CAPÍTULO 4
Seguindo o decreto da velha senhora — a pessoa mais influente da família — Niran e Pete retornaram à mansão do rico magnata para destruir a abóbora.
Niran segurava a abóbora nos braços, sentado no banco de trás do carro, enquanto Pete dirigia, seguindo suas instruções pela estrada de terra que levava ao interior da floresta na base da montanha.
Não existe fórmula fixa ou método garantido para derrotar um Yao; tudo depende da situação e de diversos fatores externos. Embora Niran já tivesse enfrentado esse tipo de energia maligna inúmeras vezes, não havia garantia de que desta vez seria fácil.
“Se isso tem energia maligna dentro… segurar assim não te faz mal?” perguntou Pete, olhando pelo retrovisor para a figura alta segurando a abóbora.
“Eu tenho proteção espiritual. Você, por outro lado, por estar tão perto deles, poderia ver sua sorte e sua expectativa de vida sendo drenadas.”
O rosto de Pete escureceu imediatamente, mas Niran continuou provocando:
“Mas não importa. Você já tem azar mesmo… vivendo assim, provavelmente nem dura muito.”
“Eu vou jogar esse carro na curva!” respondeu Pete, irritado, sem esperar tanta provocação.
“Vira à direita aqui.”
Nesse momento, Niran avistou um local ideal. Havia um grande lago paralelo a uma fileira de pinheiros. Esse amuleto de Yao era feito de terra — portanto, enfraqueceria mais facilmente se fosse cercado pelos elementos água e madeira.
Pete estacionou onde Niran indicou.
Niran saiu imediatamente do carro e deu instruções rápidas:
“Descarregue as coisas do porta-malas.”
Pete abriu o porta-malas e encontrou uma mesa dobrável, junto com objetos ritualísticos: um peixe de madeira, cestas com papéis, velas, incenso, um recipiente, um sino e um martelo. Sem entender, ele tirou tudo.
Niran colocou a abóbora sobre uma pedra próxima ao lago e montou a mesa ao lado. Sobre ela, organizou o incensário, velas, sino e o peixe de madeira. Acendeu as velas e o incenso, e começou a entoar um cântico baixo — sua melodia sendo levada pela brisa suave.
Pete observava em silêncio, sem entender completamente o que acontecia, mas conseguia perceber a concentração e determinação inabalável da figura alta — completamente diferente de sua personalidade habitual.
Niran permaneceu imóvel por um momento, concentrado. Lentamente abriu os olhos, observando a fumaça do incenso subir no ar.
Os Wu não possuíam poder próprio — esse era um fato que poucos realmente compreendiam. Eles apenas se conectavam ao imenso poder da natureza, do céu e da terra, e o “emprestavam”, devolvendo-o ao final da tarefa.
E agora Niran se conectava a esse poder, invocando-o para dentro de si, concentrando sua intenção e emitindo uma voz profunda em chinês antigo, com um sotaque diferente de tudo que Pete já tinha ouvido.
“Céu alto, humanidade baixa. Terra firme, humanidade fraca. Apenas a natureza sustenta a vida.”
“Por favor, conceda-me o poder para cumprir a ordem.”
Após sua invocação, Niran colocou os incensos no queimador, deixando a fumaça levar sua intenção ao céu e à terra. Então pegou o sino, virou-se para a abóbora e começou a tocá-lo ritmicamente, entoando uma canção para atrair o Yao.
“Nós sentimos o vento. Isso é bondade. Nós sentimos o fogo. Isso é bondade. Nós sentimos a madeira. Isso é bondade. Nós sentimos o desejo. Isso é maldade!”
O vento se intensificou, mas Pete sentia uma energia latente nele. Enquanto isso, Niran continuava sua melodia, com o sino marcando o ritmo até alcançar uma conexão estável entre céu e terra.
Então, abriu os olhos e deu a ordem:
“Que todo mal seja revelado e se renda ao céu e à terra, como um decreto divino!”
O grito de Niran perturbou a força maligna. Uma energia azul jorrou da abóbora com fúria, liberando ondas de crueldade que aterrorizavam Pete. Ele ficou atrás de Niran, usando sua figura alta como proteção.
“Que todo o mal deste lugar… seja aniquilado… antes do céu e da terra!”
O vento cessou abruptamente, acompanhado de um grito de agonia. A energia ao redor da abóbora se condensou em uma massa esférica, que então ficou suspensa, calma e silenciosa — como se tivesse sido neutralizada.
Mas Niran sabia, no fundo, que aquilo ainda não tinha terminado.
A família levou o corpo do magnata de volta para casa, esperando que ele finalmente morresse em sua cama.
Depois que Niran e Pete retiraram a abóbora do quarto, quase uma hora se passou e o pulso do magnata cessou. Essa interrupção durou mais do que o normal — tempo suficiente para Top e a família perceberem que talvez o magnata realmente tivesse morrido.
“Vocês não vão fazer mais nada mesmo?” perguntou a tia, soluçando, como se no fundo ainda quisesse que tudo continuasse igual — para poder se enganar e acreditar que não tinha perdido o pai.
Top suspirou, resignado. Ele conhecia bem seus parentes mais velhos: seu pai, seus tios e tias. Todos se recusavam a aceitar a verdade. Não era apenas despreparo para a perda; no fundo, era medo. A realidade era que a riqueza e estabilidade da família tinham sido construídas pelo avô. Independentemente de haver magia negra envolvida ou não, se ele morresse, talvez eles não conseguissem manter tudo como antes.
Mas Top não pensava assim. Ele tinha certeza de que conseguiria assumir essas responsabilidades. Seria ele quem administraria os negócios da família e os faria crescer ainda mais. Sentia-se até sortudo por sua avó ter tomado aquela decisão e por seu pai o ter apoiado.
“Vovó já tomou sua decisão. Deixem o vovô descansar.”
Todos viram o avô partir em silêncio e tristeza, enquanto Top sentia algo estranho. De repente, teve a sensação de ouvir o avô sussurrando algo em seu ouvido em uma língua que não entendia.
Os sinais vitais do magnata permaneceram silenciosos.
“Isso… acabou…?”
A esposa e os filhos do magnata se aproximaram do corpo para a despedida final. Mas, de repente, os sinais vitais voltaram ao normal. Todos olharam em choque. Top falou lentamente, com a voz rouca:
“O que vocês estão fazendo…?”
Todos ficaram paralisados. Não era a voz de Top — era a do magnata. Quando olharam melhor, viram o corpo de Top tenso, o olhar duro e feroz, e seus olhos escurecidos com um azul opaco.
“Top… o que você disse, filho?”, perguntou o filho mais velho do magnata com a voz trêmula.
Então Top gritou:
“Eu pergunto o que diabos vocês fizeram com as minhas coisas!”
“Pai!” O filho arrogante quase desabou no chão, levantando as mãos em respeito ao neto em pânico. Seus olhos e sua voz deixavam claro: não era mais Top — era o rico Thien.
Top não esperou explicações. Ele avançou, pegou uma espingarda e saiu correndo do quarto imediatamente.
Niran permanecia diante da massa de energia imóvel, aparentemente subjugada. Embora seu poder tivesse sido quase totalmente dissipado pelas forças celestiais que havia invocado, ele sabia que aquilo não havia desaparecido por completo — ainda podia estar à espreita, esperando o momento certo.
“Acabou?”
“Tem ainda uma última etapa… precisamos destruir essa abóbora.”
Niran pegou o martelo da mesa e se aproximou da abóbora, onde a energia silenciosa flutuava, emitindo um leve som de “shhh”. Ao se aproximar, o Yao rapidamente se recolheu para dentro dela.
Niran ergueu o martelo, pronto para destruí-la.
Mas o som dos pneus interrompeu tudo.
Ele parou, o martelo suspenso no ar.
Top chegou, descendo do carro e disparando a espingarda para o alto.
“Me devolvam minhas coisas!”
A voz era a mesma do magnata Thien.
Pete olhou para Niran, sem saber o que fazer.
Outro carro chegou. Os dois filhos do magnata desceram rapidamente, tensos.
Top avançou com a arma. Pete se colocou automaticamente na frente.
“Eu mandei devolver minhas coisas!” gritou Top, apontando a espingarda para o peito de Pete.
“O que estão esperando?! Não ouviram as ordens?!” gritou o filho arrogante.
“Isso não é o magnata.” Niran analisou. “É o Yao… substituindo ele.”
“Então morram, seus bastardos!”
Top avançou para atirar.
Pete ficou firme.
Niran tentou intervir:
“Tá, tá, tá… eu devolvo, mas não mate meu amigo!”
Ele largou o martelo no chão.
Pete aproveitou o momento, avançou, tomou a arma com agilidade e disparou para cima. Em seguida, entrou em luta corporal com Top. Desferiu uma cotovelada no rosto dele, depois um soco no nariz, derrubando-o no chão.
Os filhos do magnata correram para protegê-lo.
“Não… não machuquem ele!”
Pete então apontou a arma para Niran.
“Sai!”
Niran desviou.
E, no instante seguinte, quando Top tentou reagir novamente, Pete puxou o gatilho.
A bala atingiu a abóbora.
Nesse momento, os olhos de Top voltaram ao preto original antes de ele desabar no chão, completamente exausto.
Niran olhou para os pedaços da abóbora quebrada e suspirou aliviado, embora ainda sentisse certa inquietação. Enquanto isso, Pete se aproximou, estendeu a mão e ajudou Niran a se levantar.
“Você disse que era pra destruir isso, não disse?” disse Pete com naturalidade, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
“Não acredito que um jogador compulsivo como você luta tão bem.”
“Eu sou judoca,” respondeu Pete, dando de ombros.
Niran não ficou surpreso. Desde o início, já havia percebido que Pete era muito mais do que aparentava ser um simples jogador compulsivo.
“O magnata provavelmente já está em um lugar melhor agora, não é?”
“Sim. Tudo já retornou ao céu e à terra.”
Enquanto isso, Pete e Niran observaram uma onda de energia que emanava lentamente dos restos da abóbora, diminuindo gradualmente até se dissipar no ar.
Ao mesmo tempo, a força vital do magnata cessou para sempre. Seu poder de desafiar o céu e a terra havia desaparecido.
É verdade que ainda podem existir muitos outros como o magnata Thien neste mundo, tentando desafiar o destino — alguns pela ambição, outros pela magia negra — mas, no fim, nenhum poder neste mundo é maior do que o poder da natureza e do céu.
Mais cedo ou mais tarde, todos devem retornar ao caminho do céu e da terra. É um destino do qual ninguém pode escapar ou evitar.
Isso é algo que a escola Chu Ming ensina a cada membro da comunidade Wu. Niran também foi ensinado assim.
Mas, para ser honesto… ele acredita em algumas coisas e em outras não.
CAPÍTULO 4
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WU: UM DESTINO NÃO REVELADO
Pete é um jovem azarado que carrega consigo um fragmento de uma alma demoníaca e possui a capacidade de sentir Yao:...