Capítulo 145: Você é uma pessoa abençoada
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Eles saíram do pátio do abade e chegaram ao pátio central do Templo Lianfo.
O pátio central era uma área de descanso para os peregrinos. Wu Ruo e Hei Xuanyi caminhavam pelo corredor quando três homens vieram trotando em sua direção. O corredor, com pouco mais de um metro de largura, não permitia que os cinco passassem ao mesmo tempo. Wu Ruo e Hei Xuanyi se afastaram para o lado, dando passagem aos três homens.
— Tomara que o guardião não tenha percebido que saímos — disse um dos homens, preocupado.
— Só ficamos fora por uma hora. Talvez não nos prendam — respondeu outro.
Os sotaques deles soavam estranhos para Wu Ruo, diferentes dos cidadãos da Capital Imperial. Ele não pôde evitar de encará-los mais atentamente — e então viu que um dos homens usava um bracelete de caveira prateado.
Semicerrou os belos olhos e observou os três homens caminhando em direção ao pátio.
— O que você está olhando? — perguntou Hei Xuanyi, virando-se para a direção do olhar de Wu Ruo.
— Vi que um deles usava um bracelete de caveira — disse Wu Ruo, em voz baixa.
Hei Xuanyi entendeu a implicação e perguntou:
— Você está dizendo que aquele homem é Sang Lun ou algum parceiro dele?
— Sim. Espere aqui. Preciso ir dar uma olhada.
— Mm. Me chame se precisar de ajuda.
Wu Ruo agora estava no sexto nível, então Hei Xuanyi não estava mais tão preocupado com ele. Além disso, Wu Ruo tinha vários tipos de armas para se proteger.
Wu Ruo foi até um ponto onde não havia ninguém por perto e usou sua técnica de ocultação de sombras para se manter escondido. Seguiu os três homens até o pátio dos fundos, onde os visitantes se hospedavam. Lá, alguém rugiu:
— Eu disse pra não saírem hoje. Olha o que vocês fizeram!
— Só saímos por um tempinho pra nos divertir. Ninguém viu.
— Como diabos vocês sabem que ninguém viu? Só vão se assustar quando os fantasmas vierem matar vocês?
— Sang Lun, abaixa a voz. Pode ser que não nos vejam, mas ainda podem nos ouvir.
— Vai pro inferno!
Depois disso, fez-se silêncio.
O monge que varria o pátio olhou na direção do quarto e murmurou:
— Brigam todo santo dia… Como é que o velho Tongmiao conhece esses bandidos? E ainda deixa eles morarem aqui por tanto tempo? Estão destruindo toda a harmonia do templo…
Wu Ruo, escondido atrás do monge, deu uma espiada e então saiu silenciosamente do pátio, voltando para Hei Xuanyi.
— É o Sang Lun mesmo. Eles estão escondidos no pátio dos visitantes. Por isso não conseguimos encontrá-los antes.
Os guardas que foram enviados tiveram dificuldades para revistar as casas dos outros, então mandaram fantasmas para encontrar Sang Lun.
Mas fantasmas tinham medo de templos — costumavam evitá-los ao máximo.
Por isso não o encontraram, por mais que procurassem.
— Vamos pra casa agora. Conversamos melhor depois — disse Hei Xuanyi, puxando Wu Ruo para fora do pátio dos fundos. Eles voltaram pelo corredor à procura de Wu Qianqing.
Wu Qianqing e Guan Tong estavam observando Eggie brincar com outras crianças. Sorrisos largos preenchiam seus rostos. Pareciam realmente felizes.
Wu Ruo perguntou:
— Mamãe, você parece tão feliz. O que te deixou assim?
Wu Xi se aproximou de Wu Ruo e respondeu animada:
— Agora há pouco, o ancião Tongzhou disse que o irmão mais velho está perfeitamente bem agora.
Wu Ruo ficou em silêncio.
O ancião Tongzhou era excelente em adivinhação. Conseguiu fazer o que Hei Xin não conseguiu.
— Eggie está se divertindo tanto. Raramente ele tem a chance de brincar com outras crianças — disse Guan Tong, sorrindo.
Eggie brincava de cuju com outras crianças. Era o mais novo entre elas, e os outros meninos o deixavam para trás. Mesmo assim, era o mais empolgado. Até os pais das outras crianças se divertiam com sua animação. Wu Ruo não teve coragem de pedir para que Eggie fosse embora.
Eles só foram sair por volta das oito horas. Foi quando Eggie voltou para junto de Wu Ruo.
A caminho da montanha, Wu Ruo perguntou a Hei Xuantang — que havia ficado ao lado de Guan Tong o tempo todo enquanto ela caminhava atrás deles:
— O que o ancião Tongzhou disse à minha mãe sobre a segurança do meu irmão mais velho?
Hei Xuantang repetiu:
— Você é uma pessoa muito abençoada. Seu filho ficará perfeitamente bem.
Wu Ruo ficou em silêncio.
Era só isso que bastava para deixar a família inteira feliz?
Será que o ancião Tongzhou descobriu o que realmente aconteceu com seu irmão mais velho?
Quando Wu Ruo voltou ao centro da capital, o Mestre Yan estava realizando um ritual de sacrifício na praça principal. Por causa disso, o trânsito nas ruas estava extremamente congestionado. A carruagem levava quase cinco minutos para se mover um único passo.
Do lado de fora da carruagem, os cidadãos comentavam sobre o ritual que o Mestre Yan realizava.
— Nos últimos cem anos, foi sempre o Mestre Wu quem conduziu o ritual de sacrifício. É a primeira vez que outro cultivador realiza esse ritual no festival do meio do outono. Dizem que será diferente desta vez: haverá danças para assistirmos e bênçãos em forma de moedas para coletarmos. Quem conseguir uma moeda terá sorte por meio ano!
— Nesse caso, eu vou brigar por uma moeda, com certeza. Pra garantir.
— Ouvi dizer que, pra manter a ordem, ninguém pode lutar pelas moedas. Só podemos esticar as mãos quando o Mestre jogar as moedas. Quem elas tocarem será abençoado. Quem agarrar a moeda de outra pessoa ou pegar moedas do chão terá azar. O Mestre Yan faz isso justamente pra não causar brigas e feridos só por causa de moedas.
— O Mestre Yan pensou em tudo mesmo. Pra ser honesto, eu já cansei dos rituais do Mestre Wu todos esses anos. São sempre iguais. Só ficam recitando cânticos do começo ao fim, nada de novo. Espero que o Mestre Yan continue conduzindo os rituais no futuro.
— Silêncio! Abaixe a voz. Está cheio de gente por aqui. Você sabe que está numa situação muito perigosa ao dizer isso. Se o Mestre Wu souber que você falou isso, ele vai te matar.
Wu Ruo ouviu toda a conversa. Fez seus cálculos: Wu Chenzi voltaria ao cargo de Mestre de Estado depois da competição das Dez Famílias. Tinha dado muito trabalho afastá-lo — não havia como ele simplesmente voltar ao cargo com tanta facilidade.
Quanto mais a carruagem avançava em direção à praça central da capital, mais lotada estava a rua. Como Wu Ruo não tinha interesse no ritual, pediu ao guarda que desse meia-volta para retornarem à Mansão Hei.
Assim que chegaram de volta, Wu Ruo contou a Numu sobre Sang Lun.
Numu estava prestes a sair para capturar Fujin, mas Wu Ruo o deteve:
— Mestre, eles estão em um templo budista, onde não se pode entrar tão facilmente. Com certeza os monges vão tentar impedir você. Além disso, um ancião os está acolhendo. Esse mesmo ancião pode impedir que você os leve embora.
Hei Xuanyi acrescentou:
— Ruo tem razão. Se você for até lá e entrar, pode acabar não conseguindo capturá-los e ainda por cima alertá-los, dando a eles tempo para se preparar para o que vier depois.
Numu ficou frustrado. Sabia onde Fujin estava, mas não podia ir capturá-lo.
— O que eu faço então? Se eles ficarem lá pro resto da vida, vou ter que esperar pra sempre?
— Mestre, agora que sabemos onde eles estão, podemos bolar um jeito de fazê-los sair do templo — Wu Ruo semicerrava os olhos. — O que me preocupa mesmo é por que os Domadores de Cabeças conhecem o ancião Tongmiao.
Talvez não fosse ruim Sang Lun estar no templo. Talvez fosse até uma boa oportunidade para se aproveitarem da situação.
— Pode ser que tenha outra pessoa que conhece o ancião Tongmiao e, por causa dessa pessoa, eles estejam sendo autorizados a ficar lá — disse Hei Xuanyi.
— Você está querendo dizer que… — murmurou Wu Ruo.
Hei Xuanyi assentiu com a cabeça.
Numu revirou os olhos.
— Vocês dois podiam terminar a frase, não? Tudo bem que sou mestre do Ruo, mas não ensinei vocês a se comunicar com os olhos. Não tenho a menor ideia do que estão falando só por essas trocas de olhares.
— Mestre — disse Wu Ruo, contendo o riso.
— Tá, tá. Como vocês sugeriram, não vou atrás do Fujin por enquanto. Mas… como é que a gente vai atrair eles?
— Ainda não pensei em um plano. Mas prometo que não vou te fazer esperar muito tempo.
— Então não me resta outra opção além de esperar suas boas notícias. Me avise se precisar de mim, entendeu?
— Entendido.
Wu Ruo e Hei Xuanyi voltaram para seus aposentos. Assim que entraram no quarto, Hei Xuanyi puxou Wu Ruo e o fez sentar em seu colo. Wu Ruo passou os braços em volta do pescoço dele e perguntou, ao ver que Hei Xuanyi estava com uma expressão séria:
— O que foi?
— Ainda se lembra do que disse o ancião Tongzhou? — perguntou Hei Xuanyi.
— Lembro, sim. Mas você está falando de qual parte exatamente? Que somos predestinados a casar? Ou que estamos destinados a ficar juntos como casal?
Wu Ruo, é claro, sabia a que ele se referia, mas fingiu não entender. No entanto, como Hei Xuanyi estava tão sério, ele parou com as brincadeiras.
— Tá bom, parei de enrolar. Você está falando sobre o nosso casamento durar só quinze anos, né?
Quinze anos realmente era pouco para cultivadores longevos — especialmente para alguém como Hei Xuanyi, um cultivador de nível nove que poderia viver até quinhentos anos. Seria apenas um piscar de olhos.
Hei Xuanyi apenas assentiu levemente. Aquilo o incomodava desde que o ancião Tongzhou havia feito aquela previsão. Queria pedir mais detalhes, mas se conteve, já que o ancião dissera que aquilo era tudo o que podia revelar.
Mas as palavras do ancião Tongzhou também o fizeram lembrar do que Hei Xin dissera certa vez: que Wu Ruo teria uma vida curta, de até trinta anos, mais ou menos. Mas depois, o destino de Wu Ruo mudou, e passou a ser o de uma vida longa. Ninguém sabia ao certo por que a mudança aconteceu. Mas Hei Xuanyi sentia que Wu Ruo precisava descobrir a causa.
— Não se preocupe. Com certeza vamos envelhecer juntos e morrer de velhinhos, ainda apaixonados. Como o ancião Tongzhou disse, nosso casamento pode durar quinze anos… ou para sempre.
Hei Xuanyi pousou o olhar sobre o rosto de Wu Ruo e por fim assentiu. Tinha certeza de que Wu Ruo sabia o motivo da mudança no próprio destino. E agora que ele havia feito uma promessa tão firme, Hei Xuanyi acreditava que Wu Ruo não morreria cedo.
— Melhor tirarmos um cochilo agora, porque vamos apreciar a lua até a meia-noite — disse Wu Ruo, bocejando.
Hei Xuanyi o levou para o quarto.
À noite, ninguém saiu para ver as lanternas. Todos ficaram no pátio, apreciando a lua, conversando tranquilamente e passando um tempo de qualidade juntos. Só voltaram para a cama à meia-noite.
Toda a capital ficou tensa depois do festival de meio do outono. Todos começaram a se preparar para a competição das Dez Famílias.
Alguns compravam ingredientes medicinais, outros armas mágicas, e havia ainda aqueles que brigavam por materiais. Era possível ver lutas nas ruas a qualquer hora do dia — e isso deixava os cidadãos em estado de pânico.
Capítulo 145: Você é uma pessoa abençoada
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Comeback of the Abandoned Wife
Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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