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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO

CAPÍTULO 5

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Pete estacionou sua motocicleta em frente a uma grande casa. Havia uma placa de “À venda” na porta, mas ele mesmo assim abriu a corrente e entrou com a moto.

Sempre que alguém pergunta, Pete diz que aquela é a sua casa. É difícil acreditar que uma casa tão grande, em uma localização privilegiada no centro de Bangkok, possa pertencer a alguém como Pete — que trabalha duro para sobreviver e ainda é um jogador compulsivo. Mas ele nasceu e cresceu naquela casa.

O pai de Pete era tenente-coronel da polícia, enquanto sua mãe era contadora. Por isso, pode-se dizer que ele nasceu em uma família de classe média que tinha praticamente tudo. Pete nunca passou necessidades na infância e tinha talento natural para esportes, o que o levou a se tornar judoca e conquistar diversas medalhas de ouro em categorias juvenis. No entanto, tudo mudou quando seus pais morreram em um acidente de avião, quatro anos atrás, quando Pete tinha apenas 17 anos.

A morte dos pais mudou completamente a vida de Pete.

Ser adotado por parentes talvez não seja algo difícil para outras crianças, mas para ele se tornou uma situação extremamente complicada, especialmente na adolescência. Pete passou essa fase tentando entender por que seus pais haviam morrido tão cedo, e expressou essa incompreensão se rebelando contra tudo: contra seus parentes adotivos, contra seu treinador, contra seus professores e contra todo tipo de regra — fossem as da família, da associação, da escola ou até as leis do país.

Pete acabou sendo expulso da associação de judô da qual fazia parte, truncando seu futuro promissor como atleta. Em seguida, foi expulso do instituto, o que o impediu de concluir os estudos. Embora tenha conseguido obter um certificado de equivalência, sua carreira acadêmica terminou ali, pois ele estava cansado demais para continuar com a universidade.

Ao atingir a vida adulta, Pete tentou encontrar um emprego compatível com sua formação e saiu da casa dos parentes para a sua própria. Ele esperava que isso lhe trouxesse algum apoio emocional, garantindo que, não importa o quão mal estivesse sua vida, ainda lhe restava a grande casa — a última herança deixada por seus pais. No entanto, logo descobriu uma verdade dolorosa: seu pai havia hipotecado a casa ao tio anos antes, o que legalmente significava que ela não era mais sua propriedade.

Inicialmente, o tio não se opôs ao retorno de Pete, mas alguns anos depois passou por dificuldades financeiras e quis vender a casa. Pete tentou se opor, mas sem sucesso. Ele não suportava a ideia de sair da casa onde nasceu e cresceu, mesmo que talvez não pudesse mantê-la.

Felizmente, na situação econômica atual, comprar uma casa daquele valor não era fácil, então Pete ainda podia se enganar vivendo ali e alimentando o sonho irreal de juntar dez milhões de bahts para recuperá-la.

Essa é a principal razão pela qual ele se tornou um viciado em jogos de azar.

Por mais absurdo que pareça depositar todas as esperanças em ganhar milhões jogando pôquer, era praticamente a única saída — especialmente quando comparado à renda de um entregador: um salário que, mesmo trabalhando a vida inteira, provavelmente nem daria para comprar uma porta da casa.

Além disso, depois do que aconteceu dois dias atrás, quando sua irmã Ploy ligou dizendo para ele se mudar porque o tio havia colocado a casa à venda com uma imobiliária, Pete se sentiu completamente encurralado. Ele apostou todo o dinheiro que havia ganhado no cassino, mas perdeu tudo e ficou sem um centavo.

No entanto, ele estava menos preocupado em encontrar uma forma de recuperar a casa do que com o estranho evento que havia acabado de acontecer com ele — incluindo a explicação dada pelo jovem estranho que conheceu apenas dois dias antes, após ele fazer uma pergunta depois de completar aquela tarefa desconcertante.

“Então… por que eu consigo ver isso…? Quer dizer, Yao… por que eu consigo ver isso…?”

“Porque você é um deles.”

“O quê?!”

A resposta do outro não era nada do que Pete esperava.

“Ei, aquela tatuagem atrás da sua orelha… você não fez isso, não é? Alguém fez isso em você.”

Pete ficou atônito e surpreso por o outro conseguir descrever a origem da tatuagem com tanta precisão. Por isso ele não gostava de falar sobre ela — não tinha sido escolha sua. Na verdade, ele a tinha desde que conseguia se lembrar.

Ele já havia perguntado várias vezes aos pais como aquilo surgiu, quando tinham tatuado aquela letra idiota atrás da sua orelha, mas eles sempre evitavam responder, dizendo apenas que um dia, quando ele fosse mais velho, lhe contariam.

E, no fim, nunca puderam contar.

No final, ele acabou obtendo a informação por Niran.

“É um talismã para suprimir o Yao. Significa que um Yao reside dentro de você, por isso você precisa do talismã. Mas o problema é que ele não pode suprimi-lo para sempre. Você vai fazer 24 anos este ano, certo? São dois ciclos do zodíaco chinês. Seu destino está em um ponto crítico. É possível que o Yao dentro de você tenha se tornado mais forte… por isso você consegue ver outros como você.”

Naquela noite, Pete se revirou na cama por horas, consumindo os próprios pensamentos, incapaz de entender como o Yao havia entrado em seu corpo, quem havia lançado aquele feitiço sobre ele, ou se aquele cara estava apenas pregando uma peça.

Mas por que faria algo assim? E se o Yao dentro dele realmente estivesse ficando mais forte… o que seria da sua vida?

Apesar dos pensamentos confusos e caóticos, o cansaço finalmente o levou ao sono.

Então Pete sonhou…

Ele sonhou que estava sentado no meio de um corredor, diante de um homem vestido de preto com o rosto coberto por uma máscara, sentado em silêncio com as pernas cruzadas, cercado por um grupo de pessoas realizando algum tipo de ritual. Seus pais também apareceram no sonho — pareciam muito mais jovens do que Pete lembrava.

O sonho era estranho e silencioso.

Ele viu o homem de preto se aproximar com uma xícara de chá, tocar o líquido com o dedo e salpicá-lo sobre sua testa enquanto murmurava algo parecido com um feitiço, mas Pete não conseguia ouvir nada.

De repente, Pete sentiu uma dor aguda atrás da orelha, como se mil agulhas o perfurassem repetidamente. Era doloroso e aterrorizante.

Ele tentou pedir ajuda aos pais. O sonho então voltou a ter som, e a primeira coisa que ouviu foi sua própria tentativa de chamá-los — mas o que saiu foi apenas o choro incompreensível de um bebê.

E foi nesse momento que Pete acordou, assustado.

Um sonho tão real… como uma imagem arrancada das gavetas da sua memória.


No meio da manhã, Niran ligou para marcar um encontro com Pete em um santuário na região de Yaowarat. Pete foi imediatamente até o local de motocicleta, decidido a falar sobre suas preocupações.

Ao encontrá-lo, Pete foi direto ao ponto:

“Então… o que eu devo fazer?”

Mas Niran franziu a testa, como se não tivesse planejado que a conversa começasse por ali.

“O que foi? Você está preocupado com alguma coisa?”

“Com o Yao dentro do meu corpo. O que eu tenho que fazer?”

Niran deu uma risadinha e deu de ombros, falando com naturalidade:

“Não sei. O que você deveria fazer?”

“Você não consegue resolver isso? Tirar ele… ou fazer desaparecer?”

“Consigo, sim. Mas isso também significaria destruir o recipiente dele… que é o seu corpo. E ainda não sei que tipo de Yao é esse, nem por que ele foi colocado em você. Sem informação, não dá pra fazer nada.”

Pete ficou sem palavras, completamente perdido.

Então Niran tentou consolá-lo num tom brincalhão:

“Vamos lá, pense como se tivesse sido diagnosticado com um tumor. Se ainda não virou câncer, significa que você ainda pode respirar e continuar vivendo.”

“Seu filho da… você é uma pessoa horrível.”

Mesmo estressado e com vontade de xingar, Pete acabou rindo do comportamento irritante dele. Para ser sincero, era raro encontrar alguém que o fizesse sorrir num dia tão horrível.

Nesse momento, Niran mudou de assunto e entregou a ele um pacote com trinta mil bahts.

“Seu pagamento.”

“Só por dirigir por alguns dias eu recebo isso?!” Pete pegou o dinheiro, confuso.

“Não. Você fez mais do que isso. Você… ajudou a subjugar o Yao.”

“Bom, isso é verdade. E quanto aquela família te pagou? Se eu tiver que chutar, foi pelo menos um milhão, certo? Você disse que eu ajudei com o Yao, então eu deveria receber mais, não?”

“Você só pensa em dinheiro, né? Você se acha importante demais. A verdade é que, mesmo sem você, eu conseguiria lidar com o Yao sozinho. A única razão de eu ter te trazido foi pra ver se, além de enxergar Yao, você também era útil pra tarefas maiores.”

Pete ficou atento imediatamente.

Niran continuou:

“Eu preciso lidar com aquele Yao do cassino. E dessa vez… eu realmente preciso da sua ajuda.”

Apesar do estresse de ter um Yao dentro de si, assim que viu o dinheiro na frente dele, a mente de Pete rapidamente mudou de direção.

Talvez ele realmente pudesse encontrar uma forma de juntar dinheiro suficiente para recuperar sua casa sem precisar voltar a apostar no pôquer.

“Isso quer dizer que… o pagamento vai ser mais justo, né?”

“Um milhão… isso é justo?”

Pete parou por um instante para pensar. Na verdade, ele nem estava realmente pensando — só fingia pensar para parecer mais importante. Se fosse sincero, ele quase queria gritar, mas esperou meio minuto antes de estender a mão e aceitar o pagamento.

Fechado.

Niran estendeu a mão para apertar a de Pete, e a relação entre os dois jovens começou exatamente naquele momento.

CAPÍTULO 5
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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO

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Pete é um jovem azarado que carrega consigo um fragmento de uma alma demoníaca e possui a capacidade de sentir Yao:...

Chapters

  • CAPÍTULO 5
  • CAPÍTULO 4
  • CAPÍTULO 3
  • CAPÍTULO 2
  • CAPÍTULO 1
 

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