Capítulo 142. Esmagarei Seus Ossos Até Virarem Cinzas
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O velho não precisou bater por muito tempo. Logo, um homem de meia-idade, de aparência feroz, abriu o portão da mansão.
— Quem está aí?
Ao ver o velho, seus olhos se arregalaram. Antes mesmo de conseguir reagir, seus joelhos cederam e ele caiu de joelhos no chão, rompendo em lágrimas sem aviso:
— Ancião… Ancião! O senhor finalmente voltou…
Ao ver isso, o semblante do velho escureceu, e ele deu um chute no homem, lançando-o para longe.
— Estou vivo! Vai ficar uivando por quê? Onde está Lie’er?
O homem se virou, ainda ajoelhado, e começou a se arrastar de volta com dificuldade, batendo a cabeça no chão com força:
— Eu mereço a punição! Eu mereço…
O velho entrou na Mansão Vermelha e olhou ao redor. Notou que o lugar estava bem vazio, com pouca movimentação, o que fez franzir o cenho. Girou nos calcanhares e lançou um olhar sombrio para o homem de meia-idade:
— Onde está Lie’er? Por que diz que merece ser punido?
Enquanto falava, uma poderosa pressão espiritual se espalhou de repente, fazendo o homem tremer. Ele resistia com dificuldade, os joelhos afundando no chão de terra. Em segundos, já estava encharcado de suor, com o rosto pálido como o de um doente terminal.
Os olhos do velho brilharam com uma luz vermelha intensa.
— Fale logo!
Retraindo parte da pressão, o velho permitiu que o homem respirasse.
— A-Ancião… Eu… falhei. Não protegi o Jovem Mestre… Ele… ele já morreu.
Ao ouvir isso, o rosto magro do velho estremeceu. Seus olhos escurecidos ficaram completamente vermelhos, e os longos cabelos cor de fogo pareciam se arrepiar.
— O que você disse? O que aconteceu com Lie’er?!
— A-Ancião… cerca de meia-lua atrás, o Jovem Mestre Hong foi até a Vila Bordo Vermelho… e nunca mais voltou! — o homem uivou, desesperado.
— Maldição! — O velho esticou a mão e, com um movimento, puxou o homem para si. Agarrou-o pelo pescoço e rugiu:
— Quem foi?! Quem ousou, neste Império Longqin, matar o meu neto, o neto do Ancião Chiyan?!
Era ele — o temido Ancião Chiyan, um dos três grandes Anciãos do Império Longqin!
— E-eu… eu não sei…
A mão do velho apertou ainda mais.
— Não sabe? Então pra que serve?!
Os olhos completamente vermelhos brilharam com uma intenção assassina. Mas antes que quebrasse o pescoço do homem, ele parou.
— Onde fica essa tal Vila Bordo Vermelho?
— Fica… fica ao sul da cidade… mas já foi queimada… — respondeu, com a pele ficando azulada. — O Jovem Mestre ficou lá alguns dias… e nunca mais voltou. Quando fui verificar, a vila inteira tinha virado cinzas… O Jovem Mestre e seus guardas estavam todos mortos…
Hong era famoso em Yuncheng por sua obsessão em colecionar mulheres, das mais diversas origens e status.
Muitos já haviam se perguntado como ele fazia isso livremente — por que ninguém do governo o detinha?
Agora, tudo fazia sentido. O famoso Childe Hong de Yuncheng era nada menos que o neto do Ancião Chiyan, um dos três grandes do Império!
— Morto?
Os olhos sangrentos de Chiyan ficaram ainda mais vermelhos, quase escorrendo sangue.
— Já que todos estão mortos… por que você ainda está vivo?
Com um estalo, torceu o pescoço do homem como se fosse graveto, e o jogou no chão. Depois, lançou um último olhar sombrio para a Mansão Vermelha, pisou com força no chão e alçou voo aos céus.
Lá do alto, girou as mangas com violência. Num instante, chamas surgiram por todo o casarão.
O fogo se espalhou em segundos, devorando tudo. Em um piscar de olhos, a mansão inteira virou um inferno de labaredas!
O Ancião Chiyan olhou para o mar de fogo com olhos insanos.
— Meu neto morreu… pra que serve essa mansão agora?
Em seu rosto enrugado e magro, um ódio cortante brilhou. Ele ergueu os olhos para o céu e riu como um louco:
— Hahahahaha! Quem quer que tenha matado Lie’er… não importa quem seja…
— Eu vou esmagar seus ossos até virarem cinzas!
Em plena luz do dia, a Mansão Vermelha virou um mar de chamas, afetando até as casas vizinhas. A fumaça espessa se espalhou por toda Yuncheng, atraindo imediatamente a atenção de todos.
— Céus!
— Que incêndio enorme!
— Quem foi que provocou isso?
— Rápido, apaguem o fogo!
Até os oficiais do governo de Yuncheng chegaram correndo ao local.
Todos que se aproximaram da mansão viram aquele velho flutuando no ar, com os cabelos vermelhos e olhar de louco.
— Ele está… voando?!
— Deve ser alguém no nível de Príncipe ou mais!
— Ele está bem acima do fogo. Foi ele quem causou isso?!
— Rápido! Alguém vá chamar o Comandante Gao!
Esse tal Comandante Gao era o homem mais poderoso de Yuncheng — um verdadeiro Príncipe, Gao Xianzong.
Assim como todos ali, sabiam que o homem flutuando no ar era alguém que ultrapassava o nível de Príncipe. Um cultivador comum sequer era digno de dirigir-lhe a palavra. Somente os que estavam no mesmo patamar tinham esse direito.
Logo, o homem mais poderoso de Yuncheng chegou — Gao Xianzong.
Ao ver o velho de cabelos vermelhos flutuando no céu, não pôde deixar de estremecer por dentro. Sentia uma aura tão avassaladora emanando daquele homem que, mesmo sendo um Príncipe, seu corpo tremeu involuntariamente e um leve temor brotou em seu coração.
Com apenas um olhar, Gao Xianzong entendeu: aquele não era simplesmente um Príncipe.
Não era um Príncipe… só podia ser um Rei!
Rei!
Em todo o Império Longqin, existiam apenas três Reis — os lendários Três Ancestrais: Ancião Qingyun, Ancião Haoyang e Ancião Chiyan.
Dizia-se que o Ancião Chiyan cultivava a essência do fogo e tinha longos cabelos cor de fogo.
Seria esse homem diante dele o lendário Ancião Chiyan?
Gao Xianzong era ágil de raciocínio. Num piscar de olhos, compreendeu quem estava à sua frente. Imediatamente, voou até ele com reverência:
— Ancião, por que…
— Saia da minha frente! — rugiu o Ancião Chiyan, cortando a fala de Gao Xianzong com um tapa violento.
Lá embaixo, todos os que tentavam conter o incêndio viram o homem mais poderoso de Yuncheng ser arremessado no ar com um único tapa daquele velho de cabelos vermelhos.
Todos prenderam a respiração.
Céus! Como era possível? Aquele velho conseguiu dar um tapa num Príncipe e lançá-lo pelos ares?
— Quem é esse homem?!
— Que poder assustador!
Os combatentes e civis que apagavam o fogo pararam, atônitos. Seus olhares fixos no velho flutuante, com cabelos vermelhos esvoaçantes e um manto negro que dançava mesmo sem vento.
Naquele momento, Gao Xianzong, o Príncipe de Yuncheng, levantou-se com dificuldade e se ajoelhou solenemente diante do velho.
— Ancião Chiyan! Eu sou Gao Xianzong, Príncipe de Yuncheng!
Sua voz era carregada de poder espiritual, e ecoou por toda a cidade como um trovão. Todos próximos à antiga Mansão Vermelha ouviram com clareza.
No mesmo instante, o tempo pareceu congelar em Yuncheng. Os que combatiam as chamas ficaram imóveis, atordoados.
Silêncio absoluto.
Somente o som do fogo crepitando e o vento uivando permaneciam.
Logo após o silêncio sepulcral, uma onda de movimento varreu a cidade — todos ajoelharam-se, como uma maré que se espalha em reverência:
— Ancião Chiyan!
— Ancião Chiyan!
Afinal, dentro do Império Longqin, o status dos Três Ancestrais era comparável ao do próprio Imperador. Eram os pilares que protegiam a nação. Para muitos, eram mais que lendas — eram divindades vivas.
Sua reputação é incomparável.
O Ancião Chiyan olhou para todas aquelas pessoas ajoelhadas no chão e, por um instante, lembrou-se de sua posição e responsabilidade.
Soltou um resmungo abafado — e, no mesmo instante, as chamas que consumiam o chão desapareceram por completo, como se jamais tivessem existido. Tudo com apenas um gesto de sua mão.
Os que antes lutavam com todas as forças para apagar o incêndio ficaram extasiados. Testemunharam o Ancião extinguir um mar de chamas com um simples movimento. Seus olhos brilharam de admiração. Naquele momento, já haviam se esquecido de um detalhe importante:
Foi o próprio Ancião Chiyan quem incendiou tudo aquilo.
Mas mesmo que ele houvesse ateado fogo, mesmo que ele próprio tivesse matado pessoas diante de todos, ninguém o criticaria. Em um mundo onde o poder é a única lei, os fortes estão sempre certos — e o máximo que os fracos podem fazer é venerá-los.
Mesmo que o fogo fosse apagado, a destruição já estava feita. Toda a Mansão Vermelha havia sido reduzida a cinzas. As construções vizinhas também arderam até não restar nada. Servos, moradores… todos carbonizados.
Mas ninguém ousou emitir uma palavra de julgamento.
Após apagar o fogo, o Ancião Chiyan não permaneceu no local. Seu corpo desapareceu em um piscar de olhos — quando as pessoas voltaram à realidade, ele já havia partido.
Ainda assim, toda Yuncheng fervilhava de entusiasmo. O motivo? Haviam visto pessoalmente o lendário Ancião Chiyan!
Contudo, o Ancião não havia deixado a cidade.
Pelo contrário — em seu coração, ardia um ódio feroz.
Yuncheng, como era chamada por ele, já não era mais um vilarejo — havia se tornado uma das maiores províncias do Império Longqin.
Chiyan foi direto até o homem de maior autoridade local, o prefeito da Província Liuyun.
— Um mês… não. Três dias! No máximo, cinco dias! Dentro de cinco dias, quero saber quem matou meu querido Lie’er!
Seus olhos brilharam de fúria.
— Pode matar mil inocentes, mas não deixe um culpado escapar! Se em cinco dias você não me trouxer o assassino, enterrará toda Yuncheng junto com meu neto!
Diante daquela ameaça, o prefeito empalideceu na hora. Sabia que aquilo não era um blefe. O Ancião Chiyan tinha poder o suficiente para destruir uma cidade inteira sem esforço. Seu corpo tremia, e ele mal conseguiu manter a consciência ao ouvir tal sentença.
— E-eu… Certo! Sim, senhor! Dentro de cinco dias, darei uma resposta!
O Ancião Chiyan soltou um riso frio, repleto de intenção assassina:
— Espero boas notícias.
Enquanto isso…
A notícia de que o Terceiro Príncipe fora envenenado e de que o Grupo Fengyun era suspeito se espalhou rapidamente.
Mu Xuan recebeu a informação — mas era tarde demais.
No instante em que terminava de falar, a porta da Ala D da Academia Espírito Santo foi escancarada com brutalidade.
Eram os Guardiões do Dragão.
Na Capital Imperial do Império Longqin, os Guardiões do Dragão estavam apenas abaixo do Exército do Palácio Imperial. Serviam diretamente ao Imperador.
A estabilidade da capital era responsabilidade deles. Inclusive, os guardas das quatro principais entradas da cidade também pertenciam aos Guardiões do Dragão — embora fossem da mais baixa patente.
Mas agora… diversas fileiras de soldados da elite, vestidos com armaduras douradas e empunhando longas lanças, marchavam pela Ala D da Academia.
Nunca antes na história do Império algo assim havia acontecido.
Ao ver a entrada abrupta, Meng Sansheng teve um leve espasmo no rosto. Tentou manter a compostura e disse, com rigidez:
— Vocês não se enganaram de lugar? Aqui é a sala de aula da Ala D!
Meng Sansheng era membro da família Meng, uma das cinco grandes famílias da Capital Imperial. No passado, seu cultivo avançou rapidamente, chegando ao nível de Príncipe graças ao aprendizado do Caminho Justo da Espada, ali mesmo na frente da Academia Espírito Santo. Isso o tornara uma lenda dentro do Império.
Por isso, muitos na capital costumavam lhe conceder respeito.
Mas… o capitão dos Guardiões do Dragão que liderava aquela tropa não era um deles.
Suas posições eram diferentes.
Afinal, o capitão representava interesses ligados diretamente à disputa pelo trono — seja do Príncipe Herdeiro, do Segundo Príncipe, ou do próprio Imperador.
— Jovem Mestre Meng.
O capitão era um jovem de feições marcantes, com nariz afilado, lábios largos e expressão séria. Seu olhar era como uma lâmina fria.
— Viemos sob ordens do Imperador. Estamos aqui para prender os suspeitos.
— Vocês têm um decreto imperial? — Meng Sansheng perguntou com seriedade.
O capitão ergueu a mão. Um pergaminho amarelo-ouro — símbolo do poder absoluto do Imperador — surgiu entre seus dedos.
Sem esse decreto, não seria possível invadir com tanta facilidade um lugar como a Academia Espírito Santo.
Meng Sansheng empalideceu um pouco ao ver o edito e deu um passo para o lado.
— Quem vocês vieram prender?
O capitão dos Guardiões do Dragão curvou levemente os lábios, num sorriso enigmático.
— O Grupo Fengyun. Todos eles.
Naquele momento, Luo Zhiyuan estava entre os membros do grupo. Com o cenho franzido, também pensava sobre o ocorrido com Jun Wufeng, o Terceiro Príncipe.
— Jun Wufeng foi envenenado? Como isso é possível…?
Eles haviam jantado juntos na Joy Tsin Lau na noite anterior. Todos estavam bem… por que só o príncipe foi envenenado?
Estariam tentando incriminar o Grupo Fengyun…?
Não importava quem fosse o verdadeiro culpado — com o Pequeno Caldeirão ao seu lado, Luo Zhiyuan tinha confiança de que poderia neutralizar qualquer veneno.
Com esse pensamento, deu um passo à frente e disse, com firmeza:
— Senhor.
Olhou diretamente para o capitão dos Guardiões do Dragão.
— Sou farmacêutico. Poderia me permitir ver o Terceiro Príncipe?
O capitão soltou um resmungo de escárnio.
— Ainda nem dissemos por que vieram ser presos e você mesmo já se entrega? Então é isso… o verdadeiro culpado são mesmo vocês.
Ele lançou um olhar frio e afiado para o grupo, como uma lâmina prestes a ser cravada.
— Homens! Levem todos para a prisão!
— Esperem! — a voz de Meng Sansheng ecoou, apressada.
Ele apontou na direção de Luo Zhiyuan.
— Ele não pode ser preso! Este jovem é Luo Zhiyuan, irmão jurado do Ancião Haoyang. Foi pessoalmente reconhecido como um “Childe” por Sua Majestade. Ele não é membro do Grupo Fengyun!
Mesmo com a tentativa de intervir, Luo Zhiyuan franziu ainda mais a testa, confuso e inquieto.
— Se eu nem puder ver Jun Wufeng… como poderei curá-lo?
Capítulo 142. Esmagarei Seus Ossos Até Virarem Cinzas
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The Supreme Princess
Há muito tempo, alguém disse uma vez que se Jun Wuji fosse a espada mais afiada deste mundo, então Luo Zhiyuan seria a única bainha que poderia bloquear sua nitidez. Anos depois, a lenda dele e...