Capítulo 07
Eduardo caminhou de volta para o ambiente caótico de antes, mas já estava se sentindo aliviado com a solução de um dos seus problemas.
— Oi, Dona Márcia!
— Oi, Eduardo, em que posso te ajudar?
— Vim trazer o nome do responsável pelo som… ah, e já te mostrar a arte dos painéis de exibição.
— Nossa, isso está maravilhoso!!! Vocês são excelentes artistas. Essas cores mais vivas ficaram perfeitas.
— Muito obrigado, fico feliz que tenha gostado.
— Adorei!!! E o nome pra eu registrar?
— Ah, sim: Otávio Vasconcelos.
— O Otávio Vasconcelos?!
— Sim. Por quê? Algum problema? Mesmo ele não sendo do Belas Artes, ele é aluno do campus, é válido, não é?
— Sim, sim, é válido! Eu só nunca imaginei o Otávio em um evento de divulgação do Belas Artes. Como você convenceu ele?
— Na verdade, foi ele quem se ofereceu quando viu que eu estava entrando em parafusos.
— Ele deve gostar muito de você… Já tentei a colaboração dele inúmeras vezes e nada. Bom, agora posso confiar que o som está em boas mãos.
— Sim, nós somos grandes amigos, e realmente está em boas mãos. Já que estamos resolvidos, eu vou indo. Muito obrigado, Dona Márcia.
— Por nada, querido!
{……….}
— Arthur, seu refrigerante.
— Obrigado, meu bem.
“Meu bem?”, estranhou Eduardo mentalmente, mas não disse nada, apenas concordou educadamente.
— Você voltou com uma cara melhor, pegar um ar te fez bem.
— Com certeza me fez muito bem, e me ajudou com um problema.
— Como assim?
— Consegui alguém pra ficar responsável pelo som!
— Sério?! Que ótima notícia! Quem é?
— O Otávio!!
Arthur fechou a cara quase que instantaneamente.
— O Otávio? Você tem certeza de que é uma boa ideia?
— Absoluta. O Otávio é bom em tudo que faz, sei que o nosso som vai estar em boas mãos.
— É impressionante o quanto você confia nele.
— Com certeza. O Otávio é extremamente confiável.
— Se você está dizendo… Já oficializou com a coordenação?
— Sim, tá tudo certo.
— Que “maravilha”, então. Se é assim, vamos seguir com os preparativos.
— Ok. Só vou terminar a lista que o Otávio me aconselhou a fazer, isso vai otimizar o trabalho.
— Claro que vai! Sendo uma ideia do Otávio, não tem como não dar certo, né? — Arthur disse de modo sarcástico, mas Eduardo estava tão perdido em seus próprios pensamentos que não notou a ironia.
— Sim, sim, com certeza vai dar certo.
Eduardo continuou matutando sobre os tópicos que ainda precisava resolver, mas dessa vez confiante quanto aos resultados.
{………}
— Ai, meus neurônios estão doendo…
— Se é que você tem algum, né?
— Qual é, Otávio? Eu já fiz e refiz esse código centenas de vezes, não consigo achar o erro!
— É porque você está olhando pelo quadro geral. Divide o bloco grande em funções ou linhas menores para ler cada uma de forma isolada, vai ser mais fácil. Tira os olhos um pouco da tela; refrescar a cabeça vai te ajudar a pensar melhor.
— Agora você falou minha língua, meus olhos já estão doendo.
— É uma pausa, não uma folga. Não abusa.
— Eu entendi, eu entendi! Você é um cara legal, Otávio. Tem cara de durão, mas tem um coração mole, sabia?
— Não tenho coração mole porra nenhuma.
— Tem sim! Por isso o Eduardo é seu amigo. Você sempre cuida das pessoas, mas não espera nada em troca, nem espera reconhecimento, só faz. Isso é legal em você.
Otávio sentiu aquelas palavras atravessarem o peito. Ele estava tão acostumado a ouvir as pessoas se referindo a ele como o antissocial ou notando apenas seu temperamento forte, que esqueceu que as pessoas podiam notar seu verdadeiro “eu” — lado esse que apenas Eduardo conhecia e defendia tanto.
— Eu não vou ser maleável com você só porque fica puxando meu saco.
— Eu sei, mas não custava tentar, né?
— Seu idiota…
Otávio sorriu de canto e pensou: “É… pode ser que não seja tão ruim assim ter pessoas por perto de vez em quando.”
— Vamos continuar. Tá com a cabeça boa pra fazer piada, então vai conseguir resolver esse código.
— Ah, qual é?!
— Vai!!!
— Tá bom, tá bom…
(O Fatídico Dia da Feira)
Otávio abria os olhos meio atordoado. Pretendia chegar o mais cedo possível para ajudar Eduardo nos bastidores.
Tomou seu café preto como de costume, vestiu seu jeans rasgado e uma camiseta preta que deixava à mostra a coleção de tatuagens que tinha no braço — algo diferente do seu habitual, já que estava sempre com seu “uniforme padrão”: blusa de moletom e calça jeans. Arrumou sua mochila com notebook, carregador portátil, a chave da moto e saiu em direção ao campus.
Otávio havia chegado há 15 minutos. Queria começar cedo para se certificar de que estaria tudo em ordem.
— Boooom dia, flor do dia!
— Por que chegou tão cedo?
— Vim te ajudar. Não tô aqui pra te ajudar?
— É, mas não precisava ser tão cedo.
— Agora eu já tô aqui.
— Tomou café?
— Já.
— Mentira. Aposto que não comeu nada.
— Não tenho fome de manhã.
— Sabia… Não preciso de um DJ desmaiado, pega aqui.
— O que é isso?!
— Pão de queijo.
— Não precisava, eu já disse que não tô com fome.
— Pega logo, você tá com cara de cachorrinho que caiu da mudança.
— Cachorrinho é o cacete!!
Eduardo sorriu enquanto revisava sua lista; sabia que esse era o jeito de Otávio dizer “obrigado”.
Otávio e Eduardo continuaram com a finalização da decoração, iluminação e a localização das cadeiras e do palco da peça de teatro. Aos poucos foram chegando os responsáveis de cada setor, e tudo ia se encaixando conforme o planejado.
Eduardo e Otávio estavam com os olhos vidrados na tela do notebook. Otávio mostrava os recursos da página que fez para a interação da feira: os visitantes conseguiriam acompanhar a programação e deixar seus comentários e experiências sobre o evento.
Arthur cortou o silêncio.
— Boa tarde, Eduardo.
— Oi, Arthur! Que bom que chegou.
— Sim.
Eduardo continuou fascinado pela funcionalidade da página. Otávio tinha colocado sua arte favorita como logo, e seus olhos brilhavam quando viu que em cada canto tinha uma arte expressada em formato de ícone interativo.
— Otávio, isso ficou sensacional!!! — Eduardo disse, perplexo.
— Merda… Agora bateu um frio na barriga. Será que as avaliações vão ser boas?
— Claro que vão! A organização tá foda! E você deu seu sangue e suor pra esse evento acontecer.
— Você tá certo, eu me esforcei muito nisso.
— Se esforçou pra caralho!! Relaxa um pouco e curte o evento também, ou vai ficar o tempo todo pilhado?
— Lógico que não.
— É isso aí, estrelinha cadente!!
— Seu idiota…
Arthur ainda estava parado, sem dizer nada, apenas observando. Otávio fixou os olhos no rosto de Arthur; seu olhar estava sério.
— Quer perguntar alguma coisa, novato?
— Não. Por quê? Estou “atrapalhando” vocês?
— Não está atrapalhando, mas podia estar ajudando. Vai ficar parado aí até quando?
— Otávio!!
— O quê?! É a verdade, Eduardo.
— Tá tudo bem, Dudu. Não vou atrapalhar mais vocês, vou ajudar a Mônica com os holofotes.
Arthur saiu encarando Otávio com um olhar mortal.
— Precisava?
— Não gosto do jeito dele, tem alguma coisa de errado.
— Não começa, vai… Vem me ajudar a colar esse pôster aqui.
Capítulo 07
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A primavera sem Flores
Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem humorado e...