Capítulo 10
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- Capítulo 10 - O Pós-Evento e a Sombra do Passado
Otávio se jogou na cama e ficou lá por alguns minutos. O dia tinha sido exaustivo demais, ele precisava de um descanso.
“Amanhã eu com certeza não vou trabalhar, preciso me recuperar”, disse com a cara enfiada no travesseiro, e assim acabou dormindo.
Eduardo também acabara de chegar em casa, mas a sua mente estava barulhenta demais para conseguir dormir.
“Merda, que dia foi esse? Tudo o que tinha para acontecer, aconteceu hoje. Como eu vou lidar com o Arthur agora? Por que eu não consigo parar de pensar no que ele disse sobre o Otávio? Não, é só loucura da cabeça dele. O Otávio é meu amigo, um ótimo amigo, e só isso. Quer saber? Vou focar no sucesso do evento.”
“É, eu realmente me superei desta vez. Viu só, Senhor Alexandre Burany? Eu sei me virar muito bem sozinho e sou muito bom no que faço!!! Não preciso do seu sobrenome! Droga… eu já tô há quinze minutos falando sozinho. Vou tomar um banho e descansar, antes que eu fique maluco de vez.”
{…}
Amanheceu o dia e Eduardo estava com os olhos vidrados em seu telefone. Estava curioso para saber quais foram as críticas e experiências que as pessoas deixaram sobre o evento. Em sua maioria, eram muito boas e positivas.
“Adorei o evento! A escola está de parabéns por espalhar arte e cultura de um jeito diferente. Meu filho adorou a experiência de pintura livre e me falou que quer começar aulas de desenho.”
“A peça de teatro foi muito impactante. Nunca tinha assistido a uma peça porque não achava que seria interessante, mas depois dessa vou começar a acompanhar a programação do teatro.”
“Organização impecável! Adorei a barraca de lembrancinhas, quase deixei todo o meu dinheiro lá. Espero que organizem mais eventos como esse.”
— Porra, os comentários estão muito bons! O Otávio tinha razão, as pessoas adoraram. Será que ele já acordou? Vou ligar pra ele!… Espera, ele deve ter visto, não vou incomodar ele logo de manhã.
Eduardo ainda estava matutando as palavras de Arthur, que lhe davam frio na barriga vez após vez, quando seus pensamentos foram interrompidos por uma ligação.
— Alô, Letícia! Tudo bem?
— Bom dia, Eduardo!! A página de avaliação bombou, você viu?
— Tô fazendo isso agora.
— Foi um sucesso! A gente vai sair pra comemorar, não vai? Já convidei o pessoal, você tem que ir!!
— Sério que vocês já vão encher a cara?
— Qual é, Eduardo? A gente merece, vai!!! Bora?
— Ok, ok, eu vou!! Que horas?
— Aí sim, esse é o Eduardo que eu conheço! Chama o gato do Otávio também!
— Posso até chamar, mas duvido que ele vá!!
— Qual é, tenta convencer ele!! Mas, de qualquer jeito, te vejo à noite.
— Tá, Letícia. Até mais!!
— Até! Tchau!
“A Letícia realmente encanou com o Otávio, hein…”
E, por falar nele, o celular de Eduardo toca novamente.
— Bom dia, flor do dia!!! Porra, você viu as críticas?
— Acabei de ver, foram muito boas, né?
— Elogiaram a minha página e o meu som! Eu sou bom demais, fala a verdade!!!
— Achei que tinha ligado pra me parabenizar, não pra se gabar!
— Ah, Eduardo, você já é a “estrela do evento”, ninguém precisa te dizer isso. Eu te falei que ia ser foda. Você sempre é foda no que faz.
— Valeu, Otávio. E obrigado pela ajuda e pela página, ajudou muito a promover o evento.
— Já te falei, você fica me devendo essa.
— Ok… Ah, você vai trabalhar hoje?
— Não vou. Por quê?
— O pessoal vai sair pra beber hoje à noite, quer ir? Eles te convidaram.
— Não quero, preciso descansar. Amanhã tenho que voltar à minha rotina normal. Sem contar que já olhei pra cara deles por tempo demais. Aturar aqueles idiotas bêbados tá além do que eu posso tolerar.
— Um “não” já era o suficiente, sabia?
— Você já sabia a minha resposta..
— É, eu sei…
— Bom, eu vou desligar. Vou organizar minhas prateleiras de livros. Só liguei pra te dar parabéns mesmo.
— Valeu, Otávio. Se mudar de ideia sobre sair mais tarde, me avisa.
— Eu não vou mudar de ideia, mas valeu. Até mais.
— Até.
{…}
Eduardo continuou olhando as fotos e críticas do evento, fascinado com os detalhes. Otávio deixou o telefone de lado e continuou tomando seu café preto. Tirou o dia para relaxar: organizou suas prateleiras, fez a compra da semana, se jogou na cama e colocou uma série para assistir. Definitivamente, o dia não podia estar melhor.
Eduardo, a essa altura, já estava se arrumando para sair. Calça preta de couro, camisa branca, um colar, sua coleção de anéis e um perfume que anunciava sua chegada. Eduardo era extremamente bonito, então sempre chamava atenção por onde passava.
— Você tá maravilhoso!!
Falou para si mesmo enquanto se olhava no espelho.
Chegou no Bar que a Letícia havia passado o endereço.
— Chegou pronto pra batalha, hein, Eduardo? Porra!! Tá gato, hein, amigo?
— Valeu! Depois de ontem, eu mereço esse agrado, não é mesmo?
— Com certeza!!
Os olhos de Arthur ficaram vidrados em Eduardo; ficou estagnado, passando os olhos por cada parte do corpo dele.
— Esse lugar é novo, como vocês descobriram aqui?
— O tio do Matheus abriu recentemente.
— Então, se é assim, vamos beber, galera! Não viemos aqui pra isso?!
Eduardo bebeu algumas doses enquanto ria e comentava sobre os sufocos e momentos do evento.
— Eu preciso ir ao banheiro!
Eduardo disse, já se levantando.
— Eu vou com você! — Arthur disse, o seguindo.
Eduardo apenas assentiu e se virou em direção ao corredor, mas ele estava na sua frente, encarando-o com um olhar de reprovação.
— Então é isso que você chama de dar seu sangue e suor? É isso que é ter responsabilidade?
Eduardo deu um passo para trás, meio tonto. Seu pai era a última pessoa que ele esperava encontrar naquele momento.
— O que eu faço ou deixo de fazer da minha vida não é da sua conta, eu não te devo satisfações!!
— O problema é que você só faz merda com a sua vida, Eduardo! Olha o seu estado!!!
— Por que tá falando de mim? Por acaso isso aqui é um tribunal agora? Você está num bar assim como eu, por que tá me julgando, hein!
— Eu vim parabenizar o dono do bar, meu amigo! Não vim passar a vergonha que você está passando.
— Pra mim já chega! Não aguento mais olhar pra sua cara, eu vou embora.
— Mas, Eduardo! (Letícia retrucou.)
— Eu não aguento ficar mais nenhum segundo aqui. Me manda o valor da minha parte da conta, eu faço o pagamento no caminho. Eu preciso ir embora, Letícia.
— Eu te levo em casa!! — Arthur disse, segurando Eduardo pelo braço.
— Não precisa, eu chamo um carro de aplicativo.
— Eu te levo, Eduardo, para de ser teimoso.
— Arthur, eu quero ficar sozinho. Por favor, não insista.
Eduardo saiu com pressa, sem olhar para trás.
“Caralho, ele tem o dom de acabar com a minha alegria. Eu não queria ter fugido, mas eu não ia aguentar ficar ali… eu não ia aguentar.”
Eduardo subiu no carro em direção ao seu apartamento; só queria sua casa e não pensar em mais nada. Alguns minutos depois:
— Moço, você está com pressa? Esse trajeto vai demorar um pouco, nós vamos pegar um congestionamento. Aconteceu um acidente e tá tudo parado por enquanto.
Eduardo estava impaciente e quieto demais para ficar ali sentado esperando.
— Tudo bem, eu vou descer aqui! Pode ficar com o valor da corrida.
— Tem certeza?
— Absoluta. Uma ótima noite para o senhor.
Eduardo seguiu andando. Precisava relaxar a mente, precisava tirar a tensão daquela discussão.
“Bar Encantado? Não sabia que tinha esse bar por aqui…”
O Bar Encantado era voltado para a comunidade drag da cidade: cheio de cores, luzes neon, um palco e muito, muito brilho. Eduardo se dirigiu ao balcão de drinks.
— Oi, Eduardo!!
— Oi, Felipe!! Você trabalha aqui?
— Sim, o dono é amigo das minhas mães.
— Caramba, esse lugar é incrível!!
— Top, né? E por falar em top, parabéns pelo evento ontem. Não consegui falar com você.
— Valeu, Felipe. É… ontem eu não parei um segundo.
— Eu vi! Mas o que manda? O que eu posso te servir hoje?
— O drink mais forte que você tiver!!
— Tem certeza?
— Total certeza, eu tô precisando disso. Por favor, me vê o mais forte.
— Tudo bem, você quem manda!!!
Capítulo 10
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A primavera sem Flores
Otávio é um nerd negativo e mau humorado, sempre no seu canto sem amigos por perto.
Eduardo é o mais popular da Faculdade
sempre positivo, bem humorado e...