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A primavera sem Flores

Capítulo 09

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🟡 Em breve

​”Puta merda, eu esqueci que o Eduardo tá atolado de coisas! Não posso encher a cabeça dele… O que eu tava pensando? Não sei, eu só precisava ver ele. Esquece!! Vou parar de pensar nisso, depois eu penso no que fazer com a desequilibrada da Letícia.”
​Otávio comprou uma limonada e seguiu em direção à mesa de som; queria manter sua mente ocupada.

​— Ei, Hugo!

​— Oi, Otávio.

​— Pode deixar que eu assumo, vai descansar.

​— Tem certeza? Você saiu quase agora.

​— É, mas pra mim foram horas. Prefiro ficar aqui.

​— Se você diz…

​Otávio voltou sua total concentração para a mesa de som. As pessoas falando e passando ao seu redor passavam despercebidas; ele não queria pensar em mais nada. Isso já era habitual: quando algo o estressava, ele mergulhava em uma tarefa e não saía dela até sentir sua mente mais calma.
​

{…}

​— Então, se era só isso, eu já vou indo, tá?

​— Muito obrigado pela sua ajuda, Eduardo, você me salvou!!!

​— Que bom que deu certo, e não precisa agradecer. Qualquer coisa é só me avisar. Agora eu preciso ir!

​Eduardo saiu apressado em direção à porta. Já estava fora dos bastidores quando Arthur o puxou pelo braço.

​— Eduardo, espera!!! Onde você vai com tanta pressa?

​— Preciso falar com o Otávio, estou preocupado com ele.

​— Sério? Você está assim por causa do Otávio? Eu acho que ele é grandinho o suficiente pra cuidar de si mesmo. Você tem coisa demais pra resolver pra ter que ficar tomando conta dele.

​— Eu não tô tomando conta dele, eu TÔ PREOCUPADO! Não tô entendendo por que você tá agindo desse jeito… Qual o seu problema com o Otávio!

​— Meu problema é a relação de vocês!! Qual a relação de vocês, afinal? São só amigos mesmo?

​— O quê? É claro que nós somos só amigos! O que você tá pensando?!

​— Eu não sei! É Otávio pra lá, Otávio pra cá… Você sempre tá falando dele, elogiando ele, sem contar o jeito que vocês se tratam! Qualquer um pensaria isso!

​— Nós somos só amigos, e se não fôssemos, isso também não seria problema seu! Não tô entendendo por que está tão incomodado com isso.

​— Porque eu gosto de você, Eduardo! Eu gosto de você, e cada vez que você trata ele desse jeito, eu fico com ciúmes e não consigo me controlar… Eu sinto que não tenho chance se tiver que competir com ele!!!

​Eduardo deu dois passos para trás. Aquelas palavras o acertaram como um baque. Ficou imóvel por alguns segundos, tentando processar a informação.

​”Ele gosta de mim? Como assim ele gosta de mim?”
​Essa pergunta se repetia várias vezes em sua cabeça.

​— Você gosta de mim? Tá agindo desse jeito por isso?

​— Sim… Me desculpa se passei dos limites, mas foi mais forte que eu. E se você e o Otávio tiverem algo, eu juro que vou respeitar, não vou tocar mais no assunto, prometo.

​— Eu já te disse: o Otávio e eu somos só amigos.

​— Então, nesse caso… você poderia me dar uma chance de te conhecer melhor?

​— Eu preciso de um tempo pra pensar, pode ser?

​— Claro, eu não quero te pressionar, mas pensa com carinho, por favor.

​— Eu vou… eu vou pensar. Agora eu preciso ir, preciso processar tudo isso.

​— Tudo bem, no seu tempo! Ah, Eduardo, o Otávio está bem, tá na mesa de som. Acabei de falar com o Hugo. Me desculpa pelo jeito que eu falei.

​— Tá tudo bem, Arthur. Depois a gente conversa.
​Eduardo saiu atordoado. Em sua cabeça surgiam milhares de pensamentos.

​”Como ele solta uma bomba dessas justo num dia como esse? Nossa, eu nem sabia o que responder… Eu nem sei ainda o que responder! E o Otávio… achou que a gente tinha alguma coisa? Será que as outras pessoas também pensam assim? Meu Deus, minha cabeça está explodindo!!!”

​Eduardo seguiu envolto em seus próprios pensamentos.
​”Eu preciso esquecer isso, pelo menos por enquanto. Preciso me concentrar no que estou fazendo agora, trabalhei a semana inteira por isso, não vou deixar me abalar.”

Eduardo foi andando sem rumo, perdido em sua própria mente. Apenas seguia sem prestar atenção no mundo ao redor. Quando percebeu, estava em frente à mesa de som. Otávio estava ali na sua frente, totalmente concentrado. Mas, por um breve segundo, ele retribuiu o olhar e deu um leve sorriso.

“Droga, o que eu vim fazer aqui? Por que fui parar justamente onde o Otávio estava?”

Otávio trocou algumas palavras com Gustavo, que assumiu o controle da mesa de som, e logo em seguida desceu em direção a Eduardo.

— Conseguiu resolver os problemas do figurino? Precisa de ajuda?

 

— Consegui resolver, sim.

— Por que tá com essa cara? Tá preocupado com alguma coisa?

 

— Você…

 

— Comigo? Tá preocupado comigo?

 

— Não!! Quer dizer… o que você queria falar comigo?

 

— Eduardo, você tá bem? Quer que eu pegue um pouco de água?

 

— Eu tô bem! É só o cansaço mesmo… Mas o que você queria falar comigo?

 

— Não era nada, fica tranquilo. Já consegui resolver.

 

— Tem certeza? Você parecia nervoso!

 

— Tenho certeza, está tudo bem. Mas você não parece muito legal… aconteceu alguma coisa?

 

— Não aconteceu nada. Muita coisa na cabeça, mas eu vou resolver.

 

— Vai sim. Mas não precisa fazer tudo sozinho, você não é burro de carga, tem que pedir ajuda de vez em quando. Entendeu, estrelinha cadente?

 

— Seu idiota… Valeu, Otávio!

 

— Pelo quê?

 

— Não sei, você sempre me apoia de um jeito ou de outro.

 

— Ih, deu pra ficar sentimental agora? Esse evento tá mexendo mesmo com você!!

 

— Você não faz ideia, amigo… Você não faz ideia!

 

“Tem alguma coisa de errada com o Eduardo, ele tá me escondendo alguma coisa.”

 

— Eduardo!!!

 

— Oi, Aline.

 

— Queria sua opinião sobre a programação impressa.

 

— Ah, finalmente achou ele, Otávio?

— Achei sim!

 

— Então, Eduardo, você me ajuda?

— Claro!!

 

— Otávio…

 

— Pode ir lá. Qualquer coisa, você me liga. Eu vou ficar por aqui.

 

— Ok, qualquer coisa você me avisa também.

{…}

 

O dia correu seu curso. Eduardo continuou entretido entre uma tarefa e outra, Otávio continuou auxiliando no som e, vez ou outra, na iluminação e nos bastidores. Eduardo e Arthur não trocaram muitas palavras depois da conversa que tiveram. As pessoas foram indo embora até sobrar apenas os organizadores e, por fim, restaram apenas alguns aparelhos e equipamentos a serem guardados.

 

— Caralho, isso foi cansativo!! — disse Otávio, se espreguiçando.

 

— Nem me fale!! — concordou Matheus.

 

— Mas valeu a pena, não é? — retrucou Eduardo.

 

— Com certeza, Eduardo. Não vão esquecer tão cedo dessa feira, vocês foram foda — Otávio disse, encorajando.

 

— E cadê a Letícia? — Aline perguntou.

 

— Foi embora de moto com um cara que ela conheceu na barraca de limonada — Matheus respondeu.

 

Otávio fechou a cara. Depois daquela tarde agitada, tinha até esquecido do episódio com a Letícia.

 

“Pelo menos assim quem sabe ela não larga do meu pé”, pensou consigo mesmo.

 

— Ei, Otávio!!

 

— Oi?

 

— Eu tava falando com você!!

 

— Desculpa, Eduardo, não prestei atenção!

 

— Percebi… Eu disse que, se você quiser, pode ir. A gente termina de organizar por aqui, você já ajudou demais.

 

— Eu ajudo a organizar e vou embora. Odeio deixar as coisas espalhadas assim.

 

— Eu sei, senhor sistemático.

 

Matheus e Aline cruzaram olhares e depois olharam para os dois com uma expressão suspeita. As palavras de Arthur ecoavam na mente de Eduardo: “Sem contar no jeito que vocês se tratam, qualquer um pensaria isso!”

 

— Tudo bem, Otávio, só vamos acabar logo com isso. Todo mundo tá precisando descansar mesmo.

 

— Ok, estrelinha cadente, você quem manda.

 

Aline e Matheus se entreolharam novamente. Eduardo engoliu em seco e sentiu um frio na barriga.

 

— Não começa com zoação, Otávio, só vamos acabar logo com isso.

 

— Ok, ok…

 

Eles continuaram a organização e a limpeza. A certo ponto, todos tinham ido embora, restando apenas Otávio e Eduardo, que analisava pela última vez sua prancheta.

 

— Já tá sentindo falta do caos da organização e do planejamento? — Otávio disse em tom de brincadeira.

 

— Como você adivinhou?

 

— Eu te conheço!! Você sempre fica assim quando um projeto acaba, fica com essa cara de saudade.

 

— A gente se conhece há um bom tempo, né, Otávio?

 

— É, te aturo por tempo demais… Nossa, que exaustivo!

 

— Tô falando sério, seu idiota.

 

— Sim, a gente se conhece há um bom tempo. Mas por que tá falando isso agora?

 

— Por nada, só tô fazendo uma autoreflexão.

— Ih, ficou nostálgico agora. Hoje você tá mais estranho que o normal.

 

— Tô precisando da minha cama, isso sim. Descansar o corpo e a mente.

 

— Nisso eu concordo. Preciso da minha cama também.

 

— Então eu já vou indo. Obrigado por hoje, Otávio, você me ajudou demais!

 

— Não tem problema. Você fica me devendo essa!!

 

— Tchau, Otávio… Tchau!

Otávio acenou com a cabeça enquanto os dois seguiam caminhos contrários.

Capítulo 09
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A primavera sem Flores

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Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.

Eduardo é o mais popular da Faculdade

sempre positivo, bem humorado e...

Chapters

  • Capítulo 10 O Pós-Evento e a Sombra do Passado
  • Capítulo 09
  • Capítulo 08
  • Capítulo 07
  • Capítulo 06
  • Capítulo 05
  • Capítulo 04
  • Capítulo 03
  • Capítulo 02
  • Capítulo 01
 

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