Capítulo 08
A feira já estava quase no horário programado para começar. Eduardo se sentia aliviado, tudo parecia correr bem.
— Boa tarde, povo bonito!!!
— Isso são horas, Matheus? Achei que você fosse ajudar!
— Mas eu tô aqui agora, Eduardo, não tô? No que eu posso ajudar?
Otávio estava parado no canto, com o corpo encostado na coluna do palco.
— Resolveu aparecer, Ciências? Achei que ia trabalhar.
— Eu vim ajudar o Eduardo. POR QUÊ VOCÊ TEM ALGUM PROBLEMA COM ISSO?
Otávio disse de modo firme.
Matheus estalou os olhos, surpreso.
— Não, pelo contrário, eu agradeço a ajuda! Eduardo, eu vou ali ajudar a Milena com a barraca das camisetas, tá? Se precisar, me chama.
Matheus saiu apressado, sem olhar para trás. Eduardo soltou uma gargalhada.
— Otávio, você é foda!! Espantou ele só com os olhos.
— Eu não fiz nada, ele que resolveu ativar o modo prestativo.
— Sei…
{……..}
A feira finalmente começou. Vieram muitas pessoas para as apresentações, para apreciar as obras e outras por curiosidade, que acabavam ficando e chamando os amigos.
Otávio ficou no som. Seus olhos estavam focados e sua concentração estava totalmente na mesa de som, mas é claro que seu jeito temperamental e sua personalidade marcante não passaram despercebidos aos olhares interessados.
— Porra, Eduardo, por que você nunca me avisou que o Otávio era gato desse jeito? E aquelas tatuagens dele? Eu me perderia facinho naqueles desenhos!! Puta que pariu! — Letícia disse, de modo provocativo.
Arthur, que havia ficado atrás de Eduardo tal qual uma sombra, franziu a testa ao ouvir os elogios de Letícia.
— Eita!!!! Se controla, Letícia. E outra: eu nunca disse que ele era feio. O Otávio sempre foi bonito, você que nunca reparou. As tatuagens eu não lembrava de serem tantas, mas ele sempre gostou, deve ter feito mais algumas, eu acho.
— Iiih, então você conhece todas elas? — Letícia disse em tom malicioso.
— Não, tá louca? Ele me contou.
— Sei…
Arthur passou o braço por trás do pescoço de Eduardo, que ficou surpreso com o toque repentino.
— Estão falando do quê? — Arthur perguntou.
— Estamos falando do gosto…
— DO SOM!!!! Estamos falando do som, tá uma vibe gostosa. O Otávio manda muito bem, né, Letícia?
— Claro, a vibe está gostosa pra caralho. O Otávio manda muito bem, mas muito bem…
Eduardo revirou os olhos com a ironia de Letícia. Arthur continuou ali feito cola, com os braços envoltos em Eduardo.
— Realmente, tenho que admitir, o Otávio sabe o que está fazendo. Por mim, ele ficaria horas atrás da mesa de som…
Mais ironia por aqui, mas do outro lado… Otávio observava à distância. Eduardo estava em uma posição favorável o suficiente para Otávio conseguir observá-lo de longe.
“Filho da mãe abusado… nem conhece o Eduardo direito e já grudou nele igual chiclete. Eu sei que tem alguma coisa errada com esse cara.”
Otávio se contorcia de raiva, mas manteve o foco e fez um ótimo trabalho. Ele não estragaria o evento em que Eduardo tinha trabalhado tanto por causa de um idiota como o Arthur. Fixou os olhos na mesa de som e não pretendia tirá-los de lá, pelo menos por enquanto.
Finalmente fez uma pausa. Depois de ter falado com tantas pessoas, Eduardo tinha conseguido mais duas pessoas para revezar com Otávio, preocupado que ele se esgotasse pelo trabalho repetitivo.
Otávio foi em direção a onde Eduardo estava anteriormente, mas não havia nem sinal dele.
— E aí, cara!!!! Cadê o Eduardo? Esse evento tá sensacional, quero dar os parabéns!
— Também tô querendo saber, Felipe… Também tô querendo saber.
— Ué, que cara é essa? Tá preocupado com alguma coisa, quer ajuda?
— Não, esquece. Só preciso tomar alguma coisa, fiquei no som até agora, preciso dar uma relaxada.
— Eu vi, mandou muito bem! Você sempre tem uns talentos escondidos na manga, né?
— Eu sei o básico, não exagera também. Vou pegar alguma coisa pra beber, vai querer?
— Não, tô de boa. Mas por falar em bebida, a Letícia quer falar com você. Ela falou pra você encontrar ela perto do estoque de reposição dos refrigerantes.
— O que ela quer comigo?
— Não sei, ela não falou!
— Era só o que me faltava! Valeu, Felipe.
— De nada, cara.
— Se ver o Eduardo, me manda uma mensagem.
— Tá, eu aviso.
“Merda, o que a Letícia quer comigo agora? Pelo menos ela deve saber onde o Eduardo está…”
Foi pelo caminho tentando ligar, mas a chamada nem sequer completava.
— Letícia!!
— Sim?
— Queria falar comigo?
— Ah, é você, Otávio!! Achei que não viria, agora me bateu uma esperança.
— Esperança? Tá falando do quê?
— Nada, não… acabei pensando alto.
— Sobre o que você queria falar comigo? — Otávio disse, impaciente.
— Ok, eu vou direto ao assunto: eu te achei muito gato controlando aquela mesa de som. Será que eu tenho uma chance de ver essas tattoos mais de perto?
— O quê? Ver mais de perto? Você gostou das tatuagens, é isso? Eu tenho o contato do tatuador, se quiser eu te passo.
— Impressionante! O que tem de gato, tem de lerdo! Otávio, eu quero ficar com você: dar uns pegas, uns beijos, uns amassos. Deu pra entender agora?
— Tá, tá bom, já entendi. Não precisa falar tão alto, alguém vai ouvir!!
Otávio estalou os olhos, surpreso. Sua expressão era de pura confusão enquanto tentava assimilar o que estava acontecendo.
— Não tenho problema nenhum se alguém ouvir. E então, você topa?
— Desculpa, mas não tô interessado. Não tô com tempo pra conhecer ninguém agora.
— Mas quem falou em conhecer? Eu só quero um lance de uma noite, não quero nada sério — Letícia disse, em tom provocativo, enquanto se aproximava e colocava a mão no peito de Otávio.
Ele ficou em choque, paralisado e sem reação.
— Eu só estou curiosa pra descobrir quantas tatuagens você esconde embaixo dessa camisa…
Otávio se afastou abruptamente, tirando as mãos de Letícia do seu peito.
— NÃO ESTOU INTERESSADO!!
— Calma, não precisa fugir de mim. Eu não mordo… a menos que você queira.
— Não, eu não quero. A gente pode encerrar esse assunto por aqui? Eu preciso voltar pra mesa de som.
— Tá bom, se você não quer, eu não vou insistir. Mas se mudar de ideia, pode me avisar a qualquer hora.
Otávio apenas assentiu com a cabeça enquanto saía de lá o mais rápido possível. Estava atordoado, seu corpo estava tenso e a respiração ofegante. Seu instinto era fugir daquele lugar, mas as palavras e a reação da Letícia ficavam em loop na sua cabeça.
…
— Aline!!!
— Oi, Otávio, tá tudo bem? Que cara é essa? Até parece que viu um fantasma!
— Foi quase isso.
— Hã? Como assim?
— Esquece… Você viu o Eduardo?
— Da última vez que vi, ele estava no camarim do teatro. Mas não sei se ele ainda está lá. Por quê? Será que eu posso te ajudar?
— Se você pudesse me ajudar, eu já teria falado com você!
— Calma, não precisa ser grosso! Já tentou ligar pra ele?
— Me desculpa, Aline, não foi minha intenção. Já tentei ligar, mas acho que o celular dele está desligado. De qualquer jeito, obrigado pela informação.
— Tudo bem. Se eu ver ele, te aviso, ok?
— Muito obrigado!!!
{…….}
Otávio chegou aos bastidores do teatro.
— Oi, você não pode entrar aqui, só pessoal autorizado!
— Pode deixar, Marcos, esse aí é protegido do Eduardo — Rebeca disse de longe.
— Ele tá por aqui?
— O Eduardo?
“Puta merda, agora todo mundo deu pra fazer pergunta idiota hoje?”, disse em pensamento.
— Sim, Rebeca, o Eduardo!
— Ele tá na porta três, revisando com a figurinista os detalhes do figurino.
— Obrigado!
Eduardo estava de costas, com um traje de apresentação nas mãos, observando atentamente — e Arthur ao seu lado, sem dar nenhuma brecha nem espaço.
— Eduardo!!
— Oi?
— Por que seu celular está desligado? Tentei falar com você várias vezes!!
— Oi, Otávio! Por que esse desespero todo? Eu fiquei sem bateria. Aconteceu alguma coisa? Que cara é essa?
— Não aconteceu nada! Tá tudo bem, eu só… eu só precisava falar com você.
— Tem que ser agora? — a figurinista interrompeu. — Preciso da ajuda do Eduardo por aqui.
— Mas se for importante, eu tenho um tempinho, Otávio — Eduardo retrucou.
— Não é importante. Depois a gente conversa, tá? Vou voltar pra mesa de som.
— Tem certeza?
— Tenho!!! Mas, Eduardo, carrega esse telefone, pelo amor de Deus!!!
— Tá bom, tá bom, vou colocar no carregador agora mesmo.
— Ok!
Otávio saiu apressado, sem olhar para trás.
“Aconteceu alguma coisa com o Otávio e ele não quis me contar… ele tava muito nervoso.”
— Nossa, nunca vi alguém ficar tão estressado por um celular sem bateria. Até parece que nunca aconteceu com ele! — Arthur disse, provocando.
— E não acontece. Ele sempre tem um carregador portátil ou um reserva, ele é sempre muito organizado.
Arthur não disse nada, e Eduardo continuou em silêncio, pensando na expressão assustada de Otávio.
“Com certeza tem alguma coisa errada, meu pressentimento me diz.”
— Eduardo!!!
— Sim?
— Podemos continuar?
— Ah… sim, podemos continuar.
Capítulo 08
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A primavera sem Flores
Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem humorado e...