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A tarde de Sexta que mudou a minha vida

capítulo 26

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Droga! Eu esqueci que tinha ligado meu telefone… Olhei para o Timy e ele continuou com o corpo encostado na parede. Sua respiração estava ofegante, seus olhos permaneciam fixos em mim.

 

Merda! O que foi que eu fiz?! Eu perdi totalmente o controle, deixei meus desejos me dominarem… Mas, puta merda, essa foi a melhor sensação da minha vida! Eu não queria sair nunca dos braços dele.

 

 

 

 

Peguei meu celular com a mão ainda trêmula. Minha respiração estava pesada; tentei respirar fundo, mas a minha voz saiu abafada.

 

Era uma chamada da minha mãe.

 

 

 

 

— Alô… Oi, mãe! Tá tudo bem?

 

 

 

 

— Oi, Wil! Que bom que você atendeu. Sim, meu querido, tá tudo bem. Eu queria que você me fizesse um favor: vai no armário lateral da cozinha e confere quantas formas quadradas eu ainda tenho!

 

Sem precisar ir até lá, respondi de memória:

 

 

 

 

— Tem sete!

 

 

 

 

— Sete? Tá bom! Eu esqueci de anotar, muito obrigada, meu querido. Vou trazer um xaropinho para você na volta, sua voz parece rouca.

 

 

 

 

— Obrigado, mãe. Qualquer coisa a senhora liga, tá?

 

 

 

 

— Tá bom, meu filho! Até mais tarde.

 

 

 

 

— Até!

 

 

 

 

Timy me encarava sem dizer uma palavra.

 

 

 

 

— Você quer um copo de água? — eu disse, tentando lidar com a situação.

 

 

 

 

— Não. Eu quero entender o que acabou de acontecer aqui!

 

 

 

 

— Eu sei… Eu sei, me desculpa! Eu perdi o controle, deixei minhas vontades falarem mais alto. Me desculpa se eu te assustei!

 

 

 

 

— Wil, por que você não me disse isso antes? Por que escondeu todo esse tempo? Eu te julguei inúmeras vezes sem razão!

 

 

 

 

— Me desculpa, mas eu não podia te dizer nada. Eu não queria sentir isso, mas foi mais forte do que eu e não consegui fugir mais.

 

 

 

 

— Mas por que você tá fugindo? Não tem nada de errado com você! De quem você gosta ou deixa de gostar, Wil… Isso não é errado!

 

 

 

 

— Eu sei, mas eu agi por impulso. Eu não devia ter te beijado daquele jeito, eu ultrapassei o limite…

 

 

 

 

— Você se arrepende?

 

 

 

 

— Jamais! Foi a melhor coisa da minha vida.

 

 

 

 

— Então por que você está assim, tão pilhado?

 

 

 

 

— Porque eu não posso ser tão aberto sobre quem eu sou. Eu não posso ser como você, Timy. Para mim as coisas são diferentes!

 

 

 

 

— Qual é a diferença entre mim e você? Por que você não pode assumir quem é?

 

 

 

 

— Eu não posso decepcionar a minha mãe, Timy! Não posso fazer ela passar por isso!

 

 

 

 

— Por que ela se decepcionaria só porque você escolheu amar um homem e não uma mulher?

 

 

 

 

— Não é isso! É mais complicado, você não entenderia… Isso é uma ferida aberta para ela, e eu não posso fazer ela sangrar de novo. Por favor, me desculpa de verdade.

 

 

 

 

— Wil, eu realmente não consigo te entender. Mas quer saber? Tô cansado das suas confusões e indecisões. Eu não quero mais pensar nisso. Mas, por favor, só me procure quando estiver realmente disposto a me explicar e a respeitar meus sentimentos. Eu não sou um objeto, eu tenho emoções! E eu só retribuí o seu beijo porque eu gosto de você… Espero que entenda isso!

 

 

 

 

Timy saiu sem olhar para trás, sem dizer mais nada, apenas me deixando afundado na minha própria confusão.

 

Meu peito doía. Eu não queria fazer ele se sentir assim. Aquela situação estava me despedaçando por dentro cada vez mais, e agora o meu pequeno momento de alegria escorria pelas minhas mãos.

 

Meu telefone tocou novamente. Dessa vez era a Bia me ligando.

 

 

 

 

— Oi, Bia! Tá tudo bem?

 

 

 

 

— Tá tudo bem, sim! Que voz é essa?

 

 

 

 

— Não é nada… Você conseguiu conversar com a Yasmin?

 

 

 

 

— É sobre isso que eu queria falar com você. Você pode vir na minha casa agora?

 

 

 

 

— Claro! Já tô a caminho.

 

 

 

 

Corri o mais rápido que pude em direção à casa da Bia. Não podia deixar meus problemas afetarem ela; eu tinha que dar um jeito de consertar as coisas.

 

 

 

 

— Bia!

 

 

 

 

— Oi, Wil, entra!

 

 

 

 

Passei pela porta da sala e a Yasmin me encarava sem dizer uma palavra. Parecia analisar cada movimento meu, julgar cada passo.

 

 

 

 

— Wil… eu contei tudo para ela.

 

 

 

 

— Você contou tudo?

 

 

 

 

— Sim! Até sobre o Timy.

 

 

 

 

Abaixei a cabeça por um breve segundo; ouvir o nome dele ainda me causava um certo remorso.

 

 

 

 

— Você realmente gosta de garotos? — Yasmin perguntou.

 

 

 

 

— Sim, eu gosto de garotos… Mas eu não queria. Eu não queria ter que lidar com isso, mas as coisas foram ficando piores quando o Timy apareceu. Me desculpa… Eu perdi o controle da situação e isso afetou vocês. Mas nunca foi minha intenção! É que a Bia era a única que me entendia, e eu acabei magoando todo mundo ao meu redor.

 

 

 

 

Meus olhos começaram a se encher de água e minha voz foi ficando melancólica. O choro parecia entalado na garganta e doía… doía muito.

 

Yasmin foi mudando sua expressão — antes brava e desconfiada —, passando para um olhar melancólico e preocupado.

 

 

 

 

— Calma, Wil… Não precisa chorar. Aconteceu alguma coisa? — Bia me perguntou. Ela sabia que havia algo de muito errado comigo.

 

 

 

 

— Eu contei para ele, Bia! Eu contei tudo para ele…

 

 

 

 

As palavras saíam e as lágrimas caíam junto. Eu já não conseguia segurar aquele choro que vinha me torturando.

 

 

 

 

— Você contou para ele que gosta dele?! Quando foi isso?

 

 

 

 

— Um pouco antes de eu vir para cá… Bia, eu não consegui me controlar! Ele estava ali na minha frente, nós estávamos discutindo, eu repetia que era tudo culpa dele, que eu não conseguia controlar o que sentia… Eu não consegui me segurar. A adrenalina tomou conta de mim e eu acabei beijando ele!

 

 

 

 

— VOCÊ FEZ O QUÊ?! — disseram juntas,

 

 surpresas.

 

 

 

 

— Merda, eu não consegui me segurar! E depois eu agi como um babaca, deixei ele confuso, falei que não podia ser igual a ele, que não podia ser aberto com os meus sentimentos… E, droga, eu magoei ele de novo! Eu já tô cansado disso… Já tô exausto de magoar as pessoas ao meu redor. Eu só queria proteger todo mundo, mas eu só trago dor, Bia… Eu só trago dor!

 

Yasmin me deu um abraço apertado.

 

 

 

 

— Wil, respira, por favor! Se acalma… Eu entendo o que você está passando e sei que você sente que está magoando as pessoas, mas você está se torturando. Precisa parar de fazer isso se quer que as pessoas que te amam fiquem bem.

 

 

 

 

Eu só conseguia chorar. Parecia uma criança que tinha acabado de levar um tombo; meu choro vinha acompanhado de soluços e eu não conseguia mais parar.

 

Nunca tinha me sentido tão próximo da Yasmin. Sentir finalmente o carinho e a compreensão dela, apesar desse caos todo, me fazia muito bem.

capítulo 26
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A tarde de Sexta que mudou a minha vida

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  • Sipnose:

Conta a história de Wil um garoto tímido, sempre rodeado de amigos, que de repente vê sua vida virada de cabeça para baixo...

Chapters

  • capítulo 28
  • capítulo 27
  • capítulo 26
  • capítulo 25
  • capítulo 24
  • capítulo 23
  • capítulo 22
  • capítulo 21
  • capítulo 20
  • capítulo 19
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