Capítulo 04
No dia seguinte, Beatrice decidiu que era hora de uma nova diversão: um campo de caça.
— Você vai adorar! — exclamou ela, com um entusiasmo malicioso, enquanto segurava uma roupa espalhafatosa que parecia ter sido feita para um carnaval em Marte. O tecido brilhava tanto que até o sol ficou com inveja.
Assim que vesti aquilo, os nobres não perderam tempo em gargalhar e fazer piadas sobre como eu parecia mais uma boneca do que um caçador. Parecia uma mistura de “saí correndo de casa” com “encontrei no fundo do armário”.
No vasto campo verdejante, com árvores ao fundo e um grupo de nobres se preparando, a caçada começou. E eu, em vez de destemido caçador, era mais a caça oficial. Beatrice, radiante de felicidade, liderava a matilha de nobres esnobes enquanto eu corria pelo mato, tentando me esconder.
— Rápido! Não deixem ele escapar! Vamos caçá-lo! — gritavam os nobres.
O sol brilhava intensamente enquanto eu corria, com galhos e folhas se agarrando à minha roupa como fãs enlouquecidos. Cada passo era uma nova aventura: um pé pisava numa poça lamacenta, o outro se prendia numa raiz traiçoeira. A natureza estava claramente conspirando contra mim.
As folhas arranhavam meu rosto como se fossem fãs enlouquecidos querendo autógrafo — só que bem mais agressivas.
Ouvindo os gritos dos nobres atrás de mim, parecia que competiam para ver quem tinha a voz mais aguda. “Cuidado com o tronco!” “Ele está ali!” Eram como pássaros desafinados numa sinfonia desastrosa.
Olhei para trás e vi um nobre tropeçando em uma pedra e caindo de cara num monte de folhas secas, com um “crack” que fez as árvores quase rirem.
Desviei de um tronco caído, quase fazendo uma pirueta digna de atleta para desviar de um tronco caído, mas, no final, caí de cara num campo lamacento. A lama negra e grudenta cobriu todo meu rosto e corpo. Depois de me levantar, ouvi um grito:
— Olhem ali! Acho que vi alguma coisa!
Congelei. Eles estavam mais animados que crianças em um parque de diversões. A grama alta dificultava a visão, e antes que tivessem certeza, eu saí correndo feito um louco — parecia um ímã ambulante de folhas, galhos e sujeira.
— Olha! — gritou um homem barbudo, apontando para mim. — Uma besta!
Respirou fundo preparando sua arma e puxou o gatilho. Mas se atrapalhou e acabou atirando para o alto, acertando um corvo que voava baixo. O corvo caiu sobre o rosto do homem.
Ele tropeçou e, sem querer, atirou no parceiro. Ambos ficaram com um olhar incrédulo.
— Maldito, você atirou em mim! — bradou o companheiro machucado, enquanto os gritos ecoavam na floresta.
— Eu errei, juro! Não foi proposital! — respondeu o barbudo, vermelho de vergonha. — Vamos embora antes que a “besta” nos pegue!
Enquanto eles fugiam, peguei o rifle que um deles deixou e segui para o acampamento. Depois de minutos de caminhada, cheguei ao acampamento. Todos estavam distraídos com o banquete oferecido. Beatrice, finalmente cansada de me procurar, decidiu cancelar a caçada. A vilã da história se viu sem alvo.
Coberto de sujeira, passei entre os arbustos e dei de cara com o barbudo de antes. Congelamos. Ele tropeçou e caiu. Me aproximei, ele arregalou os olhos e saiu correndo, gritando:
— Sai daqui, sua Besta! — correu ensandecido. Uma sensação de divertimento tomou conta de mim.
De longe, vi Beatrice. Aproveitei meu anonimato para mirar e disparar.
Bang!
Mas errei feio: o tiro acertou o traseiro de um cavalo, que disparou como um foguete, derrubando tendas, mesas e nobres em pânico.
O caos estava instalado.
Quando me viram, com voz grave e ameaçadora, as mulheres começaram a gritar:
— Uma Besta! Corram!
Os nobres correram em todas as direções, como bonecos desgovernados. Um lord tropeçou no próprio rifle, levando uma fila de tombos num efeito dominó de gritos e empurrões.
— Meu chapéu! — gritou um, quase em desespero.
Outro gritou:
— O monstro está vindo! — e colidiu com um grupo de mulheres que, na fuga, se agarraram umas às outras como num samba desengonçado.
Eu não resisti e corri atrás deles.
— Não é um monstro, é uma Besta! — gritou uma dama, apontando para mim enquanto corria atrás dela.
Beatrice, no meio do caos, perdeu o equilíbrio e caiu de cara nos restos de comida e bebida que o cavalo espalhara. O vestido dela ficou imundo.
E, para completar, a verdadeira comédia começou quando um dos guardas, na pressa, esbarrou em Beatrice, fazendo-a rolar mais ainda pelo chão, como uma bola de lama. O grito dela ecoou pelo campo, misturado aos sons de “Cuidado com o monstro!” e “Salve suas vidas!”.
Enquanto todos se apressaram para socorrer Beatrice, que tentava se limpar e parecia uma versão grotesca de uma rainha, eu não perdi tempo: fui direto à mesa do banquete, onde iguarias e bebidas ainda me esperavam.
Dirigi-me à mesa do banquete, onde restos de comida, iguarias e bebidas estavam à minha disposição. Me fartei, pegando um pedaço de bolo e um frango assado. Aquilo tudo me deu fome.
E assim, enquanto a confusão continuava e Beatrice tentava se limpar, furiosa e imunda, eu me deliciava com o banquete, rindo para mim mesmo. Afinal, quem diria que ser um “monstro” poderia ser tão saboroso?
Quando voltei à mansão, exausto, só pensava em como tirar toda aquela sujeira para, finalmente, descansar daquele dia inesquecível e exaustivo.
Capítulo 04
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A VILÃ É MINHA IRMÃ!
Um assalariado desperta em uma web-novel, ele terá que lutar contra os caprichos da vilã. Quem chega até o final?
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