Capítulo 09
— Senhor! Roubaram suas joias! — Com uma expressão de apreensão, uma empregada de meia-idade entrou correndo na sala do café da manhã.
Beatrice e eu paramos de comer, atraídos pela mulher em pânico. Beatrice foi a primeira a arquear as sobrancelhas e limpar seus lábios com um lenço antes de falar.
— O que quer dizer? — inquiriu. O humor dela não estava muito bom, depois do desastre na reunião de negócios.
— Senhora, fui limpar o quarto de seu irmão. E, quando cheguei ao closet, o lugar onde as joias ficavam, estava vazio! — Explicou nervosamente.
— Está insinuando que minha casa foi roubada? — Questionou, com uma expressão séria e antipática. — Talvez tenha sido você quem me roubou — acusou.
— Juro pelo meu marido que não as roubei! — A mulher entrou em pânico, os olhos lacrimejaram, e ela continuou insistindo que era inocente.
Antes que Beatrice abrisse seus lábios rosados para falar, tive que interromper.
— Espere um momento, irmã — interferi, me introduzindo no diálogo entre elas. — Não há ladrão algum, porque não houve roubo — justifiquei.
Ela ficou visivelmente curiosa, então comecei a explicar que joguei todas as minhas coisas de valor fora e que Castilho prometeu me dar joias novas, omitindo o fato de Sófia ter levado as joias. Fazia dias que Sófia tinha ido embora; apesar de honesta, ela fez conforme eu pedi e levou todas as minhas coisas de valor antes de partir. Eu sentia falta da sua companhia, mas me conformei sabendo que ela estava bem melhor do que aqui.
— Ouviu isso, empregada inútil? — Ela voltou a tomar seu café normalmente. — Guardas! — chamou. — Levem essa coisa para longe daqui! Que ela sofra por ter interrompido meu café da manhã.
A mulher gritou por piedade, suplicou, se humilhou, mas tudo foi em vão. Beatrice podia, excepcionalmente, ignorar alguém quando queria.
— Irmã, não precisa fazer isso — eu só podia interceder por ela. Mas foi inútil pedir. A mulher de coração frio fingiu que eu não existia. Assim, a empregada foi arrastada, e Beatrice terminou de tomar seu café.
— Querido —, finalmente ela falou comigo. E, me olhando, perguntou: — Tem certeza de que seu noivo vai restituir tudo o que você jogou fora? — ela parecia séria, mas havia uma centelha de escárnio no fundo dos seus olhos. — Não tinha necessidade de fazer algo assim. Você tem consciência de que também jogou joias de família fora, como se não fosse nada?
— Não se preocupe com isso, irmã — respondi. — Castilho me satisfaz em tudo, estou convencido de que algo fútil como isso não será um problema. — Voltei a comer, sem realmente sentir o sabor do que mastigava, depois de ver o sofrimento da pobre mulher. — Entretanto, talvez você não seja capaz de compreender algo simples como isso; afinal, há divergência entre um marido que te ame e casos de uma noite, como os seus.
— Não se ache tão importante simplesmente por mudar de sobrenome, irmãozinho — levantou-se, pronta para partir, mas parou e olhou para mim, estranhando o fato de não me mover dali. — Você não vem? — Eu não tinha ideia de para onde íamos, então disse que não. — Como assim, não? Hoje é a escolha do seu vestido! Temos que escolher algo que não envergonhe o nome e o prestígio da nossa família — concluiu.
Aquilo foi um tapa na minha cara! Desde quando homens usam vestidos para se casar? Não lembro de ter visto nada sobre isso na novel!
Rapidamente me recuperei. Tinha que agir com naturalidade, aqui era normal que homens se casassem de vestidos. Me senti na obrigação de ir e escolher.
Para minha surpresa, não fomos muito longe. Pensei que íamos para a cidade; entretanto, para a burguesia, era mais chique que a loja viesse até você. No salão, me vi cercado por uma variedade de vestidos brancos, exclusivamente longos, com véu e grinaldas. Os vestidos tinham bordados, rendas e até brilhos que cintilavam sob a luz.
— Você vai experimentar todos eles! E ainda vamos provar os quitutes e aprovar a decoração —, pela primeira vez, vi ela interessada. Talvez a ideia de se livrar de mim começasse a parecer boa para ela. Era difícil acreditar, mas talvez fosse isso.
Só de olhá-los, me senti cansado. Experimentar tudo aquilo ia levar muito tempo.
O primeiro vestido ficou folgado, o que era óbvio, pois eu não tinha seios para preenchê-lo. Aqui, a alegria de Beatrice ficou explícita; boa parte dos vestidos eram para mulheres, e uma pequena porcentagem era para homens.
Depois de usar todos os vestidos femininos, finalmente experimentei um mais adequado. Me olhei no espelho, segurando o véu e a grinalda, era bonito, não ficou folgado; a cauda dele era longa, com flores bordadas.
— Não, não tem pedras preciosas. Experimente isto —, ela me entregou um vestido bordado com pérolas brancas e cauda, longo o suficiente para tocar o chão.
As mangas eram de um tecido transparente, acompanhadas por pedras pequenas e claras. Não era feio.
Ele caiu muito bem no meu corpo, apesar de ser um corpo masculino. A imagem era hilária e, ao mesmo tempo, estranhamente encantadora. Talvez eu realmente tivesse um corpo feminino, como disse Beatrice.
Peguei o pequeno buquê de flores brancas, amarrado por um laço branco e brilhante. Era estranho pensar que eu ia me casar. E vestir aquilo só tornou a ideia mais real.
Então, entrei em crise! Casar, e me casar com um homem! De véu e grinalda — aquilo era uma loucura! E pensar que o noivo era um homem obsessivo e pervertido… O que eu ia fazer na lua de mel? As preocupações vieram, pensar em como seria meu futuro casamento me distraiu o suficiente para não prestar atenção e tropeçar. Com um grito, me desequilibrei e caí. Infelizmente, meu corpo foi parar em cima de Beatrice.
— Está tendo uma crise? Quer que eu chame o médico? — Beatrice se levantou rapidamente, sem realmente se importar comigo. — Veja bem, não vá desistir em cima do casamento. Agora é tarde para isso —, ela se divertiu ao dizer aquilo.
— Nada disso —, me recompus, decidido a não dar esse prazer a ela. — Estava apenas pensando na lua de mel —, sorri para ela.
Depois de escolher o vestido, fomos escolher o bolo, os doces, as decorações. A cada detalhe que ia se ajustando ao casamento, eu tremia com a ideia de aquilo tudo ser real.
O lugar da cerimônia foi escolhido: seria ao lado do lago, perto do belo jardim. Subitamente, Beatrice teve uma ideia!
— Devemos verificar se a água do lago está boa —, ela olhou ao redor, analisando suas opções. Então apontou para um homem que ajudava a montar uma grande tenda. — Venha aqui —, ele caminhou até ela. — Verifique se a água está boa!
Ele se agachou, sem entender o que realmente tinha que fazer. E, assim que se agachou perto do lago, Beatrice o empurrou com sua mão.
O homem gritou e nadou desesperadamente para sair do lago. Ela se inclinou para frente, estudando a situação.
— É, parece que está boa. Ótima para provocar um assassinato, não é, irmão? — Ela me olhou com os olhos brilhando com uma emoção estranha. Aquilo me deu asco. — Vamos torcer para que o clima continue assim, amanhã —, concluiu, com tom calmo e divertido, enquanto observava o homem sair do lago, todo encharcado, assustado e ir embora.
Capítulo 09
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A VILÃ É MINHA IRMÃ!
Um assalariado desperta em uma web-novel, ele terá que lutar contra os caprichos da vilã. Quem chega até o final?
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