Capítulo 135: Você é meu bom discípulo
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Wu Ruo semicerrava os olhos. Finalmente havia chegado.
O mesmo havia acontecido na vida passada. Humanos viajaram até o clã dos demônios e pegaram um resfriado lá. Quando voltaram, os cidadãos da Capital Imperial e das vilas próximas já estavam infectados pela febre.
A doença era apenas um resfriado comum para os demônios. Mas para os humanos, era algo totalmente diferente.
Como o corpo físico dos humanos era mais fraco do que o dos demônios, a gripe demoníaca era basicamente uma praga para a humanidade.
Assim que um humano contraía a gripe demoníaca, ele caía em coma e o corpo queimava em febre, mas sem outros sintomas. O Festival dos Quatro Clãs já era celebrado há mais de uma década e isso nunca havia acontecido antes. Pegou os humanos completamente desprevenidos.
— Nesse caso, qualquer humano em coma pode estar com essa mesma febre — disse Numu, com expressão pesada.
De repente, mais de uma dúzia de pessoas desmaiaram uma após a outra.
Os outros levaram essas pessoas para os quartos. Muito em breve, seus corpos começaram a esquentar e, por fim, queimavam de febre.
— Preparem a sopa de Feno de Fera e deem a eles para beber — ordenou Wu Ruo.
— Sim! — Ninguém se atreveu a perder um único segundo diante de vidas em risco.
— Feno de Fera? — Numu perguntou com o rosto sombrio. — Ruo, diga a verdade. Você já sabia que essa febre chegaria? Foi por isso que preparou pilhas de Feno de Fera?
Wu Ruo respondeu com sinceridade:
— Sim, eu sabia. Mas não tinha certeza se realmente aconteceria. Por isso não disse nada.
A febre havia sido extremamente grave em sua vida passada. Em apenas três dias, a maioria das pessoas na Capital Imperial e nas vilas vizinhas havia sido infectada. A população começou a morrer sete dias depois. A epidemia só foi contida quando descobriram que o Feno de Fera podia curar a febre.
Naquela época, ele ainda estava na Cidade de Gaoling, bem longe da Capital Imperial. Por isso, não sabia exatamente qual era a situação. Ninguém em Gaoling havia contraído a febre, mas todos beberam a sopa de Feno de Fera por precaução.
— Então vou escrever para meu clã e avisá-los da situação — Numu se levantou.
— Mestre, não tenha pressa. O clã dos magos está bem longe daqui. O vírus não se espalha tão rápido assim a distâncias tão grandes. Se mandar um mensageiro para lá, ele pode acabar levando a febre junto — Wu Ruo o deteve.
Fazia sentido. Por isso, Numu desistiu do plano. Além disso, o clã dos magos era bom em coletar informações do mundo todo. E o Feno de Fera era fácil de encontrar no território deles. Mesmo que fossem infectados, não era necessário se preocupar.
Uma hora depois, todos na Mansão Hei haviam tomado a sopa de Feno de Fera. Os que estavam em coma despertaram após beber o líquido, e a febre desapareceu. Com descanso adequado e evitando pegar outro resfriado, logo estariam completamente recuperados.
Numu suspirou de alívio ao ver seus companheiros se recuperando.
— É surpreendente que o Feno de Fera consiga curar a febre demoníaca. Nunca ouvi falar disso antes.
— Porque nunca aconteceu antes. Ninguém notou os outros efeitos do Feno de Fera — Wu Ruo respondeu, pensativo, enquanto tocava nas ervas com a mão.
Numu não o interrompeu. Seu discípulo havia coletado todo o Feno de Fera disponível no país de Tianxing e armazenado na Mansão Hei. Isso significava que ele controlava toda a oferta da erva. Numu não sabia o que ele pretendia fazer com isso.
Wu Ruo então soltou o fardo de ervas e disse:
— Mestre, com licença.
— Mm — Numu balançou a cabeça assim que Wu Ruo se afastou. — Meu discípulo não é nada fácil…
E então caiu na gargalhada.
— Esse é o meu bom discípulo.
Wu Ruo voltou para a sala de refinamento e embrulhou dez pacotes de Feno de Fera. Em seguida, ordenou aos guardas que os entregassem a Wu Xuanran:
— Lembrem-se. Quando virem Wu Chenzi descer da carruagem, entreguem as ervas ao criado da Família Wu.
— Sim, senhor!
O guarda partiu com as ervas e esperou próximo ao portão por onde Wu Chenzi costumava passar.
Quando Wu Chenzi voltou do palácio e desceu da carruagem, o guarda cavalgou até a entrada, parou o cavalo e entregou as ervas ao porteiro.
— Meu mestre, a senhora da Mansão Hei, também membro da Família Wu da Cidade de Gaoling, me enviou aqui. Há uma febre se espalhando pela capital. As pessoas estão desmaiando e queimando de febre pelo corpo inteiro. Meu mestre ouviu dizer que esta erva pode prevenir e curar a febre. Por isso, enviou dez pacotes à Família Wu da Cidade de Gaoling. Mandem que fervam em água e bebam o líquido.
O porteiro tratou o guarda com seriedade, pois as ervas vinham da Família Wu de Gaoling. E havia um decreto imperial ordenando que fossem tratados com consideração.
Wu Chenzi, que havia acabado de descer da carruagem, ouviu que o guarda fora enviado por Wu Ruo. Assim que o guarda se foi, perguntou ao porteiro:
— O que era aquilo?
O porteiro repetiu a mensagem do guarda.
— Febre? — Wu Chenzi franziu o cenho. Não havia ouvido nada sobre uma febre. — Abra isso.
— Sim, senhor — o porteiro desembrulhou um pacote. Era apenas Feno de Fera, que podia ser comprado por algumas moedas.
Wu Chenzi bufou:
— Esses de Gaoling são gananciosos e arrogantes demais. Como ousam mandar uma erva tão barata? Nem vão dar bola pra isso.
Embora não os conhecesse há muito tempo, já os conhecia bem o suficiente.
Desde a chegada deles, havia gastado uma fortuna em ervas raras, e nada surtira efeito. Além disso, tentaram de todas as formas esconder a erva preciosa que haviam tirado dele — uma afronta. Ele os puniria na primeira oportunidade.
— Alteza, o que devemos fazer com as ervas? — perguntou o porteiro.
Wu Chenzi olhou os outros pacotes.
— Abra todos eles.
— Sim, senhor — o porteiro abriu todos os pacotes e em todos havia apenas Feno de Fera.
Devido ao decreto imperial, Wu Chenzi mandou que o porteiro levasse os pacotes até Wu Xuanran antes de partir.
O porteiro embrulhou tudo novamente e entregou a Wu Xuanran.
Assim que Wu Xuanran soube que as ervas haviam sido enviadas por Wu Ruo, presumiu que fossem raras e valiosas. Mas ao ver que se tratava apenas de Feno de Fera, ficou furioso e jogou tudo no chão.
— Wu Ruo! Como ousa nos humilhar com erva de animal?!
Wu Qianli rugiu:
— Desde que se casou e tem apoio, ele nunca mais se importou conosco.
Um dos membros do Pátio Norte zombou:
— Eu também não me importaria com meus tios se eles tivessem roubado meus presentes de noivado.
— Fala como se você não tivesse aceitado os presentes de Wu Ruo. Não se ache tanto — esbravejou Wu Qiantong.
— Chega! — Wu Bufang, que estava em silêncio até então, bateu com força na mesa. — Vocês não estão cansados de gritar todos os dias? Se têm tanta energia pra brigar, por que não usam pra cuidar da própria saúde? Olhem pra vocês. Braços quebrados, olhos cegos… o que mais podem fazer além de gritar uns com os outros? O que vão fazer quando forem expulsos da Família Wu?
Ele já estava cansado daquelas discussões. Todas as manhãs, ao acordar e pensar em visitar a Família Wu, sentia-se esmagado. Se não fossem seus filhos, já teria ido embora há muito tempo.
— … — todos se calaram instantaneamente.
— Patriarca, o que devemos fazer com esses pacotes de ervas? — perguntou o criado que ainda segurava os embrulhos.
Wu Bufang lançou um olhar para os pacotes — que também eram uma afronta a ele. Estava prestes a mandá-los embora quando alguém falou:
— Por favor, me dêem.
Wu Bufang se virou para ver quem era. Era Wu Bai, o filho mais novo de Wu Qiantong. Sua terra espiritual havia sido destruída durante o ataque dos fantasmas à Cidade de Gaoling.
Desde que se mudaram para a Capital Imperial, Wu Bai havia seguido as instruções médicas com surpreendente disciplina. Tomava os remédios recomendados, controlava suas emoções — e agora estava quase completamente recuperado.
Por outro lado, os demais só queriam tomar remédios caríssimos que nem sequer eram os indicados pelos médicos, achando que se curariam mais rápido. Isso só piorava suas condições.
— Pode deixá-los com ele.
Wu Bai pegou os pacotes e ainda recolheu o que Wu Xuanran havia jogado no chão, embrulhando tudo com cuidado antes de voltar para seu quarto.
Wu Xiao o seguiu e perguntou:
— Por que você quer essa erva que é só para feras?
— Não faz mal tê-la. Talvez um dia seja útil — respondeu Wu Bai. Estava bem mais sensato desde a separação da Família Wu.
Wu Xiao fez um biquinho, mas não disse nada.
Mais tarde, naquela mesma tarde, cada vez mais cidadãos começaram a desmaiar nas ruas, o que gerou pânico geral. Em apenas uma hora, todas as clínicas da capital estavam lotadas de pacientes e familiares.
Pior ainda, muitos pacientes tiveram que esperar do lado de fora das clínicas.
Os médicos não conseguiam identificar a causa, pois os pulsos indicavam que os pacientes estavam saudáveis — exceto pela febre e o coma. Não havia qualquer outro sintoma.
Mesmo tentando de tudo, os médicos não conseguiam reverter o estado dos doentes ou baixar a febre. A epidemia se espalhava pela Capital Imperial como uma pandemia, pegando a todos desprevenidos. A transmissão era de pessoa para pessoa.
Por fim, até as concubinas imperiais e os príncipes dentro do palácio foram infectados.
Em apenas dois dias, a maior parte da população da Capital Imperial e vilas próximas já havia contraído a febre.
O imperador ficou furioso e imediatamente emitiu um decreto ordenando que os funcionários governamentais contivessem a praga. Era a oportunidade perfeita para os príncipes demonstrarem sua capacidade de lidar com emergências.
E isso deixava Wu Chenzi ainda mais enlouquecido, pois não havia encontrado uma boa solução. Se os outros conseguissem conter a epidemia, o imperador e os ministros ficariam impressionados com o desempenho do segundo príncipe. O povo também o admiraria, o que aumentaria muito suas chances de ser coroado.
Quando Wu Chenzi voltou às pressas do palácio para a Mansão Wu, pronto para convocar os anciãos e assistentes da família, viu Wu Bufang, sua esposa, os anciãos e suas famílias correndo em direção ao pátio onde ficava Wu Xuanran.
Ele não daria atenção, mas de repente se lembrou dos pacotes de ervas enviados pelo guarda de Wu Ruo dois dias antes. Recordava-se de que o guarda havia dito que o Feno de Fera era uma cura para a febre.
Pensando nisso, Wu Chenzi ficou apreensivo e seguiu Wu Bufang até o pátio de Wu Xuanran.
Assim que Wu Bufang entrou no pátio, gritou em voz alta:
— Bai? Onde está Wu Bai? Está em casa?
— Bisavô, estou aqui. O que deseja? — Wu Bai saiu correndo e perguntou.
Capítulo 135: Você é meu bom discípulo
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Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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