Capítulo 179: A Maldição do Amor
Wu Chenzi recobrou a consciência por causa do rugido. Estava confuso com o fato de Wu Weixue estar pressionando sua mandíbula e perguntou:
— Weixue, o que está fazendo?
— Vovô, eu sou sua neta! Você não pode me beijar. Isso está errado! — gritou Wu Weixue, aflita.
— Que bobagem é essa?! — rugiu Wu Chenzi.
Foi então que percebeu que estava segurando Wu Weixue com força demais.
Sentiu uma onda de fúria e a soltou imediatamente.
— O que aconteceu? Eu estava conversando com o Chefe da Família há um instante…
Wu Weixue sentiu uma pontada de culpa no fundo do coração. Não teve coragem de encará-lo.
— Wu Chenzi! Wu Weixue! Saiam imediatamente! — rugiu o Chefe da Família Wu.
Wu Chenzi saiu do pátio, seguido pelo Chefe da Família Wu, ainda cheio de dúvidas na mente.
O Chefe estava tão furioso que chegou a tremer.
— Vocês dois cometeram esse absurdo contra todas as tradições, na frente de tantas pessoas e dos nossos antepassados! Deveriam se envergonhar!
“…” Wu Weixue.
Isso também não era o que eu queria…
A maldição de amor só funcionava quando duas pessoas se encaravam. E, uma vez lançada, a vítima se apaixonaria perdidamente pela primeira pessoa que visse.
Por isso, Weixue estava esperando a melhor oportunidade para lançá-la sobre Hei Xuanyi. Mas Wu Ruo nunca baixava a guarda, o que tornava impossível se aproximar.
Hoje era o último dia do funeral. Se não lançasse a maldição agora, talvez nunca mais tivesse outra chance. Hei Xuanyi quase nunca saía da Mansão Hei. Vê-lo fora dela já tinha sido uma sorte incomum.
— Do que está falando? Quando foi que fiz algo tão terrível assim? — disse Wu Chenzi, em tom sombrio.
— Não se lembra do que acabou de fazer? — perguntou o Chefe da Família Wu, confuso.
— Tudo o que consigo lembrar é que estávamos falando sobre a cerimônia de enterro… e então uma luz dourada me atingiu. Depois disso, não sei o que aconteceu. Quando voltei a mim, estava segurando Weixue nos braços…
— Wu Weixue, você lançou algum feitiço agora há pouco? — perguntou o Chefe da Família Wu, com raiva.
Wu Weixue encolheu os ombros, assustada, sem ousar dizer nada.
— Fale! — Wu Chenzi a encarou com fúria.
— F-foi uma maldição de amor…
— Maldição de amor? — repetiu Wu Chenzi.
— Um homem me deu essa maldição e disse que eu poderia lançá-la sobre o homem que eu amasse. Assim que ele fosse atingido e olhasse nos meus olhos, se apaixonaria por mim… — explicou Wu Weixue em voz baixa.
— !!! — O Chefe da Família Wu ficou estarrecido.
Wu Chenzi conhecia aquela maldição e perguntou, chocado:
— Está dizendo que fui atingido por essa maldição de amor?
Wu Weixue assentiu com a cabeça.
— Isso é ridículo! Ridículo! Um completo absurdo! — Wu Chenzi disse, apavorado.
Ser atingido pela maldição de amor… da própria neta. Aquilo era simplesmente grotesco. As pessoas os julgariam. Ririam deles.
— Vovô, eu juro que não sei como isso aconteceu… Meu alvo era Hei Xuanyi. Não sei por que a maldição acabou atingindo você — explicou Wu Weixue, desesperada.
— Você… — Wu Chenzi estava tão enfurecido que ergueu a mão, prestes a dar um tapa em Wu Weixue.
Wu Weixue sacou um artefato mágico para bloquear o tapa. Mas logo Wu Chenzi abaixou a mão e disse com ternura:
— Weixue, por que está empunhando um artefato mágico? Alguém te machucou?
— Foi você? Vai machucar minha Weixue? — Wu Chenzi encarou o Chefe da Família Wu.
— !!! — O Chefe da Família Wu ficou atônito.
O que foi que eu fiz agora…?
“…” Wu Weixue.
— Weixue, não tenha medo. Se ele ousar encostar um dedo em você, eu o mato — disse Wu Chenzi, protetor.
Os lábios do Chefe da Família Wu se contraíram de raiva.
Wu Weixue não sabia se Wu Chenzi falava assim por causa da maldição do amor ou se estava apenas vulnerável.
— N-não venha. Volte para o seu pátio agora — pediu ela, nervosa.
— Tudo bem. Vou fazer o que quiser. Não se irrite, não faz bem pra sua saúde — respondeu Wu Chenzi docemente.
— Por favor, vá agora — apressou Wu Weixue, temendo que ele fizesse algo repentino.
— Estou indo, estou indo — respondeu Wu Chenzi, se afastando. Mas, ao se virar, gritou para o Chefe da Família Wu:
— Se você a machucar, não vou te perdoar!
O Chefe da Família Wu se sentiu profundamente magoado. Quando Wu Chenzi já estava longe o bastante, disse com gravidade:
— Você consegue desfazer essa maldição?
— Não… não consigo. Uma vez lançada, ela é permanente — respondeu Wu Weixue, aliviada ao vê-lo se afastar.
Na verdade, a maldição poderia ser desfeita se uma das partes envolvidas morresse. Mas, se revelasse isso ao Chefe da Família Wu, poderia ser ela quem morreria.
— Você… — o Chefe da Família Wu estava furioso. — Está me dizendo que seu avô vai te amar como uma parceira pelo resto da vida?! Absurdo! Ridículo! Se isso se espalhar, vão julgá-lo, rir da nossa cara!
Qualquer civil comum seria punido se fizesse algo assim. Wu Weixue, você precisa assumir responsabilidade por essa maldição! Ou nunca mais volte para a Família Wu! Está nos envergonhando! — Weixue sempre fora um problema. Nada do que fazia beneficiava a família. Era melhor expulsá-la logo.
Wu Weixue também odiava a ideia de ser amada por Wu Chenzi pelo resto da vida.
— Farei o possível para desfazer a maldição. Vou falar com o homem que me deu a maldição do amor — declarou, antes de se virar e deixar a Família Wu para trás.
Todos os outros ficaram paralisados no salão de luto. Ainda tentavam processar o que tinham acabado de ver: Wu Chenzi beijando Wu Weixue.
— O que acabou de acontecer? — Wu Zhu saiu do transe. — Aquela luz dourada no corpo do Wu Chenzi… foi isso que o deixou tão estranho?
— Se estou certo, Wu Weixue usou a maldição do amor — disse Wu Ruo, assentindo. — Quem for atingido pela maldição se apaixonará perdidamente pela pessoa que vê primeiro. E ficará assim pro resto da vida. A menos que um dos dois morra, a maldição não pode ser desfeita.
— Meu Deus do céu. Nunca ouvi falar de algo assim. Ainda bem que empurrei Xuanyi pra longe. Não consigo nem imaginar o que teria acontecido. Aquela mulher é perversa. É capaz de tudo pra conseguir o Xuanyi! — gritou Wu Xi, revoltada.
— A maldição do amor não funciona entre duas mulheres? — Wu Zhu perguntou, confuso.
— Funciona, sim.
— Mas por que a luz dourada ricocheteou na Xi?
Wu Ruo apontou para o pingente de cintura que Wu Xi usava:
— O pingente que dei pra Xi pode rebater qualquer tipo de maldição.
Ele havia dado aquele pingente a Wu Xi por medo de que Ba Se lançasse maldições sobre ela, como fizera em sua vida anterior. Por isso, pedira que Hei Xuanyi mandasse fazer um. E hoje, ele provou ser útil.
Wu Xi tirou o pingente imediatamente e o entregou a Hei Xuanyi:
— Xuanyi, fique com o pingente de cintura de Buda.
Hei Xuanyi hesitou.
Wu Ruo tomou o pingente e o colocou pessoalmente em Hei Xuanyi.
— É bem provável que Wu Weixue tente lançar outra maldição em você. Melhor se proteger.
Pensando bem, seria um desastre se Hei Xuanyi fosse atingido pela maldição. Se isso acontecesse, com ele protegendo Wu Weixue, seria quase impossível matá-la.
Hei Xuanyi olhou para o pingente de cintura de Buda, preocupado com Wu Ruo, pois ele também poderia ser enfeitiçado.
Decidiu então mandar fazer o mesmo tipo de pingente — ou uma presilha semelhante — para todos os membros da família.
Finalmente, Wu Qianqing e Guan Tong voltaram a si.
— Wu Weixue está tão mimada… — comentou Wu Qianqing.
— É hora da cerimônia de sepultamento! — alguém gritou de repente.
A Família Wu recuperou o bom senso e se ajoelhou dos dois lados do salão de luto. As pessoas começaram a chorar.
Na frente do cortejo fúnebre, iam homens abrindo o caminho e cravando “bandeiras de guia” ao longo da estrada para orientar a alma do falecido.
Também havia homens à frente jogando moedas de papel — serviam para “comprar” os fantasmas ao longo do caminho. Atrás vinham os esquadrões cerimoniais, com diversos tipos de oferendas de papel, bandas instrumentais, o estandarte espiritual carregado por sobrinhos ou netos, e os que carregavam bancos cerimoniais.
Depois deles vinham os descendentes homens, seguidos pelo caixão, e então as mulheres e os parentes.
Assim que saíram da capital, os parentes deixaram de acompanhar o cortejo. Os demais seguiram rumo ao cemitério da Família Wu.
Todos os transeuntes davam passagem ao cortejo e se curvavam diante dos mortos. Mas, quando estavam perto do cemitério, encontraram um grupo montado a cavalo. Todos tinham tatuagens no rosto, o que lhes dava um ar sinistro. Eles não abriram passagem para o cortejo fúnebre.
Quando estavam a poucos metros do grupo, a mulher que liderava — com o rosto coberto por tatuagens negras — disse:
— Todos, desmontem dos cavalos e abram caminho.
Os outros obedeceram rapidamente e se afastaram, mas não se curvaram diante dos mortos.
Wu Ruo os observou com mais atenção por causa das tatuagens incomuns. A mulher na frente tinha a pele escura, olhos afiados e usava duas tranças. Embora seu estilo de roupa fosse parecido com o dos demais, ela trazia consigo cabeças de alho e amuletos estranhos presos ao pescoço e aos pulsos.
A mulher sentiu que alguém a observava e levantou o olhar. Franziu a testa ao ver Wu Ruo, pois seu rosto lhe pareceu familiar.
— É ela — ofegou Guan Tong.
Todos a olharam.
— Mamãe, quem é ela? — perguntou Wu Ruo.
— Falamos sobre isso depois — respondeu Guan Tong em voz baixa, enquanto lançava olhares ao redor.
— Mm.
O cortejo funerário era bastante longo. Levou meia hora para que todos passassem pelo grupo montado.
— Chefe, por que demos passagem pra eles? — perguntou um homem robusto à mulher na frente.
Ela o encarou e respondeu:
— O cortejo é muito longo. Isso significa que não é uma família comum. Se ofendermos essas pessoas agora, podem acabar nos matando sem motivo algum. Lembre-se do que estou dizendo. Aqui é a Capital Imperial, não nossa cidade natal, onde você pode fazer o que quiser.
— Sim, entendi.
— Volte pro cavalo e vamos seguir caminho — ordenou ela, montando novamente. O grupo retomou a marcha rumo à Capital Imperial.
Depois que se afastaram, o cortejo fúnebre chegou ao cemitério.
Wu Ruo e Guan Tong estavam parados num canto.
— Mãe, quem era aquela mulher? — perguntou Wu Ruo.
— Não sei quem ela é — respondeu Guan Tong.
— Mas você acabou de dizer “é ela”. Suponho que a conheça.
— A encontrei algumas vezes quando estava grávida de você, há vinte anos. Na época, ela — estou falando da mulher à frente do grupo — disse que me mataria porque achava que eu tinha um caso com o marido dela. Mas, na verdade, eu nem sabia quem era o marido dela.
Antes disso, um homem costumava me seguir e me mandava cartas de amor. Talvez fosse o marido dela… mas eu não lembrava como ele era.
Lembro dela por causa da tatuagem no rosto. E, basicamente, ela mudou completamente nesses vinte anos.
Qianqing, você se lembra?
— Sim, eu lembro — disse Wu Qianqing.
Capítulo 179: A Maldição do Amor
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Comeback of the Abandoned Wife
Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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