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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO

CAPÍTULO 6

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🟡 Em breve

Depois de concordar em ajudar na segunda missão de Niran, Pete voltou para a mesma mesa de pôquer carregando uma grande maleta, para a surpresa da crupiê e dos jogadores habituais da mesa.

“Troque estas notas por um milhão em fichas.”

Pete abriu a maleta e despejou sobre a mesa uma pilha de dinheiro: um milhão de bahts. Muay, a crupiê com quem Pete tinha uma boa relação, perguntou, surpresa:

“Ei, Pete, você assaltou um banco?”

Os jogadores habituais da mesa ficaram completamente perplexos. Na opinião deles, Pete nunca tinha sido um jogador importante ou um adversário digno de atenção, mas apenas uma presença pitoresca — alguém que costumava apostar alguns milhares, se gabando quando ganhava ou se frustrando quando perdia. Pete servia apenas para entreter e impedir que a mesa se tornasse entediante, antes de desaparecer na falência pouco tempo depois.

Mas desta vez tudo parecia diferente. A enorme quantia de dinheiro, o chamado “dinheiro de Nerano”, fez os jogadores apontarem para Pete, pensando que ele seria uma presa fácil. Mas Pete deixaria que o transformassem em presa?

Ninguém sabia se ele realmente tinha alguma habilidade especial, mas sua língua afiada era, sem dúvida, infalível.

“Sim”, respondeu ele. “Assaltei um banco. E o próximo lugar que vou assaltar é esta mesa.”

“Você está aqui há menos de cinco minutos e já está falando demais, garoto”, disse um dos jogadores ricos, irritado, encarando-o.

Era Hia Tong, um influente agiota da região de Thonburi e um dos clientes VIP do cassino.

Ele mesmo não sabia exatamente quanto havia ganhado, mas corria o boato de que já tinha perdido centenas de milhões.

Afinal, toda aquela fortuna vinha dos juros obtidos através da exploração e da extorsão.

Como também era jogador, Pete percebeu que Hia Tong estava perdendo muito dinheiro naquela noite, por isso estava tão irritado e descontava a frustração nele.

Mas quem imaginaria que alguém como Pete ousaria provocar Hia Tong?

Ainda mais com o guarda-costas dele parado logo ao seu lado.

“Não sou apenas habilidoso, Hia. Também sou sortudo. Se não acredita, experimente e verá.”

“Seu pirralho…”

“Um milhão em fichas”, interrompeu Muay, esperando encerrar a discussão enquanto contava as fichas diante de Pete antes de entregá-las e iniciar imediatamente a rodada.

Depois de receber todas as suas fichas, Pete fez sua primeira aposta.

Ele pegou suas cartas e aguardou ansiosamente pelo resultado.

Era evidente que todos na mesa estavam particularmente interessados nas cartas de Pete, especialmente Hia Tong, que guardava um profundo ressentimento contra ele. Mas Pete não se importava. Em resumo, não eram aqueles adversários que ele queria derrotar; seu verdadeiro inimigo era a própria força do mal.

Pete respirou fundo, tentando se acalmar, lembrando-se do que Niran havia lhe dito no santuário.

“Esse tipo de Yao é chamado de ‘Yao residente’. Ele é criado enterrando fragmentos de almas em um lugar ou área específica. Neste caso, a fileira de prédios que é usada como cassino”, explicou Niran a Pete, que o ouvia atentamente.

“Acredito que uma maldição também tenha sido incluída durante o ritual. Foi criado um Yao maligno que se alimenta da ganância e do desespero humanos. Conforme cresce, seu poder se torna tão grande que consegue distorcer o destino daqueles que jogam ali. Não importa quão afortunada uma pessoa seja; uma vez que entra em seu território, o Yao pode transformar seu destino em infortúnio para continuar devorando seu desespero.”

Depois de ouvir aquilo, Pete finalmente entendeu por que sua sorte era tão estranha sempre que jogava naquele lugar. Quando estava com sorte, ela era extraordinariamente boa; quando não estava, era incrivelmente ruim.

Tudo aquilo era resultado do poder do Yao.

“E como vamos nos livrar disso? Temos que demolir o prédio inteiro, igual quando destruímos aquela abóbora?”

“Você fala como se isso fosse um filme da Marvel. Que tipo de influência você acha que eu tenho para demolir um prédio inteiro?”, respondeu Niran, um pouco irritado, mas tentando explicar pacientemente. “Desta vez não vou usar métodos destrutivos. Vou transferi-lo para um recipiente menor e depois selá-lo.”

“Bom, eu não sabia que existiam tantos métodos. Não sou um feiticeiro como você.”

“Eu não sou um feiticeiro, sou um Wu.” Niran começou a se perguntar se tinha tomado a decisão certa ou errada ao incluir aquele homem na missão. “Não importa. O método para selar esse Yao é o seguinte… você, como alguém capaz de ver Yao, na sua condição de ‘bish’, terá que apostar contra ele… usando sua alma!”

Pete ficou paralisado ao ouvir aquilo.

“O quê? Apostar minha alma? Quer dizer… o que eu tenho que fazer?”

“Significa que você terá que aceitar tudo!”

“Entrar e apostar. Seu trabalho é continuar apostando até que o Yao apareça e cuide de você. Enquanto isso… eu vou descer e preparar o ritual. Existe um porão ali, um compartimento secreto usado para esconder pessoas quando a polícia aparece. É o lugar perfeito para realizar o ritual.”

“Espere um pouco… Se você diz que o Yao vai tornar minha sorte horrível, então isso significa que vou perder todo o meu dinheiro não importa o quê, certo?”

“Não se preocupe. Eu vou lhe emprestar dinheiro para jogar. Assim você terá o suficiente para continuar apostando por bastante tempo. Além disso, vou realizar um ritual para abrir seu destino…”

“Abrir meu destino?!”

“Sim. Esse ritual ajudará seu destino a se alinhar com o céu e a terra, e ele não será mais distorcido pelo Yao como antes. Agora, quando seu destino estiver em harmonia com o céu e a terra, e você tiver certeza de que suas cartas são boas o suficiente, deverá apostar sua alma contra o Yao.”

“Você precisa fazer o Yao perder para você. Somente então o poder dele enfraquecerá e eu poderei selá-lo.”

“Bem, se jogarmos de forma justa, acho que tenho uma chance de vencer”, respondeu Pete hesitante.

Mas a resposta de Niran o fez perceber que aquilo não era um simples jogo.

“Mas existe um problema… o ritual para abrir o destino não dura muito tempo, especialmente em um lugar com uma energia Yao tão intensa. Portanto, você precisa terminar o jogo rapidamente! E precisa vencer, porque se perder, não perderá apenas dinheiro… perderá também sua alma.”

Quando Pete percebeu que aquela missão era mais perigosa do que imaginava, só conseguiu engolir em seco.

O nó em sua garganta continuava ali.

Antes, perder alguns milhares ou dezenas de milhares de bahts já o deixava estressado. Agora, ele podia perder milhões — dinheiro de outra pessoa — e talvez até sua própria alma.

Por mais grosseiro que parecesse, Pete não conseguia agir daquela forma quando a situação era séria.

Enquanto refletia sobre isso, observou as cartas que havia recebido na primeira rodada: um 4 de ouros e um 10 de paus, praticamente inúteis.

Então todos os jogadores começaram a apostar agressivamente, aumentando os valores antes mesmo das três cartas comunitárias serem reveladas.

O primeiro jogador aumentou para dez mil.

O segundo para vinte mil.

Enquanto isso, Hia Tong elevou a aposta para cinquenta mil, encarando Pete de forma provocadora.

Pete conseguia perceber claramente que o outro homem estava determinado a arrancar seu dinheiro.

Mesmo assim, decidiu continuar jogando. Sua mão não era forte, mas as cartas comunitárias ainda poderiam mudar a situação.

Porém, quando as três cartas foram reveladas, nenhuma delas lhe deu qualquer combinação útil.

Além disso, Tong aumentou a aposta em mais cem mil.

Não dava para saber se ele realmente tinha uma boa mão ou se estava apenas blefando, mas como Pete não tinha cartas para sustentar a aposta, desistiu.

Tong venceu a rodada.

“É engraçado. Estou perdendo há horas. Mas assim que você sentou aqui, comecei a ganhar, garoto”, disse Hia Tong com um sorriso zombeteiro.

Pete não conseguiu resistir à tentação de responder.

“Talvez tenha sido só nesta rodada, Hia.”

A resposta irritou ainda mais Hia Tong.

Seu desejo de atacar Pete pareceu se intensificar.

Talvez tivesse sido melhor manter a boca fechada, mas aquilo era praticamente um defeito natural de Pete: deixar-se levar pelas emoções, recusar-se a ceder e ignorar as consequências futuras.

Especialmente nos momentos em que o destino não estava ao seu lado.

Na segunda rodada, Pete recebeu uma mão um pouco melhor: um valete de espadas e um ás de espadas.

Ele tinha a possibilidade de formar uma sequência, um flush ou, se fosse extremamente sortudo, até mesmo um royal flush.

Pete começou apostando vinte mil bahts, testando o terreno para ver se os outros jogadores continuariam na rodada.

Hia Tong aumentou para cinquenta mil.

Pete pagou a aposta, convencido de que aquelas cartas valiam o investimento.

As três primeiras cartas comunitárias foram reveladas: um rei de copas, uma dama de ouros e um 4 de espadas.

Suas esperanças de conseguir um flush ou um royal flush desapareceram imediatamente, mas ainda havia a possibilidade de uma sequência.

Ele só precisava de um 10.

A maioria dos jogadores da mesa não aumentou as apostas dessa vez.

Até mesmo Hia Tong, que parecia inseguro sobre suas próprias cartas, apenas bateu na mesa para pedir mesa.

Quando a quarta carta foi revelada, Pete esperava um 10.

Mas recebeu um ás de copas.

A partida tomou um rumo inesperado.

Agora, na rodada final, Pete poderia vencer com uma sequência caso a quinta carta fosse um 10. Além disso, se a última carta fosse um ás de paus ou de ouros, ele conseguiria uma trinca.

Os jogadores da mesa, incluindo Hia Tong, não aumentaram as apostas, indicando que talvez suas mãos não fossem tão boas.

Apesar disso, Pete sentiu vontade de apostar tudo de uma vez e intimidar os outros a desistirem.

Ele não sabia se aquele pensamento vinha de sua própria ansiedade ou se era influência do Yao manipulando a situação.

Mas um lampejo repentino de racionalidade o fez permanecer calmo.

Pete apenas bateu na mesa, aguardando a próxima revelação.

Então a última carta apareceu.

Era um valete de copas.

Nada parecido com o que ele precisava.

Acabou.

Todas as boas possibilidades que havia construído durante a rodada foram destruídas pela última carta.

Pete começou a duvidar de qual decisão deveria tomar.

Ao contrário dele, Hia Tong aumentou a aposta para duzentos mil bahts.

Pete ficou paralisado.

Não conseguia imaginar quais cartas Hia Tong tinha nas mãos nem por que estava apostando tanto na rodada final.

Todos os outros jogadores já haviam desistido.

Agora restava apenas Pete decidir.

Se desistisse, perderia os cinquenta mil bahts apostados anteriormente.

Mas se continuasse…

Arriscaria perder mais duzentos mil caso Hia Tong vencesse.

Mas será que Hia Tong realmente tinha uma mão melhor?

Afinal, ele havia pedido mesa durante três rodadas seguidas.

Alguém tão direto quanto Hia Tong não deveria ser difícil de interpretar.

Pete tinha certeza de que ele estava blefando.

“Desista.”

“Lute.”

As vozes em sua cabeça se misturavam em um caos incoerente.

Ele nem sabia se alguma delas estava sendo influenciada pelo poder do Yao.

Mas Niran não tinha dito que o ritual abriria seu destino e o libertaria da influência do Yao?

Bem…

Pelo menos ele tinha um par de ases.

Não era uma mão totalmente inútil.

A menos que o destino resolvesse pregar uma peça cruel, Hia Tong provavelmente não teria chances contra ele.

Pete hesitou por um instante.

Então tomou sua decisão.

Empurrou as fichas para frente e revelou suas cartas com confiança, certo de sua vitória.

Mas Hia Tong mostrou apenas um 9 e um 2.

Aparentemente, a última carta havia mudado tudo.

Hia Tong tinha dois pares.

Pete tinha apenas um.

Hia Tong venceu de uma forma quase inacreditável.

Os duzentos e cinquenta mil bahts desapareceram da maleta de Pete em um piscar de olhos.

Somando os cinquenta mil da rodada anterior, o prejuízo total já chegava a trezentos mil bahts.

“Ah, então você realmente veio aumentar minha sorte, nong.”

Hia Tong caiu na gargalhada mais uma vez.

Dessa vez, Pete estava estressado demais para responder.

Ao perceber que Pete não parecia mais tão confiante quanto quando havia chegado, Hia Tong sorriu satisfeito.

O jogo continuou.

E Pete teve que admitir que não estava jogando bem naquele dia.

Cada carta — tanto as que recebia quanto as que apareciam na mesa — parecia trabalhar contra ele.

Seu saldo já havia caído para menos da metade.

Ele não conseguia evitar a dúvida.

Será que o ritual de Niran, que supostamente abriria as portas da fortuna, realmente tinha funcionado?

Por que continuava perdendo repetidamente?

“Você está bem?”

A voz severa da pessoa em quem Pete acabara de pensar soou bem ao lado de seu ouvido.

Pete deu um salto de susto e se virou para encarar Niran, que estava parado atrás dele, de braços cruzados.

“Merda… você me assustou.”

Niran, furioso, puxou uma cadeira e se sentou ao lado de Pete. Em seguida, sussurrou uma série de xingamentos:

“Em apenas algumas rodadas meio milhão de bahts desapareceu! Todo o meu dinheiro, seu animal! Eu te emprestei isso, então você vai me devolver cada centavo!”

“Você já fez o ritual para abrir meu destino?”, perguntou Pete, irritado.

“Já fiz”, respondeu Niran em voz baixa.

Ele olhou rapidamente para as novas cartas na mão de Pete, que não valiam grande coisa, e murmurou:

“Maldição… essa é a sua sorte verdadeira? É um lixo. Acho que você deveria parar de jogar.”

“Shhhh!”, repreendeu Pete.

Irritado, ele mandou Niran ficar quieto para que pudesse se concentrar e continuar a próxima rodada.

Pete recebeu um 10♣ e um 7♦.

As cartas comunitárias reveladas foram: 2♣, 10♦, 8♣, 3♣ e 6♥.

Pete lutou até o fim na esperança de vencer, mas infelizmente terminou apenas com um 3♠ e um 3♥.

Pete perdeu novamente.

Quase todas as suas fichas desapareceram.

Do milhão inicial, restavam pouco mais de duzentos mil bahts.

Niran ficou desesperado ao perceber que seu milhão poderia desaparecer para sempre.

“Merda, eu cometi um erro… cometi um erro ao escolher você! Por que não encontrei alguém com mais sorte?”

“Do que diabos você está falando?”

“Jogando desse jeito, eu duvido que o céu e a terra algum dia fiquem do seu lado.”

Pete estava ansioso para vencer a próxima mão, mas Niran já estava cansado demais para continuar assistindo.

Principalmente depois de ver a última mão de Pete e as cartas horríveis que apareciam na mesa.

Para piorar, Pete parecia disposto a se exibir apostando os duzentos mil restantes.

Como alguém poderia se exibir com apenas isso?

“Meu Deus, você tem certeza disso, nong?”, brincou Hia Tong ao ver Pete empurrar suas fichas para aumentar a aposta. “Acho que você deveria ouvir o seu amigo.”

Hia Tong riu e fez um gesto em direção a Niran, que parecia visivelmente preocupado com o desempenho de Pete.

Pete apenas suspirou profundamente e, a contragosto, aceitou a provocação.

“Vai mostrar suas cartas ou não?”

Pete resmungou, irritado, enquanto Hia Tong continuava zombando.

“Ei, espera aí… vocês são amigos ou namorados?”

Pete lançou-lhe um olhar assassino, querendo se levantar e socá-lo.

Mas Muay já havia distribuído uma nova rodada de cartas.

Niran não conseguia mais esconder o nervosismo.

“Acho que deveríamos parar. Nunca vamos vencer jogando assim. Se acalme…”

Mas Pete insistiu em continuar.

Era como se ele se recusasse a desistir, fiel ao instinto primitivo de todo jogador que não consegue parar até que um dos lados esteja completamente arruinado.

A primeira carta de Pete era um 3♠.

Então ele revelou lentamente a segunda.

Um 5♠.

“Merda… vamos embora!”, insistiu Niran, convencido de que aquelas cartas eram inúteis.

Mas Pete pensava diferente.

Não era apenas sua teimosia habitual ou seu desejo obstinado de vencer.

Uma voz lhe dizia para apostar naquela rodada.

Dizia que tudo daria certo.

Não era uma voz em sua cabeça.

Parecia vir do fundo do seu coração.

“Acho que vai funcionar.”

Niran pareceu confuso e estava prestes a dizer mais alguma coisa quando Pete empurrou todas as fichas para o centro da mesa.

“Aposto tudo.”

Então ele enfiou a mão no bolso da jaqueta de Niran, pegou as chaves do carro dele e as jogou sobre a mesa.

“E também aposto isto.”

“FILHO DA PUTA!”, gritou Niran, horrorizado.

Muay, ao ver aquilo, pareceu imediatamente preocupada.

“Pete… por favor, não faça uma cena.”

“Estou falando sério. É um carro clássico. O valor estimado dele gira em torno de milhões, mas vou deixá-lo valendo um milhão.”

Pete então se virou para Hia Tong.

“Vai jogar, Hia?”

Hia Tong vinha vencendo todas as rodadas e transbordava autoconfiança.

Ele não era o tipo de pessoa que deixaria um desafio passar em branco.

Muito menos vindo de um garoto azarado como Pete.

Hia Tong fez um sinal para um subordinado trazer mais dinheiro.

Logo depois, colocou uma pilha de notas sobre a mesa.

“Bem… um milhão. Isso deve ser suficiente, não acha? Tem mais alguma coisa para apostar? Sua mãe… esposa… ou irmã?”

“Vou jogar, mas fecha essa boca, animal.”

Embora sua mãe já tivesse morrido, sua irmã ainda viva carregava uma ferida emocional profunda em seu coração.

A simples menção dela foi suficiente para enfurecê-lo.

O guarda-costas de Hia Tong avançou um passo ao ouvir Pete insultar seu chefe.

Mas Hia Tong o impediu.

“Não precisa. Eu vou deixar esse moleque sem um centavo. Isso já é suficiente para mim.”

Pete não respondeu.

Apenas ficou encarando Hia Tong.

Naquele instante, ele sentiu uma energia estranha nos olhos do homem.

“Então você finalmente apareceu…”, pensou.

Então falou em voz alta:

“Bem… vamos ver quem devora quem. Desta vez eu aposto minha vida e minha alma.”

Assim que Pete terminou de falar, o Yao pareceu aceitar o desafio.

Da perspectiva de Pete e Niran, o ambiente ficou sombrio de repente.

Uma esfera de energia carmesim disparou para o centro da mesa, como se estivesse aceitando formalmente a aposta.

Niran ficou atônito.

Pete havia escolhido apostar justamente naquela rodada, mesmo possuindo uma mão que praticamente não tinha chance de vencer.

Mas agora não havia mais nada que pudesse ser feito.

“Maldição!”


Niran xingou irritado antes de se levantar da mesa e partir imediatamente, deixando Pete sozinho diante do Yao.

À primeira vista, parecia apenas uma tampa de bueiro.

Mas ela ficava escondida em um canto isolado sob uma antiga fileira de prédios transformada em um luxuoso cassino.

Poucos visitantes sabiam de sua existência.

E os que sabiam não lhe davam atenção.

Ao abrir a tampa, revelava-se uma longa escadaria que levava a uma passagem subterrânea.

Era conhecido entre os funcionários que, sempre que uma batida policial acontecia, os donos do cassino — que possuíam contatos dentro da polícia — eram avisados antecipadamente.

Então os jogadores eram escondidos naquele túnel subterrâneo, deixando apenas um bode expiatório contratado para assumir a culpa.

Por isso ninguém prestava atenção à passagem.

Mas Niran a considerava o lugar perfeito para realizar o Ritual de Selamento do Yao.

Além de silenciosa e escondida, a passagem se estendia até o centro do edifício, facilitando a instalação da barreira protetora necessária para o ritual.

Para eliminar ou selar um Yao poderoso, era necessário primeiro enfraquecê-lo.

No caso do amuleto Yao do magnata, Niran havia transferido a criatura para um local cujo Feng Shui destruía diretamente seu poder.

Mas com um Yao preso a um lugar específico, ele precisava recorrer à intimidação.

Como aquele Yao possuía o poder de distorcer o destino em jogos de azar, bastava neutralizar sua habilidade uma única vez.

Seria como destruir a confiança de uma pessoa.

Ele enfraqueceria temporariamente.

Somente então poderia ser selado.

Seria muito mais fácil se Niran pudesse apostar contra o Yao pessoalmente.

Mas havia um problema.

Niran odiava apostas com todas as forças.

Ele havia jurado nunca mais jogar.

Quebrar essa promessa enfraqueceria seriamente seus poderes.

Por isso precisava que outra pessoa o substituísse.

Por sorte, conheceu Pete.

Por azar, Pete era o jogador mais azarado que Niran já tinha visto na vida.

Após o início do ritual — que começou com o desafio lançado ao Yao — Niran continuava profundamente irritado com a decisão de Pete de apostar tudo usando uma mão tão fraca.

Mas não tinha escolha.

Só podia seguir em frente e torcer para que o destino concedesse a Pete a capacidade de derrotar o Yao.

Niran desceu até a passagem subterrânea.

Todos os elementos necessários para o ritual já estavam preparados.

Velas e imagens sagradas haviam sido acesas para invocar o poder celestial e abrir o destino de Pete.

As roupas utilizadas por Pete no ritual estavam guardadas em uma bolsa.

Sentado de pernas cruzadas no centro do edifício, Niran começou a bater ritmicamente no mokugyo enquanto recitava o encantamento:

“Que poder é impiedoso?”

“Não é o céu nem a terra.”

“Que poder é o destino imposto?”

“É aquele que se opõe ao céu e à terra.”

“Que poder está acima do karma?”

“Não é o céu nem a terra.”

“Que poder é injusto?”

“É aquele que se opõe ao céu e à terra.”

“O céu e a terra são justos.”

“O poder maligno será eliminado pelo céu e pela terra!”

Um lamento estrondoso explodiu pelo ambiente.

Ao mesmo tempo, uma rajada de vento atravessou o local.

O poder do Yao havia despertado completamente.


Aquela onda aterrorizante de energia vermelha parecia muito mais feroz do que qualquer coisa que Pete já tivesse visto.

Provavelmente era resultado do desafio.

Da rebelião.

Parecia desejar sua alma com intensidade desesperada.

Da mesma forma, Hia Tong, aparentemente sob sua influência, aguardava o momento certo para colher os frutos daquela aposta.

Todos os outros jogadores já haviam desistido.

Restavam apenas Pete e Hia Tong.

Pete jogou suas cartas sobre a mesa antes mesmo que as três primeiras cartas comunitárias fossem reveladas.

Desafiando Hia Tong.

Hia Tong fez o mesmo.

Suas cartas eram:

K♠ e K♥.

As cartas de Pete eram simplesmente:

3♠ e 5♠.

Ele estava absurdamente atrás.

Mas, estranhamente, tinha certeza de que venceria.

Nem ele sabia de onde vinha tanta confiança.

As três primeiras cartas do flop foram reveladas:

K♦, K♣ e A♠.

Praticamente o fim das chances de Pete.

Hia Tong quase soltou fogos de artifício para comemorar a vitória.

Enquanto isso, o Yao gritava como um animal faminto prestes a devorar sua alma.

Mesmo assim, Pete continuou confiante.

Especialmente quando a quarta carta, o turn, foi revelada:

4♠.

Aquilo significava que ainda havia uma possibilidade.

Uma única possibilidade.

O rosto de Hia Tong empalideceu.

O Yao também pareceu inquieto.

Mas Pete apenas sorriu.

Tinha certeza de que a última carta seria exatamente a que precisava.

Então veio o river.

2♠.

Finalmente.

A carta que Pete tanto desejava.

O dois de espadas.

Pete completou uma sequência de cor (straight flush) e derrotou Hia Tong de forma épica.

Pela primeira vez em sua vida, Pete saltou da cadeira em pura euforia.

“EU VENCI!!!”

Hia Tong ficou furioso, acreditando que Pete estava gritando apenas para provocá-lo.

Mas, na verdade, a pessoa que Pete queria provocar era o próprio Yao.

A esfera de energia vermelha soltou um grito estridente e começou a girar de forma descontrolada, como uma fera torturada.

Então ela deslizou para baixo da mesa e fugiu.

Mas Pete já não se importava com aquilo.

O resto estava nas mãos de Niran.

Agora, tudo o que lhe interessava eram as fichas e o milhão em dinheiro que haviam se tornado seus.

Ele as recolhia alegremente, sem perceber que o guarda-costas de Hia Tong já estava atrás dele.

Num instante, foi violentamente pressionado contra a mesa.

“Você trapaceou, não foi, seu desgraçado?”, rosnou Hia Tong enquanto se levantava e agarrava Pete pelos cabelos.

Pete ergueu os olhos e viu que os olhos de Hia Tong estavam injetados de sangue.

A expressão era assustadoramente parecida com a de Top quando havia sido possuído pelo Yao.

“Que porra é essa, Hia?”

“Eu tinha quatro reis! Como eu poderia perder para você?”

“Por que você não acende um incenso e pergunta pro céu e pra terra, seu filho da puta?!”

Pete começou a disparar xingamentos.

Com a outra mão, a única que ainda conseguia mover, agarrou o sino que estava sobre a mesa e o acertou com toda a força na cabeça de Hia Tong.

O sino ecoou alto pelo salão.

Aproveitando o momento, Pete acertou uma cotovelada e um chute em um dos capangas de Hia Tong, fazendo o homem cambalear.

Enquanto isso, Hia Tong pegou uma cadeira para arremessá-la contra ele.

Pete saltou, apoiou as mãos sobre a mesa e desferiu um chute que o fez cair para trás novamente.

Um dos capangas agarrou Pete pelo ombro, virou-o bruscamente e acertou um soco em seu rosto.

Pete revidou imediatamente com a mão que ainda segurava o sino.

Em seguida, bateu a cabeça do homem contra a mesa.

Depois lançou o sino contra outro capanga que vinha correndo em sua direção.

Hia Tong e seus homens acabaram sendo completamente derrotados por Pete.

Ainda furioso, Pete pegou um grande cesto e começou a encher com todas as fichas.

“Vocês não conseguem simplesmente me deixar ganhar uma vez? Eu tenho que lutar por tudo! Tenho que passar por dificuldades o tempo inteiro, entenderam?! Droga!”

Depois de colocar sua maleta dentro do cesto, Pete se virou para sair.

Foi justamente nesse momento que o segurança do cassino — o homem que deveria estar guardando a entrada — apareceu.

“O que diabos você estava fazendo esse tempo todo, irmão?”

Pete passou pelos seguranças sem sequer diminuir o passo.

Saiu do cassino ainda irritado, mas com a sensação de ter cumprido sua parte.

O resto ficaria por conta de Niran.


A imensa esfera de energia, enfraquecida após perder a aposta, desceu flutuando até o porão onde Niran realizava o ritual.

Diante dele estava uma placa gravada com um talismã.

Seu objetivo era selar a energia do Yao dentro dela.

“Por decreto do céu e da terra, que a justiça se manifeste e que a injustiça desapareça.”

Niran bateu no mokugyo enquanto recitava os encantamentos, tentando persuadir o Yao a entrar no talismã.

Mas o Yao resistiu.

Lutou ferozmente.

E, enquanto lutava, drenava a energia espiritual de Niran.

Embora tivesse enfraquecido bastante depois de perder a aposta, seu poder ainda era imenso.

Niran precisou reunir toda a sua força de vontade para completar o selamento.

“Por decreto do céu e da terra, que a justiça se manifeste e que a injustiça desapareça!!”

Desta vez, ele gritou.

Sua determinação se misturou ao poder espiritual e à conexão que possuía com o céu e a terra.

Mas, naquele instante, o Yao utilizou seu último recurso.

Seu golpe final.

A criatura berrou diretamente dentro da consciência de Niran:

“QUEM É VOCÊ?!”

E aquela voz era como um feitiço.

No mesmo instante, Niran sentiu suas forças vacilarem.

Porque, na verdade…

Quem ele era?

Afinal, quem era Niran?

CAPÍTULO 6
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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO

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Pete é um jovem azarado que carrega consigo um fragmento de uma alma demoníaca e possui a capacidade de sentir Yao:...

Chapters

  • CAPÍTULO 8
  • CAPÍTULO 7
  • CAPÍTULO 6
  • CAPÍTULO 5
  • CAPÍTULO 4
  • CAPÍTULO 3
  • CAPÍTULO 2
  • CAPÍTULO 1
 

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