Capítulo 5 — A Mansão
A viagem foi silenciosa.
Durante todo o caminho, Mateus permaneceu olhando pela janela, observando as luzes da cidade desaparecerem pouco a pouco.
Ninguém disse uma palavra.
Otávio mantinha a atenção voltada para alguns documentos que carregava consigo, enquanto Vinícius seguia no banco da frente.
Depois de quase uma hora, o carro atravessou um enorme portão de ferro.
A mansão era cercada por altos muros, câmeras de segurança e homens armados que faziam a vigilância do local.
Mateus engoliu em seco.
Aquilo não parecia uma casa.
Parecia uma fortaleza.
O carro parou diante da entrada principal.
Vinícius desceu primeiro e abriu a porta para os dois.
Vinícius: Chegamos.
Mateus saiu do carro lentamente.
Ergueu os olhos para a enorme construção de pedra escura.
As janelas eram grandes, mas quase todas estavam fechadas. O jardim era bem cuidado, porém o silêncio do lugar tornava tudo ainda mais intimidador.
Otávio passou por ele.
Otávio: Venha.
Sem alternativa, Mateus o acompanhou.
Ao entrar, encontrou um amplo saguão, iluminado por um lustre de cristal. O piso de mármore refletia a luz, e alguns funcionários caminhavam discretamente pelos corredores.
Todos paravam por um instante para cumprimentar Otávio.
Nenhum deles dirigia mais do que um rápido olhar para Mateus.
Otávio subiu a escadaria sem dizer uma única palavra.
Mateus o seguiu, tentando decorar o caminho.
No segundo andar, eles atravessaram um longo corredor até uma porta de madeira escura.
Otávio abriu a porta.
Mateus entrou e olhou ao redor.
O quarto era enorme.
Havia uma cama de casal king-size no centro do cômodo, um sofá próximo à janela, uma estante repleta de livros e uma porta que levava ao closet.
Mateus franziu a testa.
Mateus: Este… é o meu quarto?
Otávio respondeu com naturalidade.
Otávio: É o nosso quarto.
Mateus arregalou os olhos.
Mateus: Nosso?
Otávio: Você ficará aqui.
Mateus deu um passo para trás.
Mateus: Não existe outro quarto?
Otávio: Existe.
Mateus esperou pela continuação.
Otávio: Mas você ficará neste.
Mateus respirou fundo, claramente incomodado.
Mateus: Eu não quero dormir no mesmo quarto que você.
Otávio manteve a calma.
Otávio: Entendo.
Mateus cruzou os braços.
Mateus: Então me coloque em outro quarto.
Otávio balançou a cabeça negativamente.
Otávio: Não.
O silêncio tomou conta do ambiente.
Mateus desviou o olhar, frustrado.
Depois de alguns segundos, Otávio voltou a falar.
Otávio: Ninguém entrará aqui sem minha autorização. Este é o lugar mais seguro da mansão.
Mateus não respondeu.
Ainda não sabia se aquelas palavras eram uma forma de proteção ou de controle.
Otávio caminhou até uma porta ao lado da estante.
Otávio: Ali fica o banheiro. No closet há roupas do seu tamanho. Descanse. Amanhã conversaremos.
Sem esperar resposta, ele saiu do quarto.
A porta se fechou.
Mateus permaneceu sozinho.
Sentou-se na beira da cama e passou as mãos pelo rosto.
Tudo havia acontecido rápido demais.
Ele olhou ao redor mais uma vez e suspirou.
Mateus: Essa não é a minha casa…
Naquela noite, apesar do cansaço, o sono demorou a chegar.
E a certeza de que dividiria aquele quarto com o homem mais temido da cidade tornava tudo ainda mais difícil.
Capítulo 5 — A Mansão
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