Capítulo 202: Rumo ao Reino da Alma Morta (3)
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Já era hora de partir. Depois de se despedirem dos moradores da vila, todos subiram a bordo.
Assim que Eggie entrou no navio, deixou imediatamente para trás a tristeza de ter se separado dos amigos. Pulava de um lado para o outro e ria feito bobo:
— Estou navegando! Estou navegando!
— Ele chorou tanto por deixar os amigos há poucos minutos — comentou Wu Xi.
— Isso é coisa de criança. Normalmente, deixam a tristeza de lado assim que encontram algo feliz — disse Hei Xuantang, olhando para Wu Ruo. — Ruo, você nunca viu o navio antes. Por que não dá uma volta para conhecê-lo antes que comecemos a navegar?
O vento na praia era forte, e como era início da primavera, ainda fazia frio. Isso fazia com que Wu Ruo pegasse resfriado toda vez que saía, e acabava com febre à noite. Ele vinha ficando doente repetidamente nos últimos dias. Por isso, Hei Xuanyi precisou mantê-lo dentro de casa.
Como médico, Wu Ruo sabia muito bem que precisava estar completamente recuperado antes de embarcar, pois seria péssimo adoecer no meio da viagem. Então, ficou o tempo todo no quarto para melhorar, até o dia anterior.
— Certo — Wu Ruo se sentiu atraído pelo palácio sobre o convés. Havia um pavilhão e uma pequena ponte. O palácio tinha cinco andares de altura. Era super luxuoso e claramente muito caro. Não era de se admirar que Wu Xi estivesse tão ansiosa para subir a bordo.
— Isso é mesmo um navio? — Wu Ruo ficou pasmo ao ver o palácio. — Por que é tão diferente do que vi lá de baixo? Está protegido pela formação dos aldeões?
Do chão, parecia um navio comum, com apenas alguns quartos no convés, sem nada de especial. As pessoas podiam até se surpreender com o tamanho do navio, mas jamais imaginariam que fosse tão fabuloso por dentro.
— Sim — confirmou Hei Xuanyi, apontando para uma grande estátua de madeira na proa. — Aquele é o lendário Senhor dos Mares. Ele é metade homem, metade dragão.
— Aquilo é a cauda do dragão — acrescentou, apontando para a popa.
— O que me interessa mesmo é saber quanto custa fazer um navio tão gigantesco — disse Wu Ruo.
— Não faço ideia — respondeu Hei Xuanyi, franzindo o cenho. — Minha irmã foi a responsável por construí-lo. Luxo é com ela mesma.
— Você acaba de me lembrar de algo importante que esqueci. Podemos adiar a partida alguns dias?
— O que é tão importante?
— Eu não preparei presentes para sua família — disse Wu Ruo, sem graça.
— Não precisa. Só o fato de você estar lá já basta — disse Hei Xuanyi, sorrindo.
— Mas não acho educado ir de mãos abanando.
Hei Xuanyi não teve coragem de negar, mas também não queria que Wu Ruo saísse do navio para comprar presentes. Por isso, disse:
— Você pode comprar algo quando chegarmos.
Wu Ruo se sentiu culpado por atrasar a partida por um motivo pessoal.
— Tudo bem — ele assentiu.
— Irmão, trouxe Hei Ye e os outros para se apresentarem ao Ruo — disse Hei Xuantang, aproximando-se.
Atrás dele vinham três homens. Dois usavam túnicas pretas e um usava túnica branca. A túnica branca era visivelmente mais luxuosa do que as outras. Eles se aproximaram de Hei Xuanyi e se curvaram respeitosamente:
— À disposição, meu senhor.
— Este é o seu consorte — apresentou Hei Xuanyi, segurando a mão de Wu Ruo.
Os dois homens de preto se emocionaram um pouco ao ver Wu Ruo.
— À disposição, minha senhora.
Wu Ruo assentiu.
Hei Xuanyi apresentou os homens a Wu Ruo. O alto e forte era Hei Ye, e o mais magro era Hei Chao.
— Hei Ye é irmão mais velho de Hei Gan. Hei Chao é sobrinho de Hei Xin. Eles são os encarregados da navegação. E este aqui… — apontou para o homem de branco. — É o xamã Xihua, de quem te falei. Você pode aprender técnicas xamânicas com ele se estiver entediado.
— Posso mesmo? — perguntou Wu Ruo, animado.
Desde que soube que poderia aprender diferentes técnicas de cultivo de outros clãs, ele sempre quis aprender mais, caso precisasse em uma emergência. Além disso, ele aprendia rápido, bastava memorizar os encantamentos e observar os movimentos. Com prática, logo dominava a técnica e já conseguia usá-la.
— Será uma honra ensinar-lhe habilidades de cultivo — respondeu Xihua com um sorriso.
— Agradeço desde já!
Hei Xuantang também apresentou Wu Qianqing e os outros membros da família.
— Está navegando! — alguém gritou de repente.
— Por que você não vai embora agora? — perguntou Wu Zhu a You Ye.
— Por que eu faria isso? — respondeu You Ye, sem entender.
— Vamos para a casa de Xuanyi. Vai vir também?
— Eu vou aonde você for.
— E os assuntos do seu país? — perguntou Wu Zhu.
— Entreguei tudo ao You Ran — disse You Ye, antes de gritar repentinamente: — De repente estou com dor de cabeça! Me ajuda a deitar um pouco no quarto!
Era tão óbvio que You Ye estava fingindo. Wu Zhu comentou:
— Devia pedir aos seus servos para te ajudar.
— Mamãe, meu marido não me quer nem um pouco — disse You Ye, olhando para Guan Tong com cara de filhote abandonado.
— … — Wu Zhu.
A culpa era toda dele! Como ele podia falar aquilo na frente da mãe?
Para Guan Tong, era evidente que Wu Zhu e You Ye se gostavam. Ela só não entendia por que Wu Zhu rejeitava You Ye, mas decidiu ajudar os dois a ficarem juntos.
— Zhu, os servos de Ye são todos homens. Claro que não é apropriado que toquem em seu corpo. Zhu, é melhor você ajudá-la — sugeriu Guan Tong.
— Mas mãe, a senhora… — Wu Zhu tentou sugerir que uma das criadas de Guan Tong ajudasse.
Mas se lembrou de que You Ye, na verdade, era homem. E que não seria adequado dividir o quarto com uma mulher.
— Sim — teve que concordar.
Ele se adiantou para segurar o braço de You Ye.
You Ye logo se apoiou nele.
— You Ye, fique do outro lado da linha.
— Mamãe — disse You Ye, fazendo novamente a cara de filhote.
— Não fale mais com minha mãe. Eu vou te ajudar — disse Wu Zhu.
You Ye sorriu, abraçou Wu Zhu e lhe deu um beijo:
— Você é tão doce.
— … — Wu Zhu.
Jixi observou os dois se afastarem e perguntou a Yeji:
— E você?
— Vou ficar aqui para proteger Sua Majestade.
— Cai fora! — disse Jixi com impaciência.
Lançou um olhar afiado para Yeji e então voou de volta para o próprio quarto.
Yeji ficou confuso, sem entender o que havia dito de errado.
Quando o navio começou a partir, Wu Qianqing levou Eggie até a popa para se despedir dos aldeões.
— Irmão, olha — Hei Xuantang puxou Hei Xuanyi para o lado e apontou para o recife à distância. — É o dono do mercado negro.
Hei Xuanyi olhou e viu o homem de pé sobre o recife, ignorando o vento que soprava com força.
— Tem certeza de que ele é o verdadeiro pai da senhora Wu? Se for, será que ele já sabe quem somos? — perguntou Hei Xuantang em voz baixa.
— Pode ser que ele já conheça nossos antecedentes familiares — disse Hei Xuanyi, franzindo o cenho.
— Mas ele nos deixou levá-los com a gente? Será que está tramando alguma coisa? — perguntou Hei Xuantang, preocupado.
— O que você acha que ele está tramando? — perguntou Hei Xuanyi.
— Não consigo pensar em nada — respondeu Hei Xuantang. — Talvez devêssemos tramar alguma coisa também.
— Você fala demais — Hei Xuanyi o encarou.
— Vou convocar peixes esqueléticos para puxar o navio — disse Hei Xuantang.
Ele foi até a proa e ativou seu poder.
Wu Ruo e Wu Xi caminharam até Hei Xuantang e perguntaram a Hei Xuanyi:
— O que ele está fazendo?
— O navio é grande demais para ser remado apenas por humanos. Por isso, precisamos convocar grandes peixes para nos ajudar a puxá-lo.
Vocês podem olhar para baixo e ver se percebem algo diferente — explicou Hei Xuanyi.
Wu Ruo e Wu Xi foram até a lateral do navio e olharam para o mar. A água parecia ferver como se estivesse quente, cheia de bolhas. Depois de um tempo, duas espinhas de peixe brancas emergiram da superfície.
Eram enormes, com quase três metros de largura e dez metros de comprimento. Morderam as cordas amarradas ao navio e começaram a puxá-lo para frente. Logo o navio saiu da margem e foi arrastado por duas milhas para longe da aldeia, desaparecendo no horizonte.
Wu Qianqing e os outros estavam confusos, pois os aldeões sumiram da vista num piscar de olhos. Afinal, tinham acabado de se despedir deles.
— Que navio rápido! — exclamou Wu Xi, empolgada. — Se for nessa velocidade, vamos chegar na casa do Xuanyi rapidinho?
— Pelo menos meio mês — disse Hei Xuantang, guardando seu poder.
— Está tão longe assim?
— Sim.
— Está ventando demais aqui fora. Vamos entrar — sugeriu Hei Xuanyi.
Todos entraram para seus quartos. Logo, Guan Tong ficou enjoada e teve que se deitar. Wu Qianqing ficou ao lado dela, cuidando dela.
O mesmo aconteceu com Wu Ruo e os demais. A maioria adoeceu e ficou fraca, sem experiência em viagens de navio. Demoraram cinco ou seis dias para se recuperar.
Entre todos, apenas Eggie tinha energia de sobra para correr da proa à popa, do primeiro ao quinto andar.
Todos os outros estavam preocupados que ele fosse levado pelo vento ou caísse no mar.
Meio mês depois, o grande navio finalmente começou a desacelerar, e os peixes esqueléticos foram embora, deixando o navio flutuando no mar.
Wu Ruo olhou pela janela, para o mar.
— Por que não estamos nos movendo?
— Já estamos quase chegando — disse Hei Xuanyi, passando o braço pelos ombros de Wu Ruo.
— Já estamos chegando? — Wu Ruo olhou ao redor e perguntou: — Mas só vejo o mar. Não vejo nenhuma costa. Há alguma formação para nos enganar?
— Não. O portão ainda não se abriu. Quando abrir, você vai saber.
— Tudo bem — disse Wu Ruo, olhando o mar. — A cor da água está bem mais escura do que vimos antes. Está quase noite. Parece que estamos flutuando em tinta.
— Chamamos de Mar de Tinta. É escuro porque foi amaldiçoado.
— Que tipo de maldição?
Hei Xuanyi não disse uma palavra.
Naquele momento, um grande navio, do mesmo tamanho que o deles, apareceu à frente.
— Xuanyi, olha. Aquele navio se parece com o nosso. Será que sua família veio nos encontrar? — perguntou Wu Ruo.
— Não — respondeu Hei Xuantang, do convés superior. — Esse é o navio que usei quando saí para procurar meu irmão. Quando cheguei ao Reino Tianxing, mandei meus companheiros voltarem com ele. Talvez tenham perdido a data de abertura do portão e por isso nos esperaram aqui.
Ao mesmo tempo, o outro navio também viu Hei Xuanyi, pois começou a se aproximar.
Capítulo 202: Rumo ao Reino da Alma Morta (3)
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Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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