Capítulo 214: Ao primeiro andar
Depois que Wu Ruo deixou a hospedaria, ele não saiu imediatamente da Cidade de Chi. Registrou-se em outra hospedaria. Não partiu logo porque os presentes que havia encomendado ainda estavam em processo de fabricação. Além disso, queria saber se o líquido medicinal havia surtido efeito.
— Mestre, me desculpe por não ter feito bem meu trabalho e permitido que Gran Pang tivesse a chance de te machucar.
O Velho Hei estava profundamente culpado. Estava com raiva de Gran Pang, mas não havia nada que pudesse fazer a respeito. Nada disso teria acontecido se a vida de Gran Pang tivesse sido melhor.
Tomando o próprio Velho Hei como exemplo: ele havia feito muitas coisas ruins no passado apenas para sobreviver neste mundo.
— Eu até entendo que tenham feito coisas ruins para ganhar dinheiro. Mas não posso perdoá-los por matarem a própria filha só por causa de dinheiro. Agora já passou. Nunca mais mencione isso — Wu Ruo girava um chocalho preto em forma de tambor, que emitia um som suave e relaxante quando as duas pequenas bolinhas presas às cordas de ambos os lados batiam no tambor.
Era um brinquedo de criança, mas o som pareceu aterrorizante para o Velho Hei.
— Sabe o que é isso? — Wu Ruo lançou um olhar ao trêmulo Velho Hei.
— Um chocalho em forma de tambor…
Wu Ruo sorriu e disse:
— Está certo. É um chocalho em forma de tambor, mas contém um verme amaldiçoado-mãe.
Enquanto eu o giro, o tambor emite um som que desperta um verme amaldiçoado plantado no corpo de alguém.
E quando esse verme acorda, ele começa a causar dor na pessoa.
À luz das velas, o Velho Hei pôde ver um verme dentro do chocalho em forma de tambor. Ficou horrorizado. Wu Ruo com certeza estava tramando algo ao explicar aquilo.
— Em quem você implantou o verme amaldiçoado? — perguntou ele.
— Em quem você acha? — devolveu Wu Ruo.
Gran Pang e sua esposa foram os primeiros a surgirem na mente do Velho Hei.
— Papai! — Eggie se jogou nos braços de Wu Ruo e tentou pegar o chocalho em forma de tambor. — Quero esse brinquedo!
Wu Ruo entregou o chocalho para ele e disse:
— Tenha cuidado. Certifique-se de que o verme amaldiçoado continue vivo. Caso contrário, o corpo que estiver com o verme vai morrer.
— Entendi — disse Eggie, girando o chocalho para frente e para trás como se não tivesse compreendido o que Wu Ruo queria dizer.
O coração do Velho Hei quase saltou pela boca. Era fácil imaginar o quanto o corpo da pessoa sofreria com Eggie girando o chocalho daquele jeito com tanta frequência. Por um momento, ele até sentiu pena do casal Pang.
No entanto, o casal Pang não confessou que havia matado a própria filha após serem presos. Só admitiram o crime depois de sentirem dores extremas, acreditando que fosse um castigo dos céus.
As pessoas ficaram felizes com o resultado. O casal merecia ser condenado à morte.
Naquela noite, desconhecidos tiraram o casal da prisão.
Quando Wu Ruo ouviu a notícia, estava vagando por outras cidades. A vida das pessoas nas cidades era melhor do que a dos pobres em vilarejos pequenos.
Mas mesmo assim, os cidadãos das cidades viviam de forma mais miserável que os do Reino de Tianxing.
Pelo menos os pobres do Reino de Tianxing tinham água potável. Já para os pobres nas cidades, a água doce era uma fonte rara.
Dois dias depois, Wu Ruo recebeu os presentes que havia mandado fazer. Então, os quatro foram ao edifício da prefeitura. Cobraram bem mais para subir para outro andar. Cada um pagou três taéis de prata. E o custo para o andar mais alto era ainda maior.
Cada andar era diferente. Assim que os quatro chegaram ao décimo sétimo andar, usaram imediatamente a formação de transporte para o décimo sexto.
Mas era possível notar a diferença pelo tamanho da prefeitura, pelas roupas das pessoas e pelas luzes da cidade. O décimo sétimo andar era mais rico e acolhedor do que o décimo oitavo.
Quando finalmente chegaram ao primeiro andar, onde ficava a capital do país, parecia que estavam no céu. Era literalmente um paraíso comparado ao décimo oitavo andar.
As ruas tinham quase trinta metros de largura, ladeadas por prédios de dez andares. As ruas e as casas estavam decoradas com lanternas brilhantes, como se estivessem celebrando o Ano Novo.
Além disso, milhões de esferas luminosas flutuavam no ar, iluminando todas as avenidas e ruas. A cidade era tão brilhante quanto uma metrópole moderna.
— Ouvi dizer que as esferas de luz no céu mudam com o passar do tempo. À noite, brilham como estrelas. Por isso, mesmo que não haja um vigia por aqui, as pessoas ainda sabem que horas são.
— Isso é incrível — disse Wu Ruo.
— Eu quero uma! Papai, eu quero uma! — Eggie levantou as mãos para o alto.
Wu Ruo apontou para o bolso na cintura dele e disse:
— Posso te conseguir uma, se ainda tiver espaço suficiente aí.
Os dois pequenos bolsos que Eggie usava na cintura tinham quase o tamanho da metade de uma palma. Hei Xuanyi havia se esforçado muito para fabricar armas mágicas pequenas, porém poderosas, para guardar nesses bolsos.
Eggie olhou para os bolsos na cintura e depois para as esferas do tamanho da própria cabeça flutuando no ar.
— Não tem espaço suficiente… — fez um biquinho.
— Agora você deve entender que não pode ter tudo o que deseja. Entendido?
Eggie assentiu com a cabeça.
— Devíamos encontrar um lugar para entrar e sair em busca de informações. O que acha? — disse o Velho Hei.
— Sabe onde fica o melhor restaurante? — perguntou Wu Ruo.
— Ouvi dizer que o Wangyueju é o melhor. Dizem que o ambiente e a decoração são muito aconchegantes. Faz qualquer um se sentir em casa.
Mas é bem mais caro do que qualquer outra hospedaria. Cobrando pelo menos cento e quinze taéis de prata por noite — disse o Velho Hei. — Só custa quinze taéis de prata passar uma noite numa suíte de primeira classe na melhor hospedaria da Capital Imperial do Reino de Tianxing. É caro demais ficar aqui.
— Fica no centro?
— Sim, bem no centro da cidade.
— Vamos.
Wu Ruo estava curioso para saber por que o Wangyueju cobrava tanto por uma noite de hospedagem. Quando chegou ao local, descobriu que esse valor não era por um quarto individual.
Era um grande hotel composto por dez edifícios. Cada edifício tinha dez andares de altura. Cada andar contava com um pátio privativo, quatro quartos e uma pequena cozinha, grande o bastante para acomodar uma família inteira.
Havia três criados disponíveis para fazer recados para os hóspedes. Os hóspedes podiam pagar para que cozinhassem ou pagar ao hotel para entrega de refeições. Viver ali era confortável e prático.
Mais importante ainda, era seguro. Havia regras rígidas no hotel. Ninguém podia brigar nas dependências. Quem infringisse a regra seria expulso e multado.
Além disso, cada quarto era protegido por formações defensivas, e cultivadores de sexto nível estavam reunidos no hotel.
Para se hospedar em um grande pátio, o custo era alto — mil taéis de prata por noite. Mas o espaço era muito maior que os pátios pequenos, com vista para um lago e uma cachoeira, além de mais servos.
Wu Ruo optou por ficar no pátio menor e mais barato, pois não havia necessidade de reservar um pátio grande. O pequeno era suficiente para os quatro.
Quando o Velho Hei pagou dois mil taéis de prata como depósito, seu coração doeu com a quantia. Ficou rezando para que encontrassem Hei Xuanyi logo, para não precisarem gastar tanto com hospedagem.
Depois do almoço, Wu Ruo tirou dez caixas de prata e pediu ao Velho Hei que as trocasse por notas. Em seguida, foi investigar onde ficava o palácio imperial.
Mesmo a prefeitura do primeiro andar já era protegida por grandes formações. Qualquer leve alteração seria detectada — que dirá o palácio imperial.
O palácio era extremamente protegido, com várias camadas de formações e milhares de guardas. Wu Ruo não conseguiu entrar. Teve de esperar do lado de fora. Mas, até a hora do jantar, não viu ninguém conhecido.
Dizia-se que o príncipe herdeiro e seu noivo viviam felizes no palácio, o que indicava que o príncipe herdeiro talvez não fosse Hei Xuanyi.
Por isso, começou a procurar outras famílias com o sobrenome Hei. Mas também não encontrou nada. Estava profundamente irritado.
Estava bravo com Hei Xuanyi. Se ele tivesse revelado seu nome verdadeiro e sua identidade, Wu Ruo não teria perdido quase um mês inteiro tentando encontrá-lo!
Naquele momento, Wu Ruo percebeu que mal conhecia Hei Xuanyi. Não era que não se importasse com o marido.
Era só que Hei Xuanyi sempre dizia que contaria tudo quando estivessem no Reino da Alma Morta, toda vez que Wu Ruo perguntava sobre sua família. Obviamente, Hei Xuanyi ocultava algo de propósito.
— Desisto! — disse Wu Ruo, furioso.
O Velho Hei não ousou dizer nada, pois também guardava ressentimento contra Hei Xuanyi. Qualquer um ficaria irritado se o próprio marido se recusasse a revelar seu nome verdadeiro e sua verdadeira identidade.
Wu Ruo disse a Eggie, que estava hospedado no hotel há mais de meio mês:
— Vamos nos divertir.
Os olhos de Eggie brilharam intensamente, e ele gritou empolgado, abraçando o pescoço de Wu Ruo:
— Viva!
A raiva de Wu Ruo se dissipou ao ver seu filho tão feliz. Ele perguntou à vovó fantasma:
— Vai sair também?
A vovó fantasma balançou a cabeça em negativa.
— Então fique por aqui. Fale com os criados se precisar de algo — Wu Ruo não insistiu.
A vovó fantasma assentiu.
Wu Ruo saiu do hotel com Eggie e o Velho Hei.
— Velho Hei, tem alguma recomendação de onde ir?
— Tenho. Mas a maioria dos lugares divertidos foi construída debaixo da terra. Eles só abrem no fim da tarde. E precisamos de um token de acesso pra entrar.
Wu Ruo olhou para as esferas brancas flutuando no céu e disse:
— Agora é de dia. Então ainda não estão abertos?
— Isso mesmo.
Os olhos de Eggie varriam os pequenos estandes na beira da rua. Wu Ruo entendeu a indireta. Eggie queria comprar coisas. Ele o colocou no chão.
Eggie era ainda mais baixo que os estandes. Precisava pular para conseguir ver os itens expostos.
Wu Ruo riu de seu adorável filho se esticando nas pontas dos pés:
— Meu filho é tão fofo.
— Se parece muito com o Senhor — disse o Velho Hei com um sorriso.
Wu Ruo bufou ao ouvir o nome de Hei Xuanyi:
— Não mencione o nome dele hoje! Estou com muita raiva!
— Sim — o Velho Hei se calou.
Havia uma longa fila mais à frente. Wu Ruo perguntou:
— O que estão fazendo?
— Vou lá dar uma olhada.
O Velho Hei se aproximou e voltou alguns minutos depois:
— O Jufengzhai vai fazer uma festa do licor ao meio-dia.
— Festa do licor? Eles vão beber?
— Não se trata de beber. É bem parecida com uma audição. Mas diferente de um leilão. No leilão, só objetos sólidos são colocados à venda.
Na festa do licor, as pessoas podem leiloar suas habilidades e seu tempo. Também é uma oportunidade de conhecer figuras importantes da cidade.
A entrada custa cem taéis de prata. E tem comida e bebida à vontade.
Wu Ruo se interessou especialmente pela última parte.
— Eggie, está com fome? — perguntou Wu Ruo.
Eggie estava babando diante do estande de panquecas.
— Papai, você vai comprar uma panqueca pra mim?
— Nada de panquecas — Wu Ruo pegou Eggie no colo e disse, sorrindo: — Vamos comer algo gostoso. Você deve comer tudo o que conseguir pra valer cada um dos meus trezentos taéis de prata.
— Oba! — Eggie começou a babar.
— … — O Velho Hei lançou um olhar ao barriguinha de Eggie. Estava confuso, já que Eggie conseguia fazer várias refeições por dia e comia muito mais do que um adulto em cada uma delas. Mas sua barriga era tão pequena…
Capítulo 214: Ao primeiro andar
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Comeback of the Abandoned Wife
Depois que Wu Ruo morreu, ele renasceu naqueles dias sombrios em que era o mais inútil e o mais gordo — justamente a versão de si mesmo que mais odiava.
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