Capítulo 03
Após dois dias sem comer ou beber, um homem alto e imponente — que mais parecia um gorila de terno — me empurrou até uma sala grande e luxuosamente decorada.
Ao entrar, vi nobres esnobes vestidos com roupas exageradas, como se cada centímetro de tecido fosse um insulto à praticidade. Risadas ecoavam pelas paredes ornamentadas, e o burburinho indicava que era hora do chá — um evento grandioso na mansão, onde o drama era tão importante quanto o bule de porcelana.
De longe, avistei Beatrice. Ela estava deslumbrante em seu vestido de gala, enquanto eu parecia ter saído de um episódio de “Sobrevivendo com o que ssobrou. Nossos olhos se encontraram, e seu sorriso dizia claramente: “Prepare-se para a diversão”. Beatrice sempre teve um gosto peculiar para “brincadeiras”, e eu era o alvo favorito.
Fui obrigado a sentar em uma mesa grande, ela parecia a única bem ornamentada naquela sala luxuosa. O acento foi demarcado de propósito para mim, isso era óbvio.
O homem gorila sumiu assim que Beatrice chegou. Além de mim, havia um homem com o rosto cheio de rugas que pareciam mapas de batalhas antigas na mesa.
— Você veio. — disse Beatrice com falsa surpresa, como se eu tivesse outra opção. — Hoje, você será o rei desta sala. Todos aqui são seus servos! — Suas palavras foram altas e me surpreendeu enquanto ela serviu o chá numa xícara tão chique que parecia que o simples ato de segurá-la já exigia etiqueta avançada.
Os convidados olharam uns para os outros, inseguros sobre qual postura adotar. Todos ali estavam claramente presos pela opressão e pelo medo, que quase podiam ser cortados com uma faca.
Os músicos que tocaram no jantar estavam lá, obrigados a permanecer, com olhares surpresos. Os olhos de Beatrice brilhavam com uma insanidade divertida. Ela claramente adorava aquele jogo.
— Está zombando? — a encarei seriamente. Ela disse que não, de uma forma que não deixou margens para dúvida. — Se é assim… Deem-me um frasco de veneno.
Surpreendida, ela pediu a um dos seus servos e minutos depois um criado apareceu com um frasco de veneno e um antídoto. Ele estendeu a mão, mas parou no meio do caminho, tremendo.
— Vamos, entregue-o. — Beatrice ordenou e assim o criado me deu.
Pus o veneno em duas xícaras, um pouco em cada. E o antídoto, mantive em minhas mãos. Ele era o ingresso para a humilhação de Beatrice.
— Beba, você e… — meu dedo indicadou foi do homem sentado na minha frente até que… parou. — Você, Beatrice. — Exclamações foram ouvidas por todo lado.
—O quê? Está louco? — Beatrice protestou por um tempo e foi obrigada se calar quando me pronunciei.
— Eu mando aqui, não esqueça. Beba isso logo, megera. — pus minha pele em risco, mas pouco me importava. Ainda ia amanhecer vivo graças ao seu egoísmo e obsessão.
Ela puxou a xicara, quase derramando tudo.
— Me dê!
O homem ia recursar, mas olhou para mim e perdeu toda a coragem. Tremendo, ele bebeu. Não ia arredar para ninguém. Pela primeira vez, estava assustador demais para desafiar. Ele tomou a xícara num gole só. Beatrice também bebeu.
Parabenizei eles. Por um momento, fiquei feliz quando o homem que bebeu o chá começou a vomitar, afrouxando a gravata desesperadamente.
Todos pareciam divertidos — menos o homem que vomitava, ele lutou para se recompor. Minutos depois ele desmaiou.
Nesse ponto, o mal estar de Beatrice começou. Pela primeira vez, transformei o espetáculo dela em sua própria desgraça.
— Não se sente bem, irmã? — Ri, segurando o antídoto. — Agora, implore de joelhos. Quando ela se ajoelhou, sentei em suas costas. Animado com aquilo, montei nelas. Ela protestou cheia de ódio ardente. Eu ignorei. — Upa upa, cavalinho! — Brinquei divertido. — Galopa, Beatrice.
Montado nas costas de Beatrice, que se contorcia e protestava como se fosse um cavalo selvagem. Segurava minhas “rédeas” improvisadas — os cabelos dela — com um sorriso travesso no rosto.
Minha risada ecoava, misturando-se ao protesto indignado dela.
— Yeehaw! Avante, minha cadela!
Beatrice, com os olhos arregalados de indignação, tentava se desvencilhar. Continuei a simular o galope, balançando de um lado para o outro, enquanto Beatrice tentava se contorcer para me derrubar.
— Você vai se arrepender disso! — ameaçou. Com isso, despertei e parei abruptamente. Optei por trazer de volta minha sanidade e me recompor. Sai de cima dela enquanto sua dignidade ia desaparecendo pelo ralo.
Os convidados assistiam, divertidos como se estivessem em um show de comédia.
O corpo dela ficou fraco e caiu no chão. Parecia que seus membros estavam pesados.
— Irmão… — suspirou as palavras com força. Não ia morrer, pelo menos ainda não. Ela não daria esse prazer tão facilmente.
Após o que pareceram horas, dei o antídoto, que ela engoliu ansiosamente, como se fosse a última gota de água em um deserto. E então, desmaiou.
— Acorde!
Nesse exato momento, abrir os olhos. Ofegante, com o coração acelerado. Olhei ao redor, percebendo que tudo não passava de um sonho. Senti um misto de emoção, decepção e satisfação com a humilhação que Beatrice sentiu.
— A senhora Beatrice o chama. — a empregada parou ao lado da minha cama.
Pus a mão sobre os olhos, ainda sentindo a adrenalina da aventura, então levantei da cama, pronto para enfrentar a megera indomável.
Capítulo 03
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Um assalariado desperta em uma web-novel, ele terá que lutar contra os caprichos da vilã. Quem chega até o final?
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