava o início de uma amizade capaz de mudar o destino de dois reinos.
Capítulo 4 — Dois mundos
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TOPÁZIO O Príncipe e o Plebeu
Em um reino encantado, o príncipe Topázio vive preso às responsabilidades da realeza, enquanto Rubi, um jovem plebeu talentoso e trabalhador, luta para sobreviver como costureiro e cantor....