Capítulo 6 — A Primeira Noite
O relógio marcava quase meia-noite.
Mateus continuava sentado na cama, sem coragem de fechar os olhos.
O silêncio da mansão era estranho.
Não se ouvia televisão, música ou conversas.
Apenas o som distante do vento batendo nas janelas.
Ele suspirou.
Mateus: Que lugar assustador…
Sem conseguir dormir, levantou-se e foi até a janela.
O jardim era enorme e vários seguranças faziam patrulha pelo terreno.
Ele percebeu que fugir dali seria muito mais difícil do que imaginava.
A porta do quarto se abriu.
Mateus se virou rapidamente.
Otávio entrou, já sem o paletó do terno. Arregaçou as mangas da camisa e fechou a porta atrás de si.
Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes.
Mateus deu um passo para trás.
Mateus: Eu ainda acho isso um absurdo.
Otávio colocou alguns documentos sobre uma mesa.
Otávio: O quê?
Mateus: Dividir o mesmo quarto com você.
Otávio olhou para ele.
Otávio: Eu já expliquei o motivo.
Mateus cruzou os braços.
Mateus: Eu não pedi proteção.
Otávio respondeu calmamente.
Otávio: Não é um pedido. É uma decisão.
Mateus revirou os olhos.
Mateus: Você gosta de mandar em todo mundo, não é?
Otávio não respondeu.
A reação irritou ainda mais o jovem.
Mateus: Vai ficar calado?
Otávio caminhou até o armário, pegou uma roupa confortável e seguiu para o banheiro.
Antes de entrar, respondeu apenas uma frase.
Otávio: Nem toda provocação merece resposta.
A porta do banheiro se fechou.
Mateus fez uma careta.
Mateus: Arrogante…
Alguns minutos depois, Otávio saiu usando uma calça de moletom escura e uma camiseta preta.
Ele apagou a luz principal, deixando apenas o abajur aceso.
Mateus continuava sentado na ponta da cama.
Otávio percebeu.
Otávio: Não vai dormir?
Mateus respondeu sem olhar para ele.
Mateus: Não.
Otávio: Amanhã será um dia longo.
Mateus respirou fundo.
Mateus: Eu ainda não confio em você.
Otávio assentiu discretamente.
Otávio: Eu não esperava que confiasse.
Sem dizer mais nada, ele deitou-se em um dos lados da cama, mantendo distância.
Mateus observou aquilo por alguns segundos.
Com certa hesitação, deitou-se do outro lado, virado para a parede.
O silêncio voltou a dominar o quarto.
Apesar do medo, o cansaço venceu.
Pouco a pouco, os olhos de Mateus começaram a se fechar.
Pela primeira vez desde que sua vida mudou completamente, ele conseguiu dormir.
Sem perceber, naquela noite, a tempestade que se aproximava da organização de Otávio já estava prestes a atingir a mansão.
Capítulo 6 — A Primeira Noite
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