Capítulo 159: A Arma Celestial
— … — Todos permaneceram em silêncio.
Wu Xi murmurou:
— Nesse caso, o mundo inteiro vai enlouquecer por essa habilidade secreta. Mas no fim das contas, lenda é só lenda. Ainda não sabemos se é real. Seria uma perda enorme se arriscássemos nossas vidas tentando encontrar essa habilidade sem saber exatamente o que ela faz. Eu não tenho ambição de me tornar a número um do mundo, e mesmo se conseguisse, nem saberia o que fazer depois disso. Então… ainda não me interesso pelo Roubo de Sombras.
Wu Qianqing pensava o mesmo e ficou muito feliz por ver a filha com esse tipo de mentalidade.
Hei Xuantang sorriu e disse:
— Se não está interessada, volte para seu quarto, tome um bom banho, troque de roupa e limpe esse sangue todo do corpo. Depois de fazer isso tudo, venha almoçar no salão.
— Certo, vou voltar para o quarto — disse Wu Xi, indo embora.
— Xuanyi, o que você acha dessa habilidade secreta? — perguntou Wu Ruo.
Hei Xuanyi apertou os olhos e respondeu:
— Talvez alguém esteja usando esse rumor para algum outro propósito.
— Também acho isso — Wu Ruo já havia decidido: elevaria seu nível de poder espiritual absorvendo habilidades dos outros, e não copiando-as ou usando técnicas secretas alheias. Mesmo que dominasse alguma, não a utilizaria, para não chamar atenção.
Dois dias depois, Wu Chenzi voltou ao trabalho. Embora o Mestre Yan e o príncipe herdeiro não soubessem dos crimes e erros cometidos por ele anteriormente, muitos funcionários haviam sido substituídos antes de seu retorno.
Agora, poucos membros da Administração de Astronomia Imperial ainda seguiam suas ordens. Seus antigos colegas de cargos importantes haviam sido trocados com a aprovação do imperador. Seria difícil recuperá-los, a menos que houvesse uma boa razão — ou se passasse muito tempo.
Quando voltou, Wu Chenzi ficou profundamente irritado com os subordinados do Mestre Yan. Fingiam obedecê-lo, mas faziam exatamente o contrário. Em resumo, nada estava saindo como ele queria. Furioso, voltou para casa apenas quatro horas após o início do expediente. Nem mesmo uma xícara de chá o acalmou. Estava desesperado por descontar sua raiva em alguém.
Foi então que se lembrou do pedido que Wu Ruo fizera no dia da competição.
Levou uma hora para elaborar um plano. E então, sorriu friamente. Desta vez, estava decidido a se livrar de Wu Ruo. Afinal, ele era o motivo de ter passado tanto tempo confinado em casa.
Para não dar a Wu Ruo tempo para se preparar, subiu em sua carruagem bem cedo na manhã seguinte e foi direto à Mansão Hei para informar a Wu Ruo que ele poderia ir ao Templo Lianfo para ver a arma celestial.
Wu Ruo recebeu a notícia ainda deitado. Então finalmente Wu Chenzi resolveu agir…
Wu Ruo e Hei Xuanyi levaram meia hora para se arrumar, lavar-se e sair para encontrar Wu Chenzi.
Wu Chenzi explicou o que fariam, e então cada um subiu em sua carruagem para seguirem juntos até o Templo Lianfo.
Quando saíram da Capital Imperial, Wu Ruo perguntou, aninhado nos braços de Hei Xuanyi:
— Está feliz por ver a arma celestial?
— Sim — respondeu Hei Xuanyi com um olhar sorridente, ajeitando o cabelo de Wu Ruo atrás da orelha.
Wu Ruo sorriu.
— Foi um pedido meu ao primeiro-ministro. Como pretende me recompensar?
Hei Xuanyi inclinou-se, beijou seus lábios e os sugou suavemente.
— Eu gostei da recompensa — disse Wu Ruo, envolvendo o pescoço dele com os braços e enfiando a língua em sua boca.
Logo estavam arfando pesadamente, com gemidos de prazer escapando.
No carruagem à frente, Wu Chenzi recolheu seu poder espiritual e sorriu com frieza. Excelente. Aproveitem enquanto podem. Não terão mais essa chance depois. Podem muito bem ir direto para o inferno.
Chegaram aos pés do templo de Lianfo. Wu Chenzi foi até a carruagem de Wu Ruo logo após descer da sua. Mas não os viu.
Hei Gan, que conduzia a carruagem, pigarreou propositalmente e disse:
— Por favor, espere aqui, Vossa Excelência.
Wu Chenzi bufou, entendendo exatamente o que Wu Ruo e Hei Xuanyi estavam fazendo dentro da carruagem.
Wu Ruo e Hei Xuanyi só saíram de lá uma hora depois.
— Sinto muito por tê-lo feito esperar — disse Wu Ruo.
Wu Chenzi comentou, olhando para o rosto tímido e corado de Wu Ruo:
— É bom ver que estão apaixonados. Mas é melhor observarem onde estão.
Bufou novamente e virou-se para subir as escadas, deixando os dois para trás.
Wu Ruo podia sentir a raiva queimando nas costas de Wu Chenzi e lançou um olhar duro para Hei Xuanyi.
Seu plano original era apenas fingir um beijo para despistar qualquer escuta espiritual que Wu Chenzi pudesse estar usando. Mas Hei Xuanyi acabou levando tudo a sério e o amou duas vezes. Agora, estava todo pegajoso lá embaixo.
Os lábios de Hei Xuanyi se curvaram num sorriso, e ele segurou a mão de Wu Ruo para subirem juntos as escadas.
— Nunca vi uma arma celestial antes. Como será uma? Será que dela sai algum espírito celestial? — perguntou Wu Ruo, fingindo ignorância.
— É uma arma celestial. É claro que tem um espírito celestial — disse Hei Xuanyi.
— Ouvi dizer que elas foram forjadas por imortais. Existem imortais no mundo?
— Não existem mais imortais vivos. Mas existem descendentes de imortais.
Wu Chenzi, que caminhava à frente, olhou para Hei Xuanyi.
— Você parece bem certo disso. Já viu algum descendente de imortais?
Ele se lembrava de seu pai comentando sobre isso, mas nunca acreditou. Afinal, se realmente existissem, esses descendentes dominariam o mundo com facilidade. Um mero cultivador de nono nível não seria nada diante deles.
— Não — respondeu Hei Xuanyi. — Ouvi isso de anciãos, mas nunca vi um pessoalmente.
Wu Chenzi se interessou pelo assunto e diminuiu o passo para andar ao lado deles.
— O que seus anciãos disseram? Como é um descendente de imortal? São incrivelmente belos? Extremamente poderosos?
Seu pai viajou por toda parte em busca de imortais. Foi graças a isso que a família de Hei Xuanyi teve a chance de salvá-lo certa vez.
Hei Xuanyi respondeu com simplicidade:
— Meu ancião dizia que os descendentes de imortais são muito mais bonitos que os humanos e têm um poder muito maior. Para eles, um cultivador de nono nível não significa nada. Com o passar das gerações, o poder vai se diluindo, mas ainda assim continuam mais fortes que qualquer humano.
— … — Wu Ruo ficou pensativo.
Hei Xuanyi não parecia estar inventando nada. Será que eles realmente existiam?
Wu Chenzi teve o mesmo sentimento que Wu Ruo.
— Seu ancião mencionou onde viu um desses descendentes?
— Não.
Wu Chenzi se decepcionou com a resposta, mas logo recuperou a confiança.
Lembrou-se de que seu pai havia escrito um diário de viagem. Saberia se ele encontrou ou não um imortal depois de procurá-lo e ler.
Se existirem mesmo… eu vou encontrá-los. E vou aprender suas técnicas.
Wu Ruo disse:
— Sendo os descendentes dos imortais tão poderosos, deveriam ter seu próprio país. Talvez o país mais forte de todos seja governado por eles.
— É possível — concordou Wu Chenzi.
— Nesse caso, o país inteiro estaria repleto de imortais — disse Hei Xuanyi.
Wu Ruo assentiu e comentou:
— Os descendentes dos imortais têm a mesma aparência dos humanos, com dois olhos, um nariz e uma boca. Se for assim, não há nada de especial neles, exceto que seu espírito imortal é mais forte que o dos humanos.
— Eles têm a mesma aparência que os humanos. São humanos que cultivaram até se tornarem imortais — disse Hei Xuanyi, com um leve sorriso nos lábios.
— É possível que humanos realmente consigam se tornar imortais? — perguntou Wu Ruo.
Wu Chenzi, que caminhava um pouco à frente, escutava atentamente.
— Sim. Ouvi dizer que há uma entrada para o mundo imortal em nosso mundo humano, onde muitos cultivadores podem alcançar a imortalidade.
Wu Ruo já ouvira falar disso em sua vida passada. Certa vez, alguém teria entrado acidentalmente nessa entrada para o mundo imortal. Mas era apenas um boato. Ele mesmo nunca estivera lá. Não tinha certeza se era verdade.
— Eu também ouvi falar disso — disse Wu Chenzi, que ouvira tanto de seu pai quanto de alguns anciãos. Será que o mundo imortal realmente existe?
Enquanto falavam sobre imortais, chegaram à entrada do Templo de Lianfo.
Os monges que guardavam o portão reconheceram Wu Chenzi. Um deles foi recebê-los, enquanto o outro correu para avisar o abade.
Logo o abade veio às pressas, acompanhado de quatro anciãos, para recebê-los na porta:
— É um prazer e uma surpresa recebê-los hoje aqui no Templo de Lianfo.
O ancião Tongzhou teve um mau pressentimento ao ver Wu Ruo e Hei Xuanyi.
Wu Chenzi e o abade caminhavam lado a lado quando disse:
— Não é nada urgente, por isso não avisamos com antecedência. Mas há uma pequena questão com a qual gostaríamos de contar com sua ajuda.
— Estou às ordens, excelência.
— Abade, por favor, leve-os para tomar o café da manhã primeiro — disse Wu Chenzi, referindo-se a Wu Ruo e Hei Xuanyi.
— Claro — respondeu o abade, instruindo um monge a conduzi-los até o café da manhã na sala de hóspedes, enquanto ele mesmo conversava com Wu Chenzi em outro aposento.
Antes de se afastar, Wu Chenzi ordenou a seus homens que vigiassem Wu Ruo e Hei Xuanyi.
— Xuanyi, é verdade aquilo sobre os descendentes dos imortais que você mencionou? — perguntou Wu Ruo, assim que entraram na sala de hóspedes.
— Mm — respondeu Hei Xuanyi, sentando-o —. Você quer ver os imortais?
— Só estou curioso pra saber se realmente existem — disse Wu Ruo, balançando a cabeça.
Hei Xuanyi serviu uma xícara de água e permaneceu em silêncio quanto aos imortais.
Wu Ruo olhou para a porta. Os subordinados de Wu Chenzi estavam por toda parte do lado de fora e olhavam para a sala de tempos em tempos.
Mas, pelo posicionamento deles, só conseguiam ver as costas de Hei Xuanyi. Wu Ruo estava sentado num canto fora do campo de visão. Poderiam ver suas mãos se ele as colocasse sobre a mesa.
Logo depois, o monge entrou com o café:
— Senhores, o templo só oferece um desjejum simples. Espero que apreciem.
Ele colocou dois tigelas de mingau de arroz, dois pãezinhos no vapor, um prato de legumes e outro de vegetais em conserva.
Wu Ruo agradeceu e pegou um pedaço de nabo em conserva para Hei Xuanyi:
— Espero que goste.
Hei Xuanyi nunca havia provado aquilo antes. Pegou um pedaço, mordeu e franziu a testa, estreitando os olhos diante do sabor amargo.
— Haha — Wu Ruo riu. Era a primeira vez que via Hei Xuanyi fazer careta por algo amargo. Achou divertido. Abraçou-o e beijou o canto de sua boca —. Tá tão amargo assim?
O guarda da porta olhou para dentro da sala por causa da risada. Era difícil acreditar que dois homens pudessem se amar daquele jeito. Eles se comportavam como um casal comum, homem e mulher. Quando se abraçavam, o guarda não parecia incomodado — talvez por serem tão belos quanto fadas.
Hei Xuanyi não aguentou mais o sabor e empurrou o nabo na boca de Wu Ruo.
Wu Ruo mastigou e comentou:
— Não é tão ruim. Nem é tão amargo quanto parece. Se quiser, você come os vegetais e eu como os picles.
— Mm — respondeu Hei Xuanyi, tomando uma colher do mingau para aliviar o gosto ácido.
Depois disso, aproveitaram o café da manhã em silêncio.
Cerca de uma hora depois, um jovem monge entrou:
— O primeiro-ministro deseja vê-los agora.
— Certo — disseram Wu Ruo e Hei Xuanyi, acompanhando o monge, seguidos pelos subordinados de Wu Chenzi.
Chegaram ao aposento do abade. Wu Chenzi trocou um olhar rápido com seus homens, que balançaram a cabeça — significando que Wu Ruo e Hei Xuanyi haviam permanecido na sala de hóspedes o tempo todo e não saíram em momento algum.
Wu Chenzi sorriu:
— Ruo, você sabe que a pagoda não é acessível a qualquer um. Tive que fazer muito esforço pra convencer o abade a tirar a arma celestial de lá, só pra que você pudesse vê-la de perto. É melhor que aproveite bem essa oportunidade, porque talvez não tenha outra.
Havia um subtexto cheio de significado por trás de suas palavras.
— Agradeço, excelência, abade e veneráveis anciãos — disse Wu Ruo, com um leve sorriso.
Wu Chenzi afastou-se para mostrar-lhes a arma celestial dourada sobre a mesa. Era uma esfera gravada com uma linguagem obscura. Havia uma linha fina em sua superfície, indicando que não era apenas uma simples esfera dourada.
Hei Xuanyi se aproximou para observá-la de perto:
— Quantas formas ela pode assumir?
O abade respondeu com um sorriso:
— Você entende bem de armas. Esta pode assumir dez formas: flor de lótus, sino do dharma, rosário, elemento dourado, batente de madeira, guarda-chuva budista, sino sânscrito, cajado budista, tambor dourado e badalo. Cada forma tem uma função diferente para situações distintas. Não é necessário apresentar uma por uma.
Wu Ruo se inclinou e sentiu o espírito celestial emanando dela:
— Esse poder intenso que sinto agora… é o espírito celestial?
— Sim — o abade assentiu com um sorriso.
— A arma celestial é impressionante. Já consigo sentir seu poder mesmo sem estar ativada. Posso ver suas outras formas? — perguntou Hei Xuanyi, fascinado.
— Claro — respondeu o abade, entoando alguns encantamentos.
A arma celestial transformou-se instantaneamente em uma flor de lótus dourada, como se suas pétalas fossem desdobradas em lâminas.
As pupilas de Wu Ruo se contraíram de súbito. Lembranças do que havia acontecido em sua vida passada invadiram sua mente de uma só vez.
Aquela era a arma que Wu Chenzi usara para absorver sua alma e separá-lo de Hei Xuanyi.
Wu Ruo apertou os punhos escondidos nas mangas, lutando com todas as forças para não destruir a arma celestial ali mesmo.
Wu Chenzi percebeu que Wu Ruo parecia um pouco estranho.
— O que foi, Ruo? Está se sentindo mal? — perguntou, fingindo preocupação.
Capítulo 159: A Arma Celestial
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Comeback of the Abandoned Wife
Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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